Adrian Peterson, um dos running backs mais icônicos da história da NFL, está enfrentando mais uma fase complicada em sua vida financeira. Um juiz de Houston ordenou recentemente que Peterson entregasse vários bens de sua casa em Missouri City, no Texas, para ajudar a pagar uma dívida de aproximadamente US$ 12,5 milhões.
O processo judicial decorre de um empréstimo de US$ 5,2 milhões que Peterson contraiu em 2016 com uma empresa de crédito da Pensilvânia, destinado a quitar outras dívidas. No entanto, com juros de nove por cento ao ano e honorários advocatícios, a dívida aumentou rapidamente, chegando a US$ 8,3 milhões em 2021. Com os custos adicionais, a dívida agora atinge cerca de US$ 12,5 milhões, de acordo com Robert Berleth, que originou a cobrança contra Peterson.
O advogado de Berleth pediu ao tribunal autorização para apreender itens valiosos de Peterson, como memorabilia esportiva, troféus e camisas da NFL, a fim de recuperar parte do montante devido. Embora Peterson tenha se oposto à venda de seus itens pessoais e ameaçado tomar medidas legais, a ordem judicial permite que esses bens sejam leiloados para satisfazer a dívida. Esse desdobramento destaca a gravidade da crise financeira que o ex-jogador enfrenta.
Carreira lendária manchada por má gestão financeira e problemas com a justiça
O colapso financeiro de Peterson é um contraste marcante com sua brilhante carreira no futebol americano. Escolhido pelo Minnesota Vikings como a 7ª escolha geral no Draft da NFL de 2007, Peterson rapidamente se estabeleceu como um dos principais running backs da liga. Conhecido por sua combinação rara de velocidade, força e visão de jogo, Peterson acumulou mais de 14.000 jardas corridas ao longo de sua carreira, tornando-se o quinto maior corredor da história da NFL. Ele também marcou 120 touchdowns, garantindo seu lugar no Hall da Fama.
Seu desempenho mais memorável aconteceu em 2012, quando Peterson correu para 2.097 jardas, ganhando o prêmio de MVP da NFL e ficando a apenas oito jardas de quebrar o recorde de Eric Dickerson de jardas corridas em uma única temporada. Ao longo de sua carreira, Peterson foi selecionado para o Pro Bowl sete vezes e foi escolhido quatro vezes como First Team All-Pro.
Em 2011, Peterson assinou um contrato de seis anos e US$ 86 milhões com os Vikings, o maior contrato para um running back na época. Combinado com patrocínios de grandes marcas como Nike, Verizon e Adidas, seus ganhos dispararam. Durante sua carreira, ele acumulou mais de US$ 100 milhões apenas em salários, algo incomum para jogadores de sua posição. No entanto, apesar de todos esses ganhos, os problemas financeiros logo começaram a surgir fora dos campos.

Extravagante festa de 30 anos
Um dos primeiros sinais públicos de que Peterson não estava gerenciando bem suas finanças veio em 2015, quando ele realizou uma extravagante festa para celebrar seu aniversário de 30 anos em Houston. O evento teria custado cerca de US$ 2 milhões e contou com detalhes luxuosos, incluindo a entrada de Peterson montado em um camelo. A festa também contou com esculturas de gelo de personagens de super-herois, catering de luxo e uma lista de mais de 300 convidados que incluía colegas de time, celebridades e amigos, que supostamente tiveram passagens de primeira classe e hospedagem pagas por Peterson.
Shannon Sharpe, ex-jogador da NFL e atual apresentador de podcast, comentou que Peterson teria gasto “milhões” na festa, o que muitos enxergavam como um exemplo de seu estilo de vida financeiramente imprudente. O evento, somado a outros hábitos de consumo exagerados, como a compra de carros de luxo, imóveis e joias, além de apoio financeiro a um grande círculo de amigos e familiares, contribuiu para a pressão sobre suas finanças.
Início dos problemas financeiros
Os gastos extravagantes foram apenas parte dos problemas de Peterson. Decisões de investimento ruins e a falta de controle financeiro o deixaram vulnerável. Segundo seu advogado, Chase Carlson, o dinheiro de Peterson foi mal administrado por pessoas em quem ele confiava, levando-o a fazer investimentos equivocados que resultaram em grandes perdas. Essas falhas, combinadas com seus hábitos de consumo caros, criaram uma tempestade perfeita, que resultou em processos de credores e bancos.
Em 2019, os problemas financeiros de Peterson vieram à tona quando ele enfrentou várias ações judiciais por dívidas não pagas. Um desses processos resultou em um julgamento de US$ 2,4 milhões contra ele, enquanto outro credor ganhou um processo no valor de US$ 6,6 milhões. Essas dívidas forçaram Peterson a contrair mais empréstimos para cobrir suas obrigações, aprofundando ainda mais sua crise financeira.
A dívida de US$ 12,5 milhões que Peterson enfrenta agora é parte desse padrão contínuo. O empréstimo que ele contraiu em 2016 pretendia resolver outros compromissos financeiros, mas sua renda em declínio após deixar os Vikings tornou difícil gerenciar suas obrigações. Após o Minnesota Vikings não exercer a opção de US$ 18 milhões no contrato de Peterson em 2017, seus ganhos anuais nunca mais atingiram os níveis de seus anos de auge. Ele assinou contratos de curto prazo com times como Washington Redskins (atualmente Commanders), Detroit Lions e Arizona Cardinals, mas seus salários foram drasticamente reduzidos, não ultrapassando US$ 3,5 milhões por ano, até que Peterson se aposentasse oficialmente da NFL em 2021.
Batalhas legais sobre seus pertences
A pressão financeira sobre Adrian Peterson resultou em disputas judiciais envolvendo seus bens pessoais, que quase foram a leilão no início de 2024. A equipe jurídica de Robert Berleth buscou a venda de memorabilia esportiva do ex-jogador, incluindo troféus e camisas da NFL, na tentativa de saldar parte dos US$ 12,5 milhões de dívida. A realização do leilão, no entanto, foi suspensa após Peterson recorrer às decisões judiciais.
Peterson resistiu veementemente à venda desses itens, afirmando que os objetos possuem grande valor sentimental e não deveriam ser incluídos no processo de execução de dívida. Em fevereiro de 2024, ele se manifestou sobre o assunto em suas redes sociais, dizendo: “Quero enfatizar que estou financeiramente estável e nunca venderia meus troféus conquistados com tanto esforço.” A declaração foi posteriormente apagada, o que alimentou ainda mais as especulações sobre sua situação financeira.
A história de Adrian Peterson, ex-NFL, é um exemplo clássico de como até mesmo atletas que ganham grandes quantias de dinheiro podem enfrentar ruína financeira sem planejamento adequado e supervisão. Embora ligas como a NFL tenham feito esforços para oferecer educação financeira aos jogadores, o caso de Peterson destaca como pode ser difícil lidar com a riqueza súbita.
(Foto: ABC13)
