Neemias Queta seguirá vestindo a camisa do Boston Celtics por muitos anos. Depois de uma temporada em que finalmente conquistou espaço como titular, o pivô português foi recompensado com uma extensão contratual de quatro anos e US$ 56 milhões, consolidando sua posição como uma das peças importantes do futuro da franquia.
O novo acordo começa a valer a partir da temporada 2027/28, já que Queta ainda possui contrato para o próximo campeonato, quando receberá cerca de US$ 2,7 milhões. A partir daí, seu salário passará para uma média de US$ 14 milhões por temporada, mostrando o quanto a diretoria acredita em sua evolução.
A renovação chega poucos dias depois de outra movimentação importante no garrafão: a contratação de Mitchell Robinson. Com isso, o Celtics deixa claro que pretende fortalecer ainda mais um setor que passou por mudanças profundas nos últimos meses.
De dispensado na NBA a peça importante em Boston
A história de Neemias Queta na NBA está longe de ter sido simples.
Escolhido na 39ª posição do Draft de 2021 pelo Sacramento Kings, o português precisou enfrentar um início de carreira bastante complicado. Depois de duas temporadas sem conseguir se firmar, acabou dispensado pela franquia californiana, situação que poderia ter encerrado seu sonho de conquistar espaço na liga.
Foi justamente nesse momento que o Boston Celtics apareceu.
A equipe ofereceu um contrato two-way, permitindo que Queta dividisse seu tempo entre a NBA e o Maine Celtics, equipe afiliada da franquia na G League. Enquanto muita gente enxergava aquele movimento apenas como uma oportunidade temporária, o pivô aproveitou cada minuto para mostrar que poderia ir muito além.
Após participar da campanha que terminou com o título da NBA, Queta assinou um contrato de três anos no valor de US$ 7,2 milhões, iniciando uma nova fase de sua carreira.
Mudanças abriram espaço para Neemias Queta
Durante seus dois primeiros anos em Boston, Neemias Queta aparecia apenas como uma opção mais distante na rotação.
Kristaps Porzingis, Al Horford e Luke Kornet estavam à sua frente na disputa por minutos, tornando difícil uma sequência consistente em quadra.
Mas a NBA costuma mudar rapidamente.
A saída de Porzingis através de troca, somada às despedidas de Horford e Kornet na agência livre, abriu um enorme espaço no garrafão do Celtics.
Queta aproveitou a oportunidade da melhor maneira possível.
O português assumiu a vaga de titular e respondeu com a temporada mais produtiva de sua carreira.
A melhor temporada da carreira
Os números ajudam a explicar por que Boston decidiu investir pesado em sua permanência.
Na última temporada, Neemias Queta registrou médias de 10,2 pontos, 8,4 rebotes e 1,3 toco por partida, todos recordes pessoais desde sua chegada à NBA.
Além disso, converteu impressionantes 65,3% dos arremessos de quadra, mostrando eficiência principalmente próximo à cesta.
Outro dado importante foi a sequência de jogos.
Queta participou de 76 partidas e teve média superior a 25 minutos em quadra, também os maiores números de sua carreira profissional.
Mais do que estatísticas, o pivô passou a transmitir segurança defensiva e presença física dentro do garrafão, duas características que fizeram falta em diferentes momentos ao Celtics.
Os playoffs serviram como aprendizado
Se a temporada regular foi excelente, os playoffs apresentaram um desafio diferente.
Disputando pela primeira vez jogos de pós-temporada com minutos relevantes, Neemias Queta encontrou dificuldades naturais diante do aumento da intensidade das partidas.
O principal problema foi o excesso de faltas.
Em diversos confrontos, o pivô precisou deixar a quadra mais cedo justamente por atingir rapidamente o limite de infrações, reduzindo sua média para pouco mais de 21 minutos por jogo.
Mesmo assim, conseguiu terminar sua participação em alta.
No decisivo Jogo 7, Queta teve provavelmente sua melhor atuação em mata-matas, anotando 17 pontos com sete acertos em oito arremessos, além de capturar 12 rebotes em 33 minutos de atuação.
Foi uma resposta importante justamente quando a pressão era maior.
Mitchell Robinson aumenta a concorrência
Quem pensa que a renovação significa vaga garantida entre os titulares pode se enganar.
Poucos dias antes de acertar a extensão com Queta, o Boston Celtics fechou contrato de três temporadas com Mitchell Robinson, campeão recentemente pelo New York Knicks e considerado um dos melhores reboteiros ofensivos da NBA.
Na última temporada, Robinson registrou médias de 5,7 pontos e 8,8 rebotes em cerca de 20 minutos por partida.
Embora seus números ofensivos não chamem tanta atenção, sua capacidade de dominar os rebotes e proteger o aro faz dele um concorrente de peso pela posição.
Para o técnico do Celtics, no entanto, esse cenário representa um problema dos bons.
Ter dois pivôs com características complementares oferece muito mais flexibilidade para enfrentar diferentes adversários ao longo da temporada.
Enquanto Queta entrega mais mobilidade e eficiência ofensiva, Robinson pode oferecer impacto físico, proteção de aro e uma presença dominante nos rebotes ofensivos.
Celtics começa a desenhar seu futuro
A renovação de Neemias Queta também mostra que Boston já trabalha pensando nos próximos anos.
Depois das mudanças realizadas no elenco durante a offseason, a diretoria busca manter uma base sólida sem comprometer totalmente sua flexibilidade financeira.
Além do português, outros jogadores também podem entrar na pauta de renovações em breve.
Jordan Walsh, por exemplo, possui apenas mais um ano de contrato depois que a franquia exerceu sua opção recentemente.
Já Payton Pritchard poderá iniciar conversas para uma extensão contratual a partir de outubro, quando restarão dois anos em seu vínculo atual.
Esses movimentos mostram que o Celtics pretende evitar perder talentos importantes sem qualquer retorno, estratégia cada vez mais comum na NBA moderna.
Renovação representa uma vitória para os dois lados
O novo contrato pode ser visto como um verdadeiro acordo em que todos saem ganhando.
Para Neemias Queta, representa a recompensa por uma trajetória marcada por persistência. O português saiu da G League para se transformar em titular de uma das franquias mais tradicionais da NBA e agora garante estabilidade financeira para os próximos anos.
Já para o Boston Celtics, a renovação significa manter um pivô de apenas 26 anos que ainda pode evoluir bastante e que já demonstrou capacidade para assumir responsabilidades importantes.
Depois de tantas mudanças no elenco, encontrar jogadores que conhecem o sistema da equipe e continuam em evolução vale quase tanto quanto uma grande contratação.
Se Queta mantiver o crescimento apresentado na última temporada, o investimento de US$ 56 milhões poderá parecer um excelente negócio daqui a alguns anos. E, para um Celtics que busca continuar brigando pelo topo da Conferência Leste, garantir essa continuidade pode fazer toda a diferença.
Foto: NBAE via Getty Images