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NBA: Proposta ‘anti-tanking’ gera mais problemas para a liga

A NBA fez um novo ataque em sua “guerra” contra o “tanking”, ou seja, o ato de perder de propósito, para melhor as chances no draft. Essa prática é algo que acontece há muito tempo — inclusive em outros esportes —, mas que ganhou muita atenção durante a temporada regular da NBA deste ano.

O “tanking” deste ano foi bem descarado. É fácil afirmar que algumas equipes começaram a temporada regular já pensando em perder. Em janeiro, essa lista chegou a quase 10 equipes.

Esse tipo de coisa diminui a qualidade do produto “NBA”, e a liga passou os últimos meses em busca de minar essa prática. Recentemente, após analisar várias opções, a NBA chegou com uma resolução que tende a ser problemática. E ela foi apresentada para ser votada no final do mês de maio.

Os dirigentes da liga informaram seus 30 principais executivos de basquete esta semana que novas reformas contra o “tanking” entrarão em vigor na próxima temporada. A reforma, que foi apelidada de “loteria 3-2-1”, expandirá a loteria para 16 times, equilibrará as probabilidades e criará uma zona de rebaixamento onde os três últimos colocados serão penalizados com menos chances de obter a primeira escolha do draft.

Com o novo sistema, a loteria será expandida de 14 para 16 equipes, incluindo o perdedor do jogo de repescagem entre o sétimo e o oitavo colocados. Equipes que não se classificarem para os playoffs ou para o torneio de repescagem, mas que se mantiverem fora da zona de rebaixamento — designada como as posições de quatro a dez — receberão três bolas na loteria cada. Equipes com uma das três piores campanhas cairão para a zona de rebaixamento e terão apenas duas bolas na loteria. Essas equipes terão como pior cenário a 12ª escolha, enquanto as demais 13 equipes na loteria poderão cair até a 16ª escolha.

Essa proposta pode ter alterações. Na reunião com dirigentes da liga, alguns executivos expressaram a opinião de que a pior posição para um time entre os três últimos colocados não deveria ser além da 10ª. Outros acham que deveria ser ainda pior.

Além disso, nenhuma equipe poderia obter a primeira escolha geral em anos consecutivos ou três escolhas consecutivas entre as cinco primeiras. As equipes também não poderiam proteger escolhas entre a 12ª e a 15ª posição. A NBA também teria autoridade disciplinar ampliada para regular o “tanking” (jogo de perder de propósito). Isso poderia incluir a opção de reduzir as chances das equipes na loteria do draft ou modificar suas posições no draft.

A votação sobre a nova proposta está prevista para ocorrer em uma reunião do Conselho de Administração no dia 28 de maio.

Adam Silver, comissário da NBA (Foto: Soeren Stache / dpa / picture alliance via Getty Images file)
Adam Silver, comissário da NBA (Foto: Soeren Stache / dpa / picture alliance via Getty Images file)

Novo problema na NBA?

O “tanking” havia se tornado o flagelo da NBA, com quase um terço das equipes demonstrando desinteresse em vencer jogos após o All-Star Game. Nesta proposta, a NBA não apenas desincentiva o “tanking” — ela o pune diretamente. Uma zona de rebaixamento forçará as equipes a lutarem por vitórias nos momentos decisivos para evitar a redução de suas chances na loteria do draft. Isso (teoricamente) aumentará significativamente a qualidade do jogo nas últimas semanas (ou meses) da temporada regular.

Mas veja bem: nem todo time ruim está tentando perder de propósito. Às vezes, times ruins são simplesmente ruins . Isso pode acontecer por causa de uma lesão, uma troca ou a saída de um jogador como agente livre no ano anterior. O objetivo do draft deveria ser levar bons jogadores para os times ruins. Essa reforma tem o potencial de ser catastrófica para os times ruins que não têm como evitar serem ruins.

Suponhamos que a regra estivesse em vigor nesta temporada. Utah não teria desistido antes do intervalo do All-Star. Indiana também não. Washington provavelmente não deixaria Trae Young e Anthony Davis desfrutarem de férias remuneradas na segunda metade da temporada.

Nesse cenário, Sacramento, que terminou com a quinta pior campanha, provavelmente cairia para a “zona de rebaixamento”. Nova Orleans, que não tinha nenhum incentivo para perder e mesmo assim foi péssima, também poderia entrar nessa faixa. Na proposta da NBA, duas das piores equipes, equipes que foram basicamente ruins , poderiam ficar com a 11ª e a 12ª escolhas. Imagine sofrer durante uma temporada dessas só para ter a chance de escolher um jogador reserva.

Em outras palavras, ao tentar combater o “tanking”, a NBA pode ter criado um problema ainda maior ao aumentar a diferença de competitividade entre vários times da NBA. Algumas equipes da liga não têm outra saída a não ser serem ruins. Podemos ter o aumento de mais times como Sacramento Kings, Washington Wizards e Chicago Bulls. Poucos terão a chance de reconstruir de forma rápida, como o San Antonio Spurs e Oklahoma City Thunder.

(Foto principal: NBA)