mateo pellegrino seleção espanha
Futebol Outras ligas Serie A

Seleção Espanhola: Está surgindo um novo camisa 9 de peso?

A seleção espanhola aparece em praticamente todas as projeções como uma das grandes favoritas ao próximo Mundial. O elenco é jovem, talentoso e competitivo em quase todos os setores do campo. Mas existe um debate que persiste desde a saída de nomes históricos como Fernando Torres e David Villa: quem é o ‘9’ capaz de decidir jogos grandes com regularidade?

Na última Eurocopa, Alvaro Morata assumiu a braçadeira de capitão e entregou entrega, mobilidade e liderança, mas seus números de gols não empolgaram. Desde então, soluções alternativas ganharam força. Mikel Oyarzabal e Ferran Torres têm sido utilizados como falsos 9, oferecendo dinamismo e mobilidade, mas sem a presença física típica de um centroavante clássico.

Em torneios curtos, porém, a diversidade de perfil ofensivo costuma ser determinante. A própria Seleção Espanhola campeã do mundo em 2010 contou com a importância estratégica de Fernando Llorente como alternativa aérea e física, capaz de mudar o rumo de partidas travadas.

Surge um nome inesperado

É nesse contexto que aparece uma opção pouco comentada até pouco tempo: Mateo Pellegrino. Aos 24 anos, o atacante do Parma Calcio 1913 vem chamando atenção na Serie A não apenas pelos números, mas pelo perfil.

Com 1,92m de altura, Pellegrino é um centroavante de presença marcante na área. Nesta temporada, participou diretamente de 44% dos gols do Parma — marcou sete vezes e deu uma assistência em uma equipe que soma apenas 18 gols no campeonato, um dos piores ataques da liga. Em um time que luta na parte baixa da tabela, seus números ganham ainda mais relevância.

Ele oferece algo que hoje falta à Seleção Espanhola: jogo aéreo consistente, capacidade de prender zagueiros, referência fixa dentro da área e faro de gol em cruzamentos e bolas paradas. É um perfil completamente distinto do modelo móvel e associativo que predomina atualmente na Roja.

Dupla nacionalidade e passado familiar

Mateo carrega no sobrenome um peso conhecido no futebol. É filho de Mauricio Pellegrino, ex-jogador com passagem pelo Valencia CF e atual treinador do Club Atletico Lanus.

Nascido em Valência e formado na escola de Paterna, o atacante possui nacionalidade espanhola e argentina. Já defendeu a seleção sub-21 da Argentina, mas ainda não foi convocado pela equipe principal de nenhum dos dois países. Isso significa que segue elegível para escolher qual camisa vestir no cenário internacional.

Essa condição adiciona um elemento estratégico à discussão. A Espanha busca um ‘9’ de características mais tradicionais, enquanto a Argentina também valoriza atacantes físicos capazes de complementar perfis mais móveis.

O cenário atual da Seleção da Espanha

Enquanto isso, outras opções seguem no radar. Borja Iglesias aparece bem cotado após boas atuações recentes. Morata ainda não está descartado, mas precisa recuperar regularidade. Já Samu — visto como promessa para exercer esse papel — sofreu grave lesão no joelho, o que inviabiliza sua participação no curto prazo, embora sua juventude permita sonhar com futuros Mundiais.

O fato é que a Seleção da Espanha tem qualidade criativa de sobra no meio-campo e nas pontas. O que falta, em determinados cenários, é justamente aquele atacante capaz de transformar cruzamentos em gols e segurar a defesa adversária fisicamente.

Um nome para o futuro?

Mateo Pellegrino talvez ainda não seja consenso, mas reúne características raras dentro do leque atual da seleção espanhola. Jovem, alto, eficiente e já testado em uma liga competitiva como a italiana, surge como alternativa diferente — e potencialmente valiosa.

Por enquanto, não precisou decidir entre Argentina e Espanha. Mas, se mantiver o ritmo no Parma e continuar participando de quase metade dos gols da equipe, essa escolha pode deixar de ser teórica e se tornar urgente.

Em meio às dúvidas sobre quem será o ‘9’ da próxima Copa, o filho de Pellegrino aparece como um nome inesperado, mas promissor. Um “novo Llorente” moderno, de quase dois metros, que pode oferecer à Seleção Espanhola exatamente aquilo que hoje parece faltar: presença, poder aéreo e solução direta dentro da área.