Alessandro Nesta e Ronaldo Fenomeno
Futebol Serie A

Nesta abre o jogo: “Marquei todo mundo… menos o Fenômeno”

Alessandro Nesta nunca foi de fugir de uma boa conversa sobre futebol — especialmente quando o assunto é zagueiro e atacante. Um dos defensores mais elegantes e respeitados da história do futebol italiano, o ex-jogador do Milan e da Lazio concedeu uma entrevista descontraída à Lottomatica Sport e não decepcionou. Com seu estilo tranquilo, mas cheio de personalidade, Nesta comentou quais foram os atacantes mais difíceis de marcar em sua carreira — e o resultado foi uma mistura de respeito, humor e sinceridade.

Logo de cara, o italiano mostrou que ainda tem memória afiada. Ao ser perguntado se conseguiria marcar os grandes nomes do futebol atual e do passado, ele foi direto, sem rodeios: “Lautaro é duro, mas eu marco. Torres? Pode ir, pode ir embora. Di Natale? Totò era muito forte. Mbappé? Se eu conseguir pegar ele, eu marco, mas é difícil!”, brincou, arrancando risadas dos fãs.

“Lautaro, Lukaku, Haaland, Messi… marco todos!”

Nesta não fugiu da pergunta: ele realmente acredita que conseguiria lidar com praticamente todos os grandes atacantes da atualidade. O ex-defensor, que foi campeão mundial com a Itália em 2006 e ídolo no Milan, mostrou confiança — mas também reconheceu o talento absurdo dos craques modernos.

“Lukaku? Eu marco. Ibra? Joguei contra ele muitas vezes, é fortíssimo, e a gente sempre se bateu muito. Higuaín? Joguei contra, ele até me fez gol. Forte demais. Inzaghi? Esse jogou sempre comigo, talvez tenha me feito um gol em cem jogos. Esse eu marco tranquilo”, disse, lembrando com carinho do ex-companheiro de Milan, hoje também treinador.

O respeito por Haaland e a curiosidade de encará-lo

Entre risadas, Nesta admitiu que sente curiosidade de enfrentar Erling Haaland, a máquina norueguesa do Manchester City que vem destruindo recordes em sequência. “Haaland? Tenho curiosidade, mas eu pego ele”, afirmou com aquele ar de quem já viu de tudo dentro de campo. E não é para menos: poucos zagueiros podem dizer que encararam tantos monstros do ataque como Nesta — de Cristiano Ronaldo a Henry, passando por Drogba e Shevchenko.

A entrevista tomou um tom ainda mais interessante quando ele falou sobre Lionel Messi. O argentino, segundo Nesta, foi um dos jogadores mais difíceis que ele já enfrentou, mas, ainda assim, o italiano saiu satisfeito de seus duelos. “Messi? Me saí bem, olha. Fortíssimo, mas consegui me virar”, contou com humildade.

O único “imarcável” para Nesta: Ronaldo, o Fenômeno

Mas nem tudo é possível, nem mesmo para um zagueiro lendário. E quando o assunto é Ronaldo, o Fenômeno, Nesta simplesmente se rendeu. Com um sorriso no rosto, ele reconheceu que o brasileiro foi o único atacante que o fez sentir impotente. “Ronaldo, o Fenômeno? Esse eu não consegui pegar. Tentei uma noite, e ele me deu um baile. Fez uma cabeça como uma bola, não dá pra pegar esse cara quando está inspirado”, confessou, arrancando gargalhadas dos jornalistas presentes.

Essa sinceridade só aumenta o respeito por Nesta. Afinal, estamos falando de um dos defensores mais técnicos e inteligentes da história do futebol — alguém que fez parecer simples o que, para quase todos, era impossível. Se até ele admite que o Fenômeno era imarcável, é porque realmente Ronaldo estava em outro nível.

Um zagueiro que marcou época

Alessandro Nesta é, até hoje, um dos símbolos de uma geração de defensores que definiram o futebol italiano nos anos 2000. Com estilo elegante, leitura de jogo impecável e uma frieza impressionante, ele conquistou tudo: Serie A, Champions League, Mundial de Clubes e, claro, a Copa do Mundo de 2006.

Suas passagens por Lazio e Milan deixaram marcas profundas — não apenas pelos títulos, mas também pela forma como ele encarava os duelos contra os melhores atacantes do planeta. Nesta não era de correr, de apelar ou de se esconder. Sempre no tempo certo, sempre com classe.

Entre o respeito e o humor, um legado de gigante

A leveza com que Nesta fala sobre os craques que enfrentou mostra o quanto o futebol pode ser divertido até nas memórias mais competitivas. O ex-zagueiro sabe que esteve diante dos melhores — e isso, no fundo, é motivo de orgulho. Marcar Messi, Ibra, Lukaku, Lautaro e tantos outros é coisa para poucos.

E quanto a Ronaldo? Bem, ele mesmo admite: “Esse não se pega”. E talvez esteja aí a grande lição da entrevista. Às vezes, até os melhores defensores do mundo têm que reconhecer que existem jogadores simplesmente de outro planeta. E o Fenômeno, sem dúvida, era um deles.