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NBA: por que cada vez mais jogadores estão recusando o Draft em 2026?

Se tem uma palavra que define o momento atual da NBA, essa palavra é: mudança. E não, não estamos falando só de troca de jogadores ou franquias tentando montar supertimes. O impacto agora vem de um lugar que, até pouco tempo atrás, era só uma “etapa de passagem”: o basquete universitário.

Em 2026, apenas 71 jogadores se declararam para o Draft da NBA como elegíveis antecipados. É o menor número desde 2004. E o motivo não tem nada a ver com falta de talento, pelo contrário. A nova realidade do NIL (nome, imagem e semelhança) transformou a NCAA em um ambiente extremamente lucrativo. Em muitos casos, mais lucrativo do que entrar na NBA sem garantia de contrato.

Ou seja: o sonho da NBA continua vivo, mas agora ele vem acompanhado de uma calculadora.

Combine da NBA: onde sonhos são aprovados (ou adiados)

Se antes a decisão de ir para a NBA era quase automática para os grandes talentos, hoje ela passa por um filtro importante: o Combine. É lá que os jogadores recebem avaliações diretas das franquias e entendem exatamente onde estão pisando.

Um dos nomes mais intrigantes dessa lista é Tyler Tanner, de Vanderbilt. O armador foi simplesmente um maestro na última temporada, liderando uma campanha surpreendente e enchendo os olhos dos analistas. O problema? A altura. Com menos de 1,80m, ele entra naquele grupo que precisa provar o dobro para convencer na NBA. Existe chance de sair na primeira rodada? Existe. Mas também existe a possibilidade de voltar, dominar a NCAA e ainda ganhar mais dinheiro nesse processo.

Outro caso curioso é Ebuka Okorie, de Stanford. Ele surgiu como um dos maiores pontuadores do país, mas a NBA quer entender se ele é mais do que isso. Consegue criar jogadas? Consegue comandar um time? Essas respostas podem definir se ele vira um armador titular na NBA ou apenas mais um pontuador de rotação.

O dilema perfeito: ir agora ou virar estrela absoluta depois?

Amari Allen, de Alabama, representa bem o tipo de jogador que divide opiniões. Ele não é o cara que vai meter 40 pontos toda noite, mas faz tudo e faz bem. Defende múltiplas posições, arremessa, passa e entende o jogo. Na NBA, isso vale ouro. Mas em Alabama, ele pode virar protagonista total na próxima temporada e, quem sabe, subir ainda mais no draft futuro.

Situação semelhante vive Meleek Thomas, de Arkansas. Sem tanto hype quanto outros nomes, ele foi extremamente eficiente: mais de 15 pontos por jogo e 42% nas bolas de três. Não é só talento, é consistência. E a NBA adora isso. Mas será que vale sair agora ou apostar em mais um ano para subir de prateleira?

Koa Peat, de Arizona, é aquele jogador que parece pronto fisicamente para a NBA desde ontem. Forte, competitivo, impacta o jogo… mas ainda precisa evoluir no arremesso. A tendência é que ele fique no draft, mas se o retorno não for de topo de primeira rodada, não seria absurdo vê-lo voltar para lapidar o jogo.

Quando o dinheiro fala mais alto do que a NBA

Se existe alguém olhando contratos universitários com carinho, esse alguém é Rueben Chinyelu, de Florida. O pivô é dominante defensivamente e uma máquina de duplos-duplos, mas ainda aparece como escolha de segunda rodada. E aqui entra o ponto-chave: segunda rodada na NBA não garante contrato. Já na NCAA… bom, o bolso agradece.

Juke Harris, de Wake Forest, também vive essa encruzilhada. Com média acima de 21 pontos por jogo, ele já provou que sabe pontuar. Agora precisa convencer que consegue fazer isso em nível NBA. Se vier uma promessa de escolha com contrato garantido, ele vai. Se não, o caminho universitário continua muito atrativo e Tennessee está de olho.

E não dá pra ignorar Milan Momcilovic, de Iowa State. O cara simplesmente flertou com os 50% nas bolas de três. Na NBA, arremessador nunca fica sem emprego. Mas será que vale mais do que um contrato milionário imediato na NCAA? É aquele tipo de dúvida que não existia alguns anos atrás.

NBA está entre estratégia e risco

Tounde Yessoufou, de Baylor, parece mais disposto a apostar na NBA, mesmo sabendo que ainda precisa evoluir tecnicamente. Já Allen Graves, de Santa Clara, vive o famoso “depende”: pode ser escolha de primeira rodada, mas talvez precise de uma garantia real para abrir mão de um grande acordo universitário.

E ainda tem outros nomes rondando essa decisão, como Dailyn Swain e Christian Anderson, mais inclinados a seguir para a NBA, enquanto jogadores como Flory Bidunga e Andrej Stojaković devem permanecer no basquete universitário.

No fim das contas, quem está ganhando?

A resposta é simples: os jogadores.

A NBA continua sendo o grande objetivo, o auge da carreira. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ela deixou de ser a única escolha lógica. O basquete universitário virou um caminho viável, estratégico e, principalmente, lucrativo.

E isso muda tudo.

Porque agora, mais do que talento, a decisão passa por timing, oportunidade e dinheiro. E enquanto a NBA observa, tentando se adaptar a esse novo cenário, os jovens talentos seguem fazendo o que todo mundo gostaria de fazer na vida: escolhendo o melhor caminho, dentro e fora da quadra.

Foto: BRYAN TERRY/THE OKLAHOMAN / USA TODAY NETWORK via Imagn Images