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Newcastle reencontra seu brilho na Champions: atacantes assumem o protagonismo europeu

Nem mesmo José Mourinho resistiu a elogiar Anthony Gordon após o apito final. O técnico do Benfica, conhecido por sua rigidez, abraçou o atacante do Newcastle após vê-lo comandar uma vitória convincente por 3 a 0 em St. James’ Park.

Gordon, que vive uma fase especial, brilhou mais uma vez em uma noite europeia. A Liga dos Campeões parece ser o palco perfeito para o inglês, que tem se destacado enquanto o time luta para reencontrar o mesmo ritmo ofensivo no Campeonato Inglês. No torneio nacional, apenas os três últimos colocados marcaram menos gols que o Newcastle, com sete tentos até agora.

Mas na Champions, o cenário é completamente diferente. Em apenas três partidas, o Newcaslte de Eddie Howe já balançou as redes oito vezes. Diante do Benfica, o Newcastle dominaram: foram 19 finalizações, 10 delas no alvo, e 38 toques dentro da área adversária. Um desempenho de gala que confirmou a força da equipe quando o jogo é grande.

O renascimento de Gordon em noite de recordes

Mesmo após o triunfo expressivo, Eddie Howe manteve os pés no chão. O treinador preferiu destacar o esforço coletivo e o potencial de evolução. “Estamos vendo os primeiros sinais de um novo time, e é empolgante imaginar o que podemos nos tornar”, afirmou o técnico.

Ainda assim, o desempenho dos atacantes deu motivos de sobra para comemorar. O Newcastle tem contado com o bom momento do alemão Nick Woltemade, contratado por valor recorde e responsável por gols importantes contra Wolves, Arsenal, Union Saint-Gilloise e Brighton. Sua movimentação inteligente voltou a chamar atenção diante dos portugueses.

Mas quando o jogo estava equilibrado e a tensão tomava conta das arquibancadas, foi Anthony Gordon quem assumiu a responsabilidade. O camisa 10 apareceu livre na segunda trave para completar o cruzamento preciso de Jacob Murphy e abrir o placar aos 32 minutos.

Murphy volta a brilhar e Gordon faz história no Newcastle

A volta de Jacob Murphy ao time titular — no lugar do reforço Anthony Elanga — mostrou-se uma decisão acertada. O ponta reencontrou sua melhor forma, lembrando o entrosamento que tinha com Alexander Isak na temporada passada. Suas assistências voltaram a ser letais, e Gordon foi o grande beneficiado dessa parceria.

Com o gol, o jovem inglês entrou para a história do clube ao se tornar o primeiro jogador do Newcastle a marcar em três jogos consecutivos de Champions League. Além disso, apenas Alan Shearer tem mais gols pelo time na competição. “Significa tudo pra mim, mas quero mais. Minha ambição não para por aqui”, disse Gordon à TNT Sports após a partida.

Do outro lado, o Benfica chegou a assustar. O belga Dodi Lukebakio acertou a trave e obrigou Nick Pope a fazer uma grande defesa ainda no 0 a 0. Mourinho admitiu que, naquele momento, acreditava que sua equipe estava mais próxima de abrir o placar. “St. James’ estava em silêncio. Os torcedores sentiram que o jogo era difícil. Estávamos confortáveis no primeiro tempo”, afirmou o técnico português.

Harvey Barnes entra e decide com o auxílio de Pope

O Newcastle, no entanto, não se acomodou após o primeiro gol. No segundo tempo, Eddie Howe colocou Harvey Barnes e Joelinton em campo para dar novo gás ao ataque. A mudança foi decisiva. Barnes, que já havia se destacado contra o Union Saint-Gilloise, voltou a mostrar faro de gol — e contou com uma assistência improvável.

O segundo gol nasceu de uma jogada espetacular iniciada por Nick Pope. O goleiro lançou a bola com um arremesso de 65 jardas direto para o campo adversário, num lance que Howe descreveu como “uma obra de arte”. O defensor do Benfica, António Silva, falhou na leitura da bola, e Barnes não perdoou: dominou e finalizou com categoria, ampliando o placar.

O goleiro foi tão celebrado quanto o autor do gol. Bruno Guimarães, Dan Burn, Malick Thiaw e Sven Botman correram para abraçar Pope, reconhecendo a importância do lance. Mas ainda havia mais por vir. Nos minutos finais, Gordon voltou a aparecer — desta vez como garçom — e serviu Barnes, que fechou a conta em 3 a 0.

O contraste entre Europa e Inglaterra

Barnes e Gordon vivem momentos distintos nas duas competições. Juntos, já somam sete gols em apenas três partidas na Champions, mas ainda não balançaram as redes na Premier League. Um contraste que até confunde o técnico. “É algo que me deixa pensativo”, disse Howe. “Sabemos do talento deles, sabemos que são goleadores. É difícil entender.”

O treinador acredita que o desempenho europeu pode servir como um ponto de virada. “Se mantivermos essa atitude, os gols na Premier League vão sair naturalmente. A qualidade está lá”, completou.

O Newcastle reencontrou sua confiança na Champions e mostrou que, mesmo longe da eficiência doméstica, seus atacantes têm fôlego e talento para brilhar entre os grandes da Europa. E se Anthony Gordon e Harvey Barnes continuarem nesse ritmo, o Newcastle podem sonhar com algo ainda maior nesta temporada.