Norma Dumont parece estar mais perto de garantir uma disputa pelo cinturão peso-galo feminino, após conquistar uma vitória controversa sobre Ketlen Vieira durante o card preliminar do UFC Vegas 110.
Após um primeiro round com trocação equilibrada, Ketlen Vieira conseguiu uma queda a cerca de 90 segundos do fim. Ela conseguiu imobilizar Norma Dumont e ameaçou um triângulo de braço algumas vezes, mas Dumont conseguiu se defender.
Norma Dumont pareceu levar a melhor sobre Ketlen Vieira na trocação em pé novamente no segundo round, desta vez com golpes mais eficazes. No entanto, Dumont voltou a ter dificuldades nos dois minutos finais do assalto após ser derrubada.
Na sequência, Ketlen Vieira pressionou Norma Dumont contra a grade no início do terceiro round, mantendo-a lá por metade do assalto, até que Dumont conseguiu se desvencilhar. Norma não conseguiu uma boa combinação de golpes nos minutos finais da luta; no entanto, foi o suficiente para vencer a luta por decisão dividida.
Essa vitória foi a sexta consecutiva de Norma Dumont. E foi também sua primeira luta em mais de um ano, tendo competido pela última vez em uma vitória sobre Irene Aldana no UFC 306. Já Ketlen Vieira não emplaca uma sequência de vitórias desde 2021-22.
Norma Dumont mereceu mesmo vencer?

O confronto entre as duas brasileiras, que ocupam posições de destaque no ranking peso-galo, tinha peso direto na corrida pelo cinturão, o que tornou o resultado ainda mais controverso. No entanto, analisando de forma criteriosa o desempenho de ambas e considerando os principais critérios de pontuação do MMA moderno, dano efetivo, agressividade e controle do cage, é possível concluir que Dumont mereceu, sim, sair vitoriosa, ainda que por margem apertada.
No primeiro round, Norma Dumont mostrou mais iniciativa e volume de golpes. Ela usou bem sua movimentação, controlou a distância com jabs e chutes baixos e impediu que Vieira impusesse seu jogo de quedas e clinch.
Embora Ketlen tenha buscado encurtar a distância, a precisão e o ritmo de Dumont foram superiores, o que provavelmente lhe garantiu a vantagem inicial. No segundo round, Vieira conseguiu uma queda importante e passou a trabalhar no solo, tentando estabelecer controle e buscar posições de domínio.
Apesar disso, o tempo em que permaneceu por cima não resultou em dano expressivo, e Dumont conseguiu se defender bem, limitando o impacto da estratégia da adversária. Foi um assalto equilibrado, que poderia ter sido pontuado para qualquer lado, dependendo da ênfase dada pelos juízes, dano (Dumont) ou controle (Vieira).
O terceiro round manteve o padrão competitivo da luta. Ketlen Vieira voltou a tentar pressionar no clinch, buscando o controle junto à grade e algumas quedas, mas Dumont reagiu com combinações curtas e golpes de média distância, encerrando o assalto de forma mais ativa. Essa postura ofensiva, ainda que não tenha causado grande dano, parece ter pesado a favor de Dumont nos olhos de dois dos três juízes.
Os argumentos a favor de Dumont são claros: ela foi quem mais procurou a luta em pé, manteve a iniciativa e, mesmo sob pressão, conseguiu evitar o jogo de grappling característico de Vieira. Seu volume de golpes e controle de distância deram a impressão de que ela ditava o ritmo da disputa.
Por outro lado, Ketlen Vieira apresentou bom controle posicional e quedas pontuais, mas pecou por não converter isso em dano efetivo, o critério mais importante no sistema de pontuação atual unificado.
Portanto, embora a vitória tenha sido apertada e não incontestável, Norma Dumont fez o suficiente para justificar o resultado. Sua performance foi mais propositiva e ofensiva, e isso, em uma luta equilibrada, costuma ser decisivo.
Ketlen Vieira teve momentos relevantes, mas faltou contundência e agressividade para deixar uma impressão mais clara de domínio. Sendo assim, a decisão dividida foi justa: Norma Dumont mereceu vencer, mas a luta foi equilibrada o bastante para que um resultado diferente também fosse compreensível.
(Imagem de capa: Reprodução UFC)