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Automobilismo Fórmula 1

Norris está performando melhor em 2026 do que em 2025, e vitória na Hungria mostra isso; confira

Lando Norris quebrou um jejum de 13 corridas sem vitórias vencendo o GP da Hungria e o mesmo acredita que seu desempenho ao volante melhorou significativamente na temporada 2026 da F1, mesmo que suas chances de defender o título mundial estejam cada vez mais reduzidas. O piloto da McLaren conquistou seu primeiro campeonato no ano passado, superando o companheiro de equipe Oscar Piastri e o então campeão Max Verstappen, que tentou uma reação tardia em busca do quinto título mundial.

Apesar da conquista de Norris, o fato de Verstappen ainda ter chegado à última etapa com chances de título, mesmo depois de um início de temporada extremamente difícil para a Red Bull, mostrou que nenhum dos dois pilotos da McLaren conseguiu extrair todo o potencial do dominante MCL39.

Naquele momento, porém, o mais importante era conquistar o resultado. E Norris conseguiu fazer exatamente isso. A mudança nas regulamentações para 2026, no entanto, alterou completamente a ordem de forças da categoria. Mercedes e Ferrari passaram a ocupar a dianteira, enquanto a McLaren aparece atualmente na terceira posição em termos de desempenho.

Por isso, o fato de Norris ocupar a quinta posição no campeonato após sua vitória no Grande Prêmio da Hungria, no domingo, seu primeiro triunfo na temporada, demonstra o quanto o britânico tem conseguido extrair do MCL40.

Como uma largada difícil terminou em uma vitória dominante

A corrida na Hungria foi uma das melhores apresentações de Norris. O piloto venceu com 15 segundos de vantagem, partindo da pole position e superando uma primeira volta complicada, na qual perdeu posições para Piastri. Mesmo depois de cair para trás, Norris demonstrou controle e autoridade durante a corrida. O britânico permaneceu constantemente próximo de seu companheiro de equipe e chegou a pedir à McLaren que priorizasse sua estratégia, devido à clara vantagem de ritmo que apresentava.

A ultrapassagem, porém, só aconteceu durante a janela de pit stops entre as voltas 34 e 39. Depois de recuperar a liderança, o atual campeão rapidamente abriu uma vantagem superior a dez segundos. O ritmo foi tão forte que a própria equipe precisou pedir que ele diminuísse o ritmo para preservar os pneus. Piastri, por sua vez, acabou abandonando a corrida devido a um problema na caixa de câmbio.

“Hoje eu provavelmente diria que foi uma das minhas melhores performances em termos de extrair desempenho do carro e estar tão próximo do limite em todas as voltas”, afirmou Norris, que está 91 pontos atrás do líder do campeonato, Kimi Antonelli.

O piloto explicou que chegou a estar tão próximo do limite que a equipe precisou pedir que ele reduzisse o ritmo. “É tão próximo do limite que a equipe precisa me pedir para diminuir um pouco. Embora seja algo que até dói dizer, porque isso não significa simplesmente que você vai vencer, sinto que estou fazendo um trabalho melhor este ano do que fiz no ano passado”, declarou. Norris acrescentou que já vinha percebendo essa evolução há algum tempo, embora ela nem sempre se traduzisse em vitórias.

Norris acredita estar dirigindo melhor mesmo sem vencer todas as corridas

Segundo o piloto da McLaren, uma performance como a apresentada na Hungria mostrou exatamente o resultado de seu desenvolvimento. “Tenho feito isso há algum tempo e venho dizendo isso há algum tempo. Isso simplesmente não significa que você vai vencer as corridas. Então, hoje, quando tínhamos um carro competitivo e eu disse que acreditava que minha performance estava entre as melhores, o resultado provou exatamente isso”, afirmou.

Norris destacou que conseguiu conquistar uma vitória convincente e a pole position em um carro competitivo, algo que, para ele, confirmou sua própria avaliação sobre o progresso realizado. “Eu poderia sair e vencer de forma muito convincente e estar na pole em um carro bom. Então, sim, estou fazendo um trabalho melhor, e isso acontece por trabalhar em muitas áreas diferentes”, disse.

O britânico explicou que parte desse desenvolvimento aconteceu fora das pistas, em seu trabalho com a equipe, enquanto outra parte veio diretamente de sua preparação e atuação durante os finais de semana de corrida. “Algumas coisas são fora da pista, com minha equipe, e outras aqui na pista também. Então, é uma questão de trabalhar em tantas áreas quanto possível. Muitas pequenas diferenças acabam se somando, e você vê o resultado hoje”, completou.

A declaração não foi uma surpresa completa. Antes do fim de semana do Grande Prêmio da Hungria, Norris já havia afirmado que acreditava estar pilotando melhor do que no ano anterior. A afirmação chegou a levantar dúvidas, mas o piloto acabou sustentando suas palavras com uma atuação dominante, demonstrando a confiança de um verdadeiro campeão mundial. “Quando tenho um carro bom como o de hoje, sinto que ninguém vai me vencer”, acrescentou Norris.

Como Andrea Stella identificou a mudança emocional que fortaleceu o campeão

O chefe da McLaren, Andrea Stella, também percebeu a evolução de Norris, especialmente ao observar a forma como o piloto reagiu ao início da temporada anterior. Após 11 etapas no ano passado, Piastri tinha uma vantagem de 15 pontos sobre Norris. O britânico, porém, conseguiu reagir e iniciar uma recuperação que o levou ao título mundial.

Para Stella, esse período foi fundamental no desenvolvimento do piloto. “Fiquei bastante impressionado com Lando pela forma como ele reagiu ao primeiro terço da temporada do ano passado”, afirmou o chefe da McLaren.

Segundo Stella, Norris enfrentou momentos positivos e negativos, dificuldades e situações que deixaram importantes pontos de aprendizado. O piloto, entretanto, aceitou o desafio de analisar essas experiências e evoluir a partir delas. Esse processo, de acordo com Stella, envolveu não apenas o próprio Norris, mas também o grupo de engenheiros que trabalha diretamente com ele e toda a equipe ao seu redor.

Stella acredita que o desempenho atual representa a continuidade dessa trajetória de desenvolvimento. Para ele, Norris está mais confiante e consciente das ferramentas que possui como piloto, além de saber melhor como utilizá-las em cada situação. O chefe da McLaren também destacou uma mudança importante no controle emocional do britânico.

Durante a corrida na Hungria, Norris ficou atrás de Piastri e afirmou algumas vezes que ainda tinha ritmo disponível. Mesmo assim, não demonstrou frustração excessiva. Para Stella, justamente essa capacidade de controlar as emoções permitiu que Norris utilizasse seu ritmo no momento certo e transformasse a vantagem de desempenho em vitória.

Entenda por que a vitória na Hungria pode ser o maior sinal da evolução de Norris

A corrida em Hungaroring representou, portanto, mais do que a primeira vitória de Norris na temporada 2026. O resultado serviu como uma demonstração prática da evolução que o piloto vinha defendendo antes mesmo de voltar ao topo do pódio.

Mesmo distante da liderança do campeonato, Norris acredita que está pilotando em um nível superior ao apresentado no ano passado. A vitória mostrou que, quando possui um carro capaz de permitir uma disputa pela frente, ele consegue extrair praticamente todo o potencial disponível. A avaliação também é compartilhada por Andrea Stella, que enxerga no piloto uma trajetória contínua de desenvolvimento técnico, mental e emocional.

O desempenho na Hungria reforçou essa percepção. Norris conseguiu superar uma primeira volta ruim, manter a pressão sobre seu companheiro de equipe, esperar o momento correto para recuperar a liderança e, depois, controlar a corrida com uma vantagem confortável. Mais do que simplesmente vencer, o britânico demonstrou o tipo de controle que acredita ter desenvolvido ao longo do último período.

A temporada pode não estar caminhando para uma defesa tranquila de seu título mundial, mas Norris deixou claro que sua evolução não depende exclusivamente da posição no campeonato. Para ele, o progresso está no modo como consegue pilotar, trabalhar com sua equipe, controlar suas emoções e aproveitar cada oportunidade oferecida pelo carro. E, na Hungria, todos esses elementos finalmente se combinaram para produzir uma das performances mais fortes de sua carreira.

Foto: (McLaren Team)