O Oklahoma City Thunder e o Indiana Pacers se preparam para uma batalha final neste domingo, no tão aguardado Jogo 7 das Finais da NBA de 2025. Em uma série que já superou todas as expectativas, os dois times chegam empatados em vitórias e praticamente inseparáveis no placar agregado: apenas sete pontos os separam após seis partidas eletrizantes.
É a primeira vez desde 2016 que uma final da NBA vai até o Jogo 7. Naquele ano, os Cavaliers de LeBron James completaram uma virada histórica sobre os Warriors de 73 vitórias. Curiosamente, o Thunder também chega embalado por uma campanha de temporada regular extraordinária, com 68 vitórias, o maior número desde aquele lendário time de Golden State. Mas será que a história vai se repetir?
Antes da bola subir, vale a pena olhar para o passado e entender o que ele pode nos dizer sobre o que esperar no jogo decisivo da temporada da NBA.
1. Não devemos ter muitos pontos
Apesar de Thunder e Pacers estarem entre os melhores ataques da NBA em 2025 — ambos ultrapassaram os 100 pontos em cinco dos seis jogos da série —, a história dos Jogos 7 das Finais sugere um cenário completamente diferente: partidas truncadas, intensas e de poucos pontos.
Nenhum time chegou aos 100 pontos em um Jogo 7 de uma final da NBA desde 1988, quando os Lakers venceram os Pistons por 108 a 105. Desde então, os placares têm sido significativamente mais baixos:
- 1994: Rockets 90 x 84 Knicks
- 2005: Spurs 81 x 74 Pistons
- 2010: Lakers 83 x 79 Celtics
- 2013: Heat 95 x 88 Spurs
- 2016: Cavaliers 93 x 89 Warriors
Essa tendência revela a natureza particular de um Jogo 7: as defesas se ajustam, o nervosismo aumenta e cada posse vale ouro. O técnico do Thunder, Mark Daigneault, reforçou esse ponto ao afirmar que “a defesa tem sido mais consistente do que o ataque durante os playoffs” e que “é mais difícil pontuar quando você enfrenta o mesmo adversário repetidamente”.
Ou seja, mesmo com talentos ofensivos como Shai Gilgeous-Alexander e Tyrese Haliburton em quadra, a expectativa é de um duelo mais tático do que estético.
2. Jogo apertado é quase garantido — e isso pode favorecer os Pacers
Desde o Jogo 1, quando Haliburton venceu o Thunder com um arremesso no estouro do cronômetro, a série tem sido definida nos detalhes. Três dos seis confrontos foram para o “clutch time”, aquele momento em que o jogo está em cinco pontos ou menos de diferença nos cinco minutos finais, e a média histórica também aponta para esse cenário: o Jogo 7 das Finais tem, em média, uma margem de vitória de apenas 6,9 pontos, a menor entre todos os jogos das finais da NBA.
Mais curioso ainda: desde 1978, nenhum Jogo 7 de Final foi decidido por dígitos duplos. E entre os 19 Jogos 7 anteriores, nove terminaram com cinco ou menos pontos de diferença.
Esse tipo de ambiente favorece times emocionalmente resilientes — exatamente o caso dos Pacers. A equipe de Rick Carlisle tem impressionantes 9 vitórias e apenas 2 derrotas em jogos “clutch” nesta pós-temporada. Essa frieza em momentos decisivos, somada ao entrosamento do grupo e à falta de pressão externa (afinal, ninguém esperava que Indiana chegasse tão longe), pode ser o diferencial na reta final da NBA.
Como destacou Haliburton: “Estamos tentando fazer algo especial. As expectativas sempre foram baixas em relação a nós, mas continuamos juntos. Não trocaria esse grupo por nada.”
3. O mando de quadra pode decidir tudo — e o Thunder tem isso nas mãos
Quatro dos seis jogos da série foram vencidos pelo time da casa, e os dois únicos triunfos fora de casa aconteceram em situações extremas, com viradas improváveis. Ou seja, a vantagem de jogar no Paycom Center, em Oklahoma, é real, e pode ser decisiva.
Historicamente, jogar em casa em um Jogo 7 de Final é um privilégio. Apenas quatro dos 19 Jogos 7 anteriores foram vencidos pelo time visitante: Celtics em 1969 e 1974, Bullets em 1978 e, mais recentemente, os Cavaliers em 2016. Ou seja, o mandante venceu 15 de 19 decisões em jogo final.
O Thunder reforça essa tendência com números impressionantes: teve 35 vitórias e apenas 6 derrotas em casa na temporada regular. Nos playoffs, são 10 vitórias e 2 derrotas como mandante, e ambas vieram em jogos decididos no último segundo, após grandes apagões. No total, foram nove vitórias em casa por mais de dez pontos, sendo quatro por mais de 30. O saldo de pontos médio em casa nos playoffs é um absurdo +20,7.
Além do desempenho em quadra, há também o fator emocional. Como afirmou Shai Gilgeous-Alexander: “É o lugar onde estamos mais confortáveis. Tudo flui melhor: a rotina, a alimentação, o apoio da torcida. Eles te levantam mesmo quando as coisas estão difíceis. Isso faz diferença.”
Tudo em jogo para Thunder e Pacers na partida decisiva da NBA
O Jogo 7 entre Thunder e Pacers promete drama, tensão e, acima de tudo, imprevisibilidade. A história da NBA aponta para um duelo de placar baixo, decidido nos detalhes e fortemente influenciado pelo mando de quadra. Se seguir esse roteiro, Oklahoma City entra como favorito, mas seria um erro subestimar a resiliência de Indiana, que já derrubou gigantes nesta pós-temporada.
Seja qual for o resultado, o Jogo 7 de 2025 está destinado a entrar para a história. E se o passado for mesmo o melhor conselheiro, o que veremos neste domingo será mais guerra do que espetáculo — exatamente como manda a tradição das grandes finais da NBA.
FOTO: Michael Conroy/AP Photo