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O Chelsea silenciosamente é favorito à Premier League e UEFA Champions League? Confira

Nos últimos anos, o Chelsea tornou-se alvo de fortes críticas pela forma como buscava voltar a figurar entre os principais candidatos aos maiores títulos do futebol. À distância, a estratégia do clube parecia relativamente simples: acumular jovens promessas, firmar contratos longos para diluir custos por períodos exageradamente maiores e seguir contratando até que alguns desses talentos realmente se destacassem — ao mesmo tempo em que aceitava perdas significativas com aqueles que não atingissem o nível esperado.

Não foi por acaso que Gary Neville classificou o modelo dos Blues como “esquemas de pirâmide financeira” após a derrota para um Liverpool desfalcado na final da Copa da Liga Inglesa no ano passado. Com mais de 1 bilhão de libras investidos em menos de dois anos sob a gestão de Todd Boehly, o Chelsea virou alvo fácil de críticas. O time terminou aquela temporada apenas em sexto lugar na Premier League, sem levantar troféus, alimentando a percepção de que Boehly havia torrado uma fortuna para montar um elenco que pouco impressionava.

A chegada de Enzo Maresca trouxe evolução na temporada seguinte, com os Blues alcançando o quarto lugar no campeonato e conquistando a UEFA Europa Conference League. Ainda assim, a equipe parecia distante de disputar os títulos mais prestigiados, apesar de continuar gastando pesado. Mesmo após vencer a primeira edição expandida da Copa do Mundo de Clubes no verão, vários analistas questionaram se aquele título era suficiente para colocar o Chelsea entre as grandes potências do futebol mundial.

O Chelsea derrotou de forma convincente na final da Copa do Mundo de Clubes, os atuais campeões europeus, que é o PSG, mas havia perdido para o Flamengo na fase de grupos e enfrentado um caminho relativamente acessível até a decisão. E o início irregular da temporada 2025/26 — com empates diante de Crystal Palace e Brentford, derrotas para Manchester United e Brighton e outra queda para o Bayern de Munique na Champions League — reforçou a ideia de que o troféu mundial fora apenas uma ilusão passageira.

Entretanto, ao longo dos últimos meses, o Chelsea parece ter finalmente amadurecido. Muitos dos jovens contratados começam a demonstrar o potencial que os olheiros previram, e o teto da equipe subitamente parece enorme. Embora tropeços ainda apareçam — como a derrota em casa para o Sunderland ou o 2 a 2 com o Qarabag na Champions League — os Blues entraram em uma sequência extremamente positiva, somando nove vitórias nos últimos 11 jogos sob o comando de Enzo Maresca.

Agora, a equipe se apresenta como uma força capaz de competir em várias frentes. A vitória por 3 a 0 contra o Barcelona, na última terça-feira, serviu como a prova definitiva de que o Chelsea pode, sim, disputar a Europa nesta temporada. Do início ao fim, o desempenho foi exemplar. Após uma chance perdida por Ferran Torres nos primeiros minutos, o Barça pouco ameaçou, enquanto os mandantes foram implacáveis. Além dos três gols marcados e da maior vitória sobre os catalões na história do clube, os Blues ainda tiveram outros três gols anulados — fatores que tornaram o placar até generoso com os visitantes e deixaram as estatísticas aquém do domínio real que o time mostrou.

A expulsão de Ronald Araujo ainda no primeiro tempo facilitou o caminho, mas antes mesmo disso, no período de 11 contra 11, os londrinos já eram amplamente superiores. O resultado colocou o Chelsea acima do próprio Barcelona e na sexta posição entre os favoritos ao título da Champions League, segundo o supercomputador da Opta, com 5,5% de probabilidade de ser campeão — um cenário inimaginável semanas atrás, mas que agora parece plausível. Afinal, o clube já provou ser especialista em campanhas improváveis na competição, como em 2012 e 2021, quando venceu o torneio mesmo sem ser considerado um dos melhores times da Europa.

Com a vitória sobre o Barcelona, muitos torcedores inevitavelmente relembram esses triunfos passados e começam a sonhar com mais um capítulo glorioso — especialmente com o clássico contra o Arsenal se aproximando, neste domingo (30), no Stamford Bridge. E se a recente evolução da equipe for um indicativo, há espaço para expectativas ainda maiores. O Chelsea, aliás, vem escalando as equipes mais jovens tanto na UEFA Champions League (média de 23 anos e 334 dias) quanto na Premier League (24 anos e 169 dias), sinal de que o futuro ainda pode ser mais promissor.

Foto: Getty Images

Chelsea ressurge como “favorito silencioso” na Premier League e na Champions League

Após duas temporadas marcadas por instabilidade, reformulação profunda do elenco e críticas pelos gastos milionários sem retorno imediato, o Chelsea finalmente começa a mostrar sinais consistentes de que pode voltar ao topo — não como protagonista evidente, mas como um candidato silencioso, daqueles que progridem sem grande alarde até o momento decisivo.

Sob Enzo Maresca, o time reencontrou identidade, coerência e competitividade. O treinador italiano conseguiu estabelecer uma base jovem, intensa e proativa, capaz de controlar partidas e gerar volume ofensivo acima da média. A transformação não ocorreu de forma explosiva, mas gradual — e é justamente essa evolução discreta que sustenta a ideia do “favorito silencioso”.

Foto: Getty Images

Estatísticas que reforçam a candidatura

Os números confirmam que o Chelsea vem apresentando desempenho característico de postulantes a títulos: criação elevada de oportunidades, pressão coordenada, solidez defensiva e resultados cada vez melhores diante de adversários fortes. A sequência recente — especialmente contra rivais de tradição — mostra que o time deixou de ser mediano e passou a se aproximar do nível das grandes potências inglesas e europeias.

Outro ponto-chave é a profundidade do elenco: jovens talentosos, rápidos e versáteis se misturam a jogadores experientes, permitindo variações táticas sem queda no rendimento. Isso reduz oscilações ao longo da temporada, fator essencial para quem compete simultaneamente na Premier League e na Champions.

Na Premier League, um concorrente inesperado

Mesmo com Arsenal, Manchester City e Liverpool chamando mais atenção, o Chelsea aproveita a falta de pressão extrema para crescer à sombra. O time evolui sem o mesmo escrutínio destinado aos rivais, o que facilita seu desenvolvimento. Com números sólidos e desempenho em ascensão, a equipe de Maresca se coloca como candidata real, embora ainda pouco reconhecida como tal.

Na Champions League, o histórico joga a favor

Poucos clubes desempenham tão bem o papel de “azarão perigoso” quanto o Chelsea. Foi assim em 2012 e em 2021: campanhas improváveis, crescimento nas fases decisivas e eliminações sobre favoritos. Com o time atual adquirindo maturidade, identidade e intensidade, esse perfil volta a aparecer. A equipe se torna novamente o competidor incômodo, capaz de vencer jogos grandes em detalhes e se impor defensivamente.

Um favorito que ninguém admite

O Chelsea ainda não é tratado como o grande time a ser batido — e isso, paradoxalmente, pode ser uma vantagem. A equipe não domina manchetes nem recebe a obsessão que acompanha seus rivais diretos, mas seus números, sua evolução recente e seu estilo competitivo apontam para uma realidade que se torna cada vez mais evidente: o Chelsea está voltando ao topo, e talvez mais depressa do que muitos imaginavam.

Se ainda é cedo para classificá-lo como favorito absoluto, não há mais exagero algum em chamá-lo de favorito silencioso — aquele que parece discreto demais para assustar… até que vence.

(Foto: Getty Images)