Rodrigo De Paul não apenas trocou de clube, trocou de cenário. De titular absoluto no Atlético de Madrid para estrela do Inter Miami, o argentino foi protagonista de uma das movimentações mais surpreendentes do mercado da bola nas Américas. Com mercado na Europa, inclusive sondagens de clubes italianos e ingleses, ele optou por seguir rumo à MLS. Motivo? Juntar-se ao “quarteto fantástico” de Lionel Messi, Luis Suárez, Sergio Busquets e Jordi Alba, todos companheiros e amigos dos tempos de Seleção e Barcelona.
Sim, o projeto é sedutor. E o momento da Major League Soccer ajuda. O campeonato norte-americano vem crescendo, tanto em visibilidade quanto em investimento. E a chegada de nomes como De Paul é mais uma prova de que os Estados Unidos querem, e podem disputar protagonismo internacional no futebol.
O roteiro parece familiar. Assim como a Arábia Saudita passou a atrair medalhões com contratos milionários, a MLS aposta em estrelas consagradas para chamar atenção. Mas há uma diferença importante: os clubes norte-americanos também estão de olho no futuro. Ao mesmo tempo em que seduzem jogadores como De Paul, também buscam jovens talentos para desenvolver, e depois revender à Europa.

A chegada do meio-campista argentino já começa a gerar efeito dominó. Heung-Min Son, por exemplo, optou pelo Los Angeles FC após conquistar a Europa League com o Tottenham. Já Thomas Müller, um dos símbolos do Bayern de Munique, aceitou o desafio de vestir a camisa do Vancouver Whitecaps. Um movimento que, aos poucos, vai consolidando a MLS como um destino desejado, não só uma aposentadoria de luxo.
O impacto de De Paul na MLS
Se alguém achou que De Paul iria à MLS para “tirar férias”, a resposta veio rápida. O argentino chegou jogando em alto nível, como sempre fez no Atlético. Já são gols, assistências e atuações decisivas, como na vitória sobre o Pumas (MEX), em que marcou e foi eleito o melhor em campo.
Ele manteve a intensidade e o estilo combativo, mas agora num contexto onde pode também brilhar mais com a bola no pé. Na terra de Messi, De Paul está sendo… De Paul: um líder silencioso, técnico e raçudo. E claro, quer mostrar que ainda tem lenha pra queimar, mesmo longe da Europa.
Com a chegada de De Paul, a MLS atingiu um novo marco: são cinco campeões do mundo em atividade na liga, superando os tempos de Villa, Pirlo, Kaká e Schweinsteiger, entre 2015 e 2017. A liga americana não é mais só sobre marketing, tem bola rolando de verdade. E nomes como Federico Redondo, Steven Alzate e Nicolás Mercau também mostram que há um plano para mesclar experiência e juventude.
O Inter Miami, por exemplo, contratou Redondo após grande destaque no Argentinos Juniors, mostrando que não vive só de veteranos. A ideia é formar um elenco competitivo e, quem sabe, montar uma nova potência no continente.
Rodrigo De Paul chegou a ser sondado pelo Flamengo, que flertou com a ideia de trazer o craque da Seleção Argentina. Mas a concorrência com Messi & Cia., somada à qualidade de vida nos Estados Unidos, falaram mais alto. A América do Norte é segura, estável e tem se tornado cada vez mais atraente para os jogadores que querem “respirar” um pouco fora da pressão europeia ou sul-americana.
E como na Arábia Saudita, há jovens brasileiros tentando a sorte por lá. Alexsander, ex-Fluminense, chegou a passar pelos sauditas antes de voltar ao Brasil. Já Marcos Leonardo, ex-Santos, parece muito à vontade no Al-Hilal, talvez nem pense mais em Europa. E é esse equilíbrio entre jovens, veteranos e estrelas que pode transformar essas ligas alternativas em verdadeiras potências globais.
Foto: Maisfutebol