Neymar sempre atrai todos os holofotes por onde passa, e nesta última quinta-feira (22), não foi diferente. Na eliminação do Santos para o CRB, pela Copa do Brasil, o camisa 10 acompanhou, de dentro de campo, a queda santista nos pênaltis, em Alagoas. Depois de um empate sem gols com o time da Série B, o Peixe ampliou sua má fase e ainda teve que lidar com uma declaração nada animadora da sua principal estrela.
Além de ter ficado boa parte da temporada no departamento médico, Neymar passou a ser questionado sobre seu futuro, já que seu contrato está perto do fim. A ideia inicial era clara: brilhar de novo em solo brasileiro, chamar atenção da Europa e, quem sabe, garantir uma volta ao Velho Continente no meio do ano. Mas, sejamos sinceros, a realidade está bem longe desse roteiro, principalmente porque o craque ainda não teve uma sequência consistente com a camisa do Peixe.
Quando enfim conseguiu se juntar ao elenco, Neymar não escondeu a empolgação. Declarou que os problemas ficaram para trás e que estava pronto para fazer a diferença. Contra o CRB, no entanto, só pôde atuar por cerca de 20 minutos, com uma minutagem controlada para evitar uma nova lesão. É inegável: com ele em campo, o nível do Santos sobe. Mas, infelizmente, não foi o suficiente para garantir a classificação.
Ao mesmo tempo em que destacava sua importância no elenco, Neymar deixou no ar um recado: não dá pra jogar tudo nas costas dele. E mais, quando perguntado sobre o futuro, não confirmou a renovação de contrato para seguir na Série A até o fim do ano. A dúvida abre um baita dilema na diretoria, afinal, Neymar é mais do que um jogador, é o rosto, o pilar e até a alma do projeto santista.
Mas… Neymar deve deixar o Santos?

É difícil prever qual é o mercado de Neymar hoje. Lesões frequentes atrapalham, claro, mas quando ele está inteiro, é o tipo de jogador que muda o jogo. O Santos, aliás, teve um salto de desempenho notável quando o camisa 10 voltou a campo. Só que uma temporada de verdade exige mais do que talento: é preciso sequência, estrutura e um projeto bem amarrado.
Antes de se afastar por lesão, Neymar teve grandes momentos sob o comando de Pedro Caixinha. O esquema tático do português parecia feito sob medida para ele: valorizava a técnica, a visão de jogo e deixava espaço para brilhar no um contra um. O problema? Quando voltou, Caixinha já havia sido demitido, e Cléber Xavier, ex-auxiliar de Tite, assumiu o posto.
O estilo é bem diferente: mais defensivo, mais pragmático. O Santos fez apenas um gol nas últimas cinco partidas. Por outro lado, a defesa melhorou, apenas três gols sofridos e três empates na conta. O problema foi que as duas derrotas custaram caro, e o rendimento ofensivo caiu demais.
Agora, Neymar precisa pensar com calma sobre o futuro. Vale lembrar o motivo pelo qual ele voltou ao Santos: recuperar a conexão com o torcedor brasileiro, reacender a relação com a Seleção e mostrar que ainda tem lenha pra queimar no mais alto nível. Sair agora não pareceria o desfecho mais lógico, especialmente num momento tão delicado.
Fora isso, também há obstáculos práticos. Segundo informações do UOL, Neymar tem um contrato avaliado em cerca de R$ 105 milhões, algo em torno de R$ 21 milhões por mês, durante cinco meses. Não é qualquer clube brasileiro que consegue bancar isso, nem mesmo os que estão com o caixa mais folgado.
E o exterior? Os Estados Unidos e a Arábia Saudita voltam ao radar, claro. Mas se o objetivo principal ainda for vestir a camisa da Seleção Brasileira com frequência, seria ideal se manter em uma liga com maior nível de competitividade. Jogar em mercados menos exigentes pode até render financeiramente, mas reduz a visibilidade e o peso técnico, e isso, no contexto de Copa América e Copa do Mundo, faz diferença.
Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF