Eddie Howe Newcastle
Futebol Premier League UEFA Champions League

Newcastle dá show e mostra que está de volta ao seu melhor estilo

O estádio Lotto Park, em Bruxelas, já começava a esvaziar quando a torcida do Newcastle seguia firme na arquibancada visitante, cantando como se não quisesse ir embora. Motivo não faltava: o time inglês aplicou um sonoro 4 a 0 no Union Saint-Gilloise, conquistando sua maior vitória na história da Champions League. Para quem viveu dias de luta contra o rebaixamento na Premier League há poucos anos, parecia até um sonho.

Os gols foram marcados por Anthony Gordon, duas vezes de pênalti, Nick Woltemade e Harvey Barnes, que entrou no segundo tempo para fechar a goleada. Uma noite perfeita para os Magpies, que voltaram a provar que pertencem à elite europeia. A última vitória do clube fora de casa na competição tinha sido em 2003 – e o retorno triunfal emocionou os torcedores que viajaram até a Bélgica.

Howe acredita no potencial do Newcastle

O técnico Eddie Howe não escondeu o orgulho da atuação e reforçou que o Newcastle tem, sim, condições de competir com qualquer rival da Champions. “Não há motivo para acharmos que não podemos vencer dentro e fora de casa. Temos jogadores e elenco para isso. Talvez precise acontecer para você mesmo acreditar, mas eu já estou convencido”, disse após o jogo.

A fala resume bem a confiança que começa a tomar conta do time. Depois de se classificar para a Champions em duas das últimas três temporadas, o Newcastle vai deixando de ser apenas um participante e passa a se apresentar como um adversário de respeito. O 4 a 0 em Bruxelas é mais uma prova disso.

Preparação fez a diferença

Esse resultado não caiu do céu. A preparação foi fundamental para que o Newcastle dominasse o jogo. Howe mexeu pouco no time, mesmo com a maratona de competições. Apenas duas mudanças foram feitas – uma delas obrigatória, já que Livramento se lesionou. A ideia era clara: dar sequência e entrosamento para que o time recuperasse a criatividade que vinha em falta nas últimas semanas.

Anthony Gordon, destaque da partida, admitiu antes do confronto que o time precisava reencontrar seu “futebol de verdade”. Segundo ele, o Newcastle vinha sendo sólido na defesa, mas carecia de imaginação e intensidade no ataque. Contra o Union, essa faísca voltou a aparecer.

Respeito ao adversário e foco total

Vale destacar também a postura do Newcastle antes da bola rolar. O Union Saint-Gilloise pode não ser um gigante europeu, mas vem crescendo muito nos últimos anos, tem um histórico recente respeitável em competições continentais e até chegou com um coeficiente de ranking superior ao do Newcastle. Ou seja, não havia espaço para salto alto.

Howe fez questão de treinar no estádio um dia antes, para que os jogadores se ambientassem. A atitude foi notada até pelo técnico do Union, Sebastien Pocognoli, que elogiou a seriedade dos ingleses. “Eles nos respeitaram. Jogaram em alto nível, todos os jogadores atuaram em alto nível. Isso mostra o quanto nos levaram a sério”, comentou.

Dinamismo e velocidade definiram a goleada

Dentro de campo, o Union até finalizou tanto quanto o Newcastle, mas a diferença foi a eficácia. O time de Howe foi letal quando teve as chances. Explorando muito bem as laterais, principalmente com Gordon e Elanga, os ingleses criaram espaços e castigaram os belgas.

O primeiro gol saiu após cruzamento de Elanga, que resultou em chute de Tonali desviado por Woltemade. Pouco depois, o mesmo Elanga sofreu o pênalti que Gordon converteu. O camisa 10 ainda fez outro de penalidade na etapa final e participou da jogada que terminou no gol de Harvey Barnes, fechando a conta em um contra-ataque fulminante.

“Queremos jogar para frente”

Depois da partida, Howe reforçou a ideia de manter um estilo ofensivo e vibrante. Para ele, esse é o DNA que precisa ser preservado: “Somos um time progressivo, não quero que a gente fique preso em posse de bola negativa. Temos jogadores dinâmicos e precisamos colocar a bola nos pés deles o mais rápido possível. Quero atacar, quero marcar gols e quero que as pessoas sintam que estamos tentando jogar de forma positiva.”

Essa filosofia foi vista em campo contra o Union. O Newcastle foi direto, veloz e eficiente, exatamente como nos melhores momentos da era Howe. E se esse desempenho se mantiver, os Magpies não só vão incomodar os gigantes do continente, como podem até sonhar mais alto na Champions League.