Estamos na Semana 8 da NFL e o Indianapolis Colts já desistiu da temporada, ao assinar o “modo reconstrução”. A franquia se deu conta de que o atual elenco não irá a lugar nenhum, mesmo após o bom início da temporada passada, com oito vitórias e duas derrotas. Lesões, atuações ruins e decepções resumem muito bem 2026 dos Colts.
Nos últimos dias, o Indianapolis Colts aceitou sua realidade e passou a negociar importantes jogadores de seu elenco. Quenton Nelson, oito vezes Pro Bowl, foi para o Seattle Seahawks, enquanto DeForest Buckner, três vezes Pro Bowl, retornou ao San Francisco 49ers, onde começou sua carreira na NFL. Esses dois jogadores que foram fundamentais para os Colts nos últimos anos resultaram em três escolhas de draft, nenhuma anterior à terceira rodada. Novas trocas podem/devem acontecer nos próximos dias, antes do prazo final de trocas da NFL (10 de novembro).
Mas existe um grande problema na reconstrução do Indianapolis Colts. A equipe tem duas vitórias e cinco derrotas. Daqui em diante a equipe deve perder diversos jogos, especialmente se negociar Jonathan Taylor e outros jogadores importantes que ainda permanecem no elenco. O problema é simples: quanto mais derrotas, mais o New York Jets agradece.
Atualmente, o New York Jets detém os direitos da escolha de primeira rodada dos Colts. Ou seja, o desfecho da atual temporada não servirá para nada para o Indianapolis Colts, já que sua escolha de primeira rodada pertence a outro time. Em outras palavras, embora estejam agora reformulando o elenco, o Indianapolis Colts não terá a sua escolha de primeira rodada em 2027, considerada uma classe repleta de talento em várias posições.

A situação do Indianapolis Colts é complicada, após apostar todas as fichas em Sauce Gardner, que não fez muito desde que chegou à franquia. E agora em modo reconstrução, tudo vai ficar mais difícil.
E quando olhamos para a história da NFL, cinco equipes decidiram abrir mão da temporada ainda em sua metade, para focar em reformular tudo na offseason. O problema é que todas essas equipes usaram uma escolha entre as sete primeiras do draft para selecionar um quarterback. O Indianapolis Colts não terá essa oportunidade. Confira três casos de franquias que abriram mão da temporada para mudar completamente, o mesmo que o Indianapolis Colts tenta fazer:
O que a história nos diz sobre o futuro do Indianapolis Colts?

Miami Dolphins (2019)
Em 2019, os Dolphins não se limitaram a negociar veteranos em fim de carreira. Eles trocaram o left tackle Laremy Tunsil, de 25 anos, o safety Minkah Fitzpatrick, de 22 anos, o wide receiver Kenny Stills e o running back Kenyan Drake — basicamente, colocando todo o elenco à venda.
E os retornos foram substanciais. Miami recebeu várias escolhas de primeira rodada, incluindo três das negociações de Tunsil e Fitzpatrick. Os Dolphins terminaram a temporada de 2019 com um recorde de 5-11 e, em seguida, usaram a quinta escolha geral do draft de 2020 para selecionar Tua Tagovailoa.
Miami melhorou seu recorde para 10-6 na temporada de estreia de Tua, e eventualmente substituiu o técnico Brian Flores por Mike McDaniel em 2022. Os Dolphins chegaram aos playoffs em 2022 e 2023, mas perderam ambos os jogos de wild card, resultando em um elenco mais talentoso, porém com pouco sucesso na pós-temporada para mostrar após a reformulação inicial.
Chicago Bears (2022)
Os Bears começaram a negociar jogadores em outubro de 2022, trocando Robert Quinn para o Philadelphia Eagles e Roquan Smith para o Baltimore Ravens. O time terminou a temporada com um recorde de 3 vitórias e 14 derrotas, o que deu ao gerente geral Ryan Poles a primeira escolha geral do draft de 2023 e uma decisão que remodelaria a franquia.
Em vez de escolher um quarterback, Poles trocou essa escolha com o Carolina Panthers por DJ Moore e um pacote de escolhas, incluindo a escolha de primeira rodada do Panthers em 2024. O Chicago Bears manteve Justin Fields por mais uma temporada, depois o trocou e selecionou Caleb Williams como a primeira escolha geral em 2024, usando a escolha adquirida do Carolina Panthers.
Os resultados não foram imediatos. Os Bears venceram sete jogos em 2023 e conseguiram apenas cinco vitórias em 2024, temporada que também viu a demissão de Matt Eberflus. Chicago então contratou Ben Johnson, que levou os Bears a uma campanha de 11-6 e uma vitória nos playoffs em 2025. E quando Caleb Williams esteve saudável em 2026, os Bears se mostraram um dos ataques mais explosivos da NFL.
Buffalo Bills (2017)
A situação do Buffalo era diferente desde o início. Os Bills negociaram Sammy Watkins, Ronald Darby e Reggie Ragland antes da temporada de 2017 e, em outubro, trocaram Marcell Dareus. De alguma forma, ainda terminaram com um recorde de 9-7 e chegaram aos playoffs com Tyrod Taylor como quarterback.
A maior diferença? Buffalo já tinha sua estrutura de liderança estabelecida. Sean McDermott chegou como treinador principal em janeiro de 2017, Brandon Beane o seguiu como gerente geral em maio, e ambos permaneceram em seus cargos enquanto a organização reformulava seu elenco.
Buffalo negociou Taylor na offseason seguinte e contratou AJ McCarron, mas Beane tinha planos maiores. No draft de 2018, ele enviou duas escolhas de segunda rodada para Tampa Bay para subir da 12ª para a 7ª posição, apostando o futuro da franquia em Josh Allen, um quarterback extremamente talentoso, porém inexperiente, vindo de Wyoming e com legítimas preocupações quanto à precisão. A aposta deu certo de forma espetacular. Em 2020, os Bills estavam com um recorde de 13-3 e disputando a final da AFC. Allen, enquanto isso, se tornou um MVP da NFL e um dos jogadores mais perigosos da liga.
Voltando ao Indianapolis Colts de 2026, fica evidente que a falta de uma escolha na primeira rodada deverá atrasar o processo de reconstrução. Apesar disso, a franquia ainda tem oito escolhas de draft em 2027, além de jogadores como Jonathan Taylor, Josh Downs e Sauce Gardner que podem se transformar em mais escolhas de draft muito em breve.
(Foto principal: AP/Ellen Schmidt)



