Seleção do Paraguai, Copa 2026
Futebol Copa do Mundo

O Paraguai na Copa do Mundo: como joga, principais jogadores e a análise da seleção Albirroja

Após dezesseis anos ausente da principal vitrine do futebol internacional, o Paraguai está de volta a Copa do Mundo, buscando repetir ou até mesmo superar a campanha da sua última participação. Eliminada nas quartas de final de 2010 pela campeã Espanha, a seleção Albirroja colecionou fracassos por três Eliminatórias Sul-Americanas seguidas, e volta determinada a mostrar seu espírito guerreiro de sempre.

Considerada tantas vezes a “Quarta Força” do futebol da América do Sul, sendo inferior apenas a Argentina, Brasil e Uruguai na história, o Paraguai carimbou seu retorno com o aumento do Mundial em 48 seleções e um elenco renovado que resgatou o DNA do time: suor, defesa sólida e contra-ataques mortais. Sob o comando de Gustavo Alfaro, técnico que levou o Equador para a Copa de 2022 e conduziu a arrancada paraguaia na qualificação continental, a seleção chega a 2026 abraçada por uma torcida resiliente com os tropeços e que espera uma virada de chave de seus representantes na América do Norte.

Como joga o Paraguai?

Gustavo Alfaro, técnico da seleção do Paraguai
Gustavo Alfaro deu uma nova cara para a seleção paraguaia após assumir um time ameaçado de ficar fora de mais um Mundial (Foto: Daniel Duarte / AFP)

Ao assumir o Paraguai com um ciclo em andamento e extremamente tumultuado, Gustavo Alfaro correu contra o tempo para organizar o principal ponto forte da equipe desde os tempos áureos: a defesa aguerrida. A volta ao passado ajudou o time a se apresentar de modo bem definido e resgatou a essência da ‘Garra Guaraní’, montando uma seleção sem medo de se defender e esperar o adversário para subir as linhas.

Organizado principalmente em um 4-4-2 ou 4-2-3-1, o Paraguai de Alfaro é um time de linhas extremamente compactas e jogo sem a posse de bola. A estratégia da Albirroja é evidente: fechar a zona central, obrigar o rival a jogar pelas laterais e fazer uma marcação cerrada sempre que a bola passar o meio de campo.

No sistema ofensivo, a equipe paraguaia pode levar perigo em dois momentos específicos. O primeiro é a transição rápida, com o uso de ligações diretas para explorar as costas da defesa adversária. O segundo – e considerada uma tradição – é a bola parada. Cobranças de falta e escanteios são usados como verdadeiros pênaltis pelo time, se aproveitando da intensidade e do físico de seus zagueiros e volantes.

Principais jogadores

Gustavo Gómez, Paraguai, Copa do Mundo
O zagueiro e capitão da seleção paraguaia, Gustavo Gómez (Foto: Daniel Duarte / AFP)

O atual grupo do Paraguai é uma mistura curiosa de veteranos testados em grandes ligas, jovens talentos que vivem uma ascensão na Europa, e nomes tarimbados no futebol brasileiro, como Gustavo Gómez. Na seleção de Alfaro, tal soma representou uma química vitoriosa, ajudando o país a quebrar uma maldição de quase duas décadas de ausência das Copas do Mundo e pode surpreender os três primeiros adversários dessa edição.

Capitão e multicampeão desde que chegou ao Palmeiras, Gustavo Gómez é o xerife da seleção paraguaia. Dono de uma liderança incontestável e de um bom jogo pelo alto, Gómez é o principal responsável por garantir a segurança defensiva junto de Omar Alderete e por ser o principal perigo ofensivo em bolas paradas, intimidando qualquer rival em campo.

Além de Gómez e Alderete, o time guaraní passa pela pressão ofensiva causada pelo veterano Miguel Almirón, meia-atacante de 32 anos que joga pelo Atlanta United, da Major League Soccer, e pela dupla revelação que parou Brasil, Argentina e Uruguai ao jogar em casa nas Eliminatórias. Julio Enciso, de 22 anos, e Diego Gómez, de 23, são dois personagens que prometem desencantar no Mundial, sendo um testado em grandes ligas europeias, e outro, um ‘pupilo’ de Lionel Messi no Inter Miami, atualmente jogando na Premier League pelo Brighton.

Como foi o ciclo para a Copa do Mundo?

A jornada do Paraguai para interromper o hiato de dezesseis anos sem disputar uma Copa do Mundo não foi fácil, e precisou passar por uma reinvenção que passou por quatro treinadores nesse ciclo de 2026. Após Daniel Garnero, Guillermo Schelotto e Eduardo Berizzo não conseguirem atingir o desempenho necessário para garantir o país no Mundial, Gustavo Alfaro, responsável por colocar o Equador na última Copa, foi trazido no meio das Eliminatórias e deu a Albirroja o sonhado retorno, sendo considerado no país como um verdadeiro herói.

Com Lechuga (ou alface), como Alfaro é popularmente conhecido, a seleção paraguaia passou de cinco para 28 pontos no fim da qualificatória da Conmebol, se classificando antecipadamente na sexta e última vaga direta. Jogando no Defensores del Chaco, o Paraguai enfileirou resultados como as vitórias sobre a atual campeã do mundo Argentina e o Brasil antes da chegada de Carlo Ancelotti, prometendo ser uma pedra no sapato para os futuros adversários no Mundial.

Ao blindar o vestiário e transformar a casa da seleção novamente em um lugar incômodo para os visitantes, Gustavo Alfaro superou também a falta de gols do time nas Eliminatórias e a vexatória campanha da última Copa América, quando ainda comandava a Costa Rica e chamou a atenção da federação paraguaia. Vitórias magras e empates suados fizeram parte da caminhada até o Mundial, e nem mesmo o tropeço em alguns amistosos recentes devem desanimar o grupo aguerrido que se formou e foi abraçado pelo país.

Onde pode chegar?

Diante do aumento de seleções na disputa, que ocasionou o aumento de jogos até a grande decisão, o Paraguai quer apagar de vez o passado recente de frustrações e fazer bonito em seu retorno triunfal, superando as campanhas de 1998 na França e 2010 na África do Sul. Nessas edições, a Albirroja parou no mata-mata para europeus que foram campeões inéditos e montou times que entraram para o imaginário do futebol no país.

Além disso, o contexto de superar um decepcionante começo e meio de ciclo pré-Copa somado ao fato de voltar a disputar um Mundial após 16 anos pode ser determinante para que os jogadores convocados por Gustavo Alfaro consigam vencer e convencer na primeira fase, dentro de um grupo com Estados Unidos, um dos países-sede, e Austrália e Turquia. Um time concentrado na exploração de contra-ataques pode ser letal a qualquer momento da partida, e bagunçar o plano de jogo adversário.

Com Alfaro no comando, o Paraguai demonstrou uma raça inigualável apesar de não marcar muitos gols e ganhar jogos ‘na base do sofrimento’, sendo um forte candidato a avançar em sua chave para o mata-mata sem passar pela novidade chamada 16-avos de final. Uma eliminação precoce mataria o sonho de milhões que esperam ansiosamente ver seu país indo longe, alcançando as oitavas ou até mesmo as quartas de final, dependendo do cruzamento.

Os jogos do Paraguai na Copa do Mundo

Grupo D

12/06 – 22h: Estados Unidos x Paraguai (SoFi Stadium – Inglewood)

20/06 – 0h: Turquia x Paraguai (Levi’s Stadium – Santa Clara)

25/06 – 23h: Paraguai x Austrália (Levi’s Stadium – Santa Clara)

(Foto da capa: ERNESTO BENAVIDES / AFP via Getty Images)