Novak Djokovic defendeu mudanças radicais no funcionamento do tênis. O criador de conteúdo Nick Coutracos apareceu com o tenista e divulgou um vídeo com o atleta neste domingo (2). O estadunidense pergunta à lenda qual mudança defenderia, mesmo se fosse muito criticado pela sua opinião.
Em sua resposta, Nole indicou as seguintes alterações nas regras: “Nós deveríamos mudar o formato da pontuação. Em vez de jogar até seis games por set, jogar até quatro, possivelmente sem vantagem, em melhor de cinco sets. Manter as partidas dentro de uma janela de duas horas. É o melhor para todo mundo.”
Aos 39, o sérvio já deixou bem claro que seu físico já não aguenta mais o alto nível do esporte em alguns momentos. Assim, se torna até engraçado notar que sua resposta liga diretamente a isso. Confrontos mais longos, principalmente de cinco sets em Grand Slam, têm gerado mais dificuldade ao tenista.
Dessa forma, sua fala de “é o melhor para todo mundo” gera a dúvida: o todo mundo seria apenas ele ou algo que realmente beneficiaria o tênis?

Novak Djokovic tem interesse pessoal nas mudanças
Nos últimos anos, o tênis tem se adaptado à aceleração da sociedade. Os tie breaks foram limitados, por exemplo, com menos tempo de descanso entre um saque e outro. Faz parte, mudanças são necessárias conforme o mundo evolui. Mas as sugestões de Novak Djokovic entram neste aspecto?
De forma bem direta e com uma resposta bem simples: não. Qual o argumento para reduzir a quantidade de games em um set? Ou para excluir a vantagem ao chegar a 40-40? Ou então para limitar que um jogo tenha apenas duas horas de duração? Não há, porque são coisas que apenas beneficiariam Nole.
As mudanças sugeridas pelo sérvio seriam apenas para partidas de cinco sets. Interessante como são exatamente esses confrontos em que o multicampeão mais sofre em quadra. Apenas Grand Slams são jogados em cinco parciais, além do torneio inteiro durar por duas semanas. Ou seja, são as competições em que Djokovic mais fica desgastado ao chegar perto do fim.
Na segunda semana de disputa, o tenista já tem uma queda de rendimento e é por isso que ainda não conseguiu conquistar o 25º título em um major. Ainda é possível? É claro, seu talento é inegável, mas seu problema físico também, o que sempre irá diminuir as suas chances, a não ser que conte com uma grande sorte em algum momento.

Djokovic reconhece dificuldade e quis solução
Não é um segredo que Novak Djokovic está sofrendo com jogos mais longos ou em torneios que duram mais de uma semana. Nessas condições, a última conquista foi o Masters 1000 de Paris em 2023. Desde então, até tem três outras finais disputadas nesse estilo (Wimbledon 2024, Masters 1000 de Shanghai 2024 e Miami Open 2025), mas perdeu as três.
Os títulos que conquistou desde Paris 2023 foram em torneios de três sets que duram apenas uma semana: Olimpíada de Paris 2024, ATP 250 de Genebra e ATP 250 de Atenas. Em entrevistas, já reconheceu que sofre com o seu corpo, principalmente em partidas contra Jannik Sinner ou Carlos Alcaraz.
“Penso: ‘Estou jogando contra mim mesmo de 10 ou 15 anos atrás’, e dói sentir isso dentro da quadra. Sei como vencê-los, mas será que ainda consigo fazer isso?”, disse em entrevista à TNT Sports no mês passado.
Já para a CBS Mornings, também em julho, afirmou: “O corpo responde de forma diferente, e isso é apenas biologia. O desgaste de mais de 20 anos competindo no mais alto nível cobra seu preço e levo mais tempo para me recuperar.”
São situações que deixam um tenista tão vencedor como Novak Djokovic incomodado. E que as mudanças sugeridas por ele iriam ser de grande ajuda nesses confrontos dentro de quadra. No entanto, em vez de tentar mudar o tênis em busca de benefício próprio, pode passar a aceitar, e não só reconhecer, que não consegue mais disputar nas atuais condições.
Foto: Divulgação/FFT



