A crise esportiva do River Plate não deixou ninguém indiferente, e sua magnitude se destaca principalmente no Estádio Monumental. O local que por décadas foi símbolo de mística e autoridade tornou-se, agora, o epicentro de seus problemas. O clube Millonario vive sua pior fase em casa desde que se mudou para o bairro de Núñez, na zona norte de Buenos Aires, com quatro derrotas consecutivas, em todas as competições. Desde sua fundação, há quase noventa anos, em 1938, a equipe portenha nunca havia registrado quatro jogos sem vitória nessa situação.
Essa sequência negativa do River Plate só foi superada uma vez, quando ainda atuava no bairro de La Boca e sofreu uma série de sete derrotas seguidas. No total, foram necessárias 1.809 partidas para chegar a essa estatística histórica, que teve início com a eliminação na Copa Libertadores contra o Palmeiras e se estendeu até a recente derrota no campeonato para o Gimnasia La Plata por 1 a 0, no Monumental de Núñez. Até o duelo de ida com o Verdão pela competição continental, o time comandado por Marcelo Gallardo não vinha entregando performances brilhantes.
Por outro lado, esses resultados até então davam respaldo ao trabalho de Gallardo no comando do River Plate. A saber: foram 12 jogos de invencibilidade, com seis triunfos e seis empates, entre o Clausura argentino, a Copa Argentina e os confrontos contra o Libertad, pelas oitavas de final da Libertadores. Após a eliminação para o Palmeiras, os problemas de criatividade e de renovação do elenco riverista se refletiram na falta de pontos ao fim da temporada, além da eliminação na fase de grupos da Mundial de Clubes, nos Estados Unidos.
De então para cá, são quatro derrotas em sete compromissos. Mesmo em partidas onde não houve perda no tempo normal, o revés nos pênaltis para o Independiente Rivadavia acarretou a eliminação na semifinal da Copa Argentina. Com este cenário, a participação do River na próxima Libertadores torna-se o ponto mais sensível para as pretensões do clube. Na tabela acumulada entre Apertura e Clausura, o clube de Núñez está a quatro pontos do último time classificado no momento, o arquirrival Boca Juniors, que vem recuperando seu desempenho no final desta temporada.
Curiosamente, na próxima rodada do Campeonato Argentino, os dois clubes mais populares do país se enfrentam no domingo (9), às 16h30 (horário de Brasília), na La Bombonera. O resultado do clássico no fim de semana contra o Boca Juniors tem forte caráter decisivo, também, para ampliar ou reduzir as chances de Marcelo Gallardo permanecer no banco de reservas. Apesar da vasta história de vitórias no River Plate, o “Muñeco” é alvo de críticas por uma ala da diretoria, que recentemente passou por mudanças substanciais. Mesmo assim, o treinador estendeu o vínculo até dezembro de 2026.
No último domingo (2), Stefano Di Carlo, de apenas 36 anos, venceu a eleição e se tornou presidente no posto ocupado por Jorge Brito, que era forte defensor da continuidade de Marcelo Gallardo no River Plate. Em um primeiro momento, o novo mandatário demonstrou respeito à figura do atual treinador ao declarar que “o apoia com convicção”. Contudo, sem dar um suporte claro no que tange à renovação do contrato vigente — até 31 de dezembro — antes que o treinador permanecesse em Núñez.

River Plate à beira de perder vaga na próxima edição da Libertadores
A atual sequência negativa evidencia um momento crítico e coloca em risco o futuro imediato do River Plate. Restando poucas rodadas para o fim da temporada, a equipe vê suas chances de classificação à Libertadores do próximo ano cada vez mais ameaçadas e com isso, teria que disputar a Sul-Americana em 2026. No horizonte, surge o Superclásico contra o Boca Juniors, rival que vive fase oposta, com moral elevada e três vitórias nas últimas quatro partidas do Campeonato Argentino.
O River Plate tem dois caminhos diretos para alcançar a vaga direta na Libertadores 2026: conquistar o título do Torneio Clausura ou terminar entre os três primeiros colocados na classificação geral. Há ainda uma alternativa indireta, se o arquirrival Boca Juniors ou Rosario Central vencerem o Clausura, o River herdaria a vaga automaticamente.
Em meio a esse contexto turbulento, a torcida não escondeu sua insatisfação e apontou Marcelo Gallardo como principal responsável. Durante a derrota para o Gimnasia, o técnico e o elenco foram vaiados sob gritos de “Todos têm que sair, nenhum deve ficar”. Após a eliminação na Copa Argentina, o treinador adotou um tom autocrítico em suas declarações: “Vamos avaliar ao fim da temporada; até o momento, os objetivos não foram cumpridos. Foi um ano completamente negativo”.
Apesar da renovação confirmada pela nova diretoria, suas palavras deixaram dúvidas no ar. O treinador cancelou a coletiva pós-jogo e suspendeu todas as aparições públicas, aumentando o clima de silêncio no Monumental — cenário que marca um dos períodos mais sombrios da história recente do clube.
River Plate tenta reverter crise no clássico contra o Boca Juniors
No próximo domingo (9), às 16h30 (horário de Brasília), Boca Juniors e River Plate se enfrentam em La Bombonera pela 15ª rodada do Clausura 2025. O duelo assume contornos dramáticos para o River, que tenta reagir em meio à instabilidade, enquanto o Boca busca manter o bom momento após o falecimento de Miguel Ángel Russo.
Contexto de urgência
O River Plate chega ao Superclásico com múltiplos sinais de alerta. A equipe de Marcelo Gallardo atravessa seu pior momento como mandante em anos, com derrotas recentes e desempenho inconsistente. Além da pressão esportiva, o confronto carrega um peso simbólico: pode definir o destino da equipe na busca pela Libertadores de 2026, objetivo comum também ao Boca Juniors.
Estratégia de recuperação
Para tentar interromper a crise contra o Boca Juniors neste fim de semana, o River Plate aposta em três pilares para o duelo do Campeonato Argentino em La Bombonera:
1. Controle emocional: O técnico Marcelo Gallardo reconhece que o clássico contra o Boca Juniors pode representar um divisor de águas — uma chance de reconquistar confiança e unir novamente o elenco.
2. Organização tática: Diante de um adversário em ascensão, o time precisa mostrar coesão, competitividade desde o apito inicial e evitar os erros que custaram pontos preciosos.
3. Reconquista da torcida: A relação com os torcedores está estremecida. Mais do que três pontos, o River busca recuperar o respeito, o equilíbrio interno e a estabilidade emocional.
Obstáculos adicionais
Jogar no estádio do maior rival intensifica a pressão. Além disso, o planejamento do clube foi afetado por questões logísticas: o Monumental de Núñez está indisponível para concentração da equipe devido a shows da cantora Dua Lipa nos dias anteriores, o que compromete a preparação. A tabela também não oferece respiro — uma derrota pode representar o adeus definitivo à Libertadores.
O que está em jogo
Para o River Plate: reencontrar o caminho das vitórias, afastar a crise e manter o projeto esportivo vivo.
Para o Boca Juniors: aproveitar o momento do rival, somar pontos e dificultar ainda mais a reação do adversário histórico.
Se o River Plate conseguir sair de La Bombonera com um resultado positivo sobre o Boca Juniors — especialmente uma vitória — poderá iniciar uma reviravolta importante e acalmar o ambiente em Núñez. Caso contrário, um novo tropeço pode aprofundar ainda mais a crise e comprometer toda a temporada.
(Foto: Getty Images)