O atacante Federico Chiesa chegou ao Liverpool em 2024, e simplesmente se tratou de uma das movimentações mais interessantes daquela janela. Pela bagatela de 15 milhões de euros, o italiano, que vinha de algumas temporadas atrapalhadas por lesões, ainda carregava aquele selo de jogador decisivo, quem acompanhou a Eurocopa de 2021 ou os lampejos dele na Juventus sabe bem do que estamos falando. Sempre que esteve saudável, Chiesa entregou. Mas a chegada em Anfield foi bem menos calorosa do que o torcedor poderia imaginar.
A diretoria dos Reds enxergou em Chiesa uma oportunidade de mercado: um jogador de elite, ainda com 27 anos, capaz de atuar pelos dois lados do campo, e que custava menos que um jovem promissor da Championship. Parecia uma jogada de mestre. Só que Arne Slot, o novo comandante, nunca pareceu empolgado com a ideia. Em mais de 15 meses com a camisa do Liverpool, o atacante italiano somou apenas 637 minutos em campo. Um número que, sinceramente, beira o absurdo quando se olha o que ele fez com o pouco tempo que teve.
Só na Premier League, Chiesa disputou míseros 185 minutos. E mesmo assim, é um dos nomes que mais fizeram a torcida levantar da cadeira nesta temporada. Enquanto os números de Salah e Isak começam a gerar dúvidas, Chiesa vira assunto toda vez que entra. A torcida enxerga nele alguém que não se esconde, que quer jogo, e que, mesmo com todos os percalços, segue firme na luta por espaço. E mais importante: está entregando.
Chiesa contra tudo e contra todos
A história de Chiesa no Liverpool já tem cara de novela. O atacante chegou, sofreu com desconfiança, viu seu nome fora da lista da Champions na fase de grupos, e só ganhou uma vaga depois da lesão séria de Giovanni Leoni. Slot justificava sua ausência falando de questões físicas, o que não era mentira, mas também não era toda a história. Com um setor ofensivo entupido de nomes de peso, Chiesa ficou ainda mais escanteado.
Na época, a concorrência já era pesada: Salah, Isak, Ekitiké, Wirtz, Frimpong… só craque ou promessa com muita moral. E, para ser justo, todos chegaram com expectativas altíssimas. Mas o tempo passou, e agora o cenário mudou. Muitos desses nomes estão devendo. Salah só tem dois gols. Isak, um único golzinho na Copa da Liga. Wirtz? Zero participações diretas em gols. O ataque dos Reds está em crise. E o curioso é que, mesmo assim, Chiesa continua no banco.
Um gigante em poucos minutos
Mesmo jogando as sobras, Federico Chiesa vem fazendo barulho. São 171 minutos nesta temporada, pouco mais de dois jogos completos, e ele já soma cinco participações em gols: dois gols marcados e três assistências. Isso dá uma média de um envolvimento direto a cada 32 minutos. Na Premier League, esse número cai ainda mais: uma contribuição a cada 24 minutos.
Esses são números de elite. Não tem como passar batido. E aí entra o questionamento: o que mais ele precisa fazer?
Nas últimas semanas, enquanto o Liverpool acumulava quatro derrotas seguidas, Chiesa era um dos poucos nomes a entregar algo positivo. Contra o Manchester United, entrou no fim do jogo e, em apenas seis minutos, deu a assistência que salvou um empate em casa. Diante do Crystal Palace, foi dele o gol do empate. Contra o Bournemouth, mais uma vez: saiu do banco, seis minutos depois estava decidindo a vitória. Se isso não é o chamado “pedir passagem”, o que seria?
O dilema de Slot
Arne Slot tem um problema nas mãos, e ele atende por Federico Chiesa. O italiano está saudável, afiado e com fome. A torcida já percebeu. Os números comprovam. A pergunta que fica no ar é: por que o treinador ainda reluta em dar mais chances ao atacante?
Sua única titularidade na temporada foi pela Copa da Liga Inglesa. E adivinha? Chiesa foi eleito o melhor em campo, com duas assistências na vitória por 2 a 1 sobre o Southampton. Ele fez exatamente o que um jogador precisa fazer quando recebe chance: decidiu o jogo.
Ainda assim, Slot continua preferindo manter Chiesa como opção para os minutos finais. Dá aquela entrada simbólica no fim, esperando que o italiano resolva em dez minutos aquilo que o ataque titular não fez em 80. Um padrão que, aos poucos, vai cansando quem observa de fora.
Chegou a hora?
Num Liverpool em crise, com um ataque emperrado e sob pressão da torcida, mudanças precisam acontecer. E talvez, nesse momento, a solução esteja no banco. Federico Chiesa tem se mostrado à altura. Ele já venceu problemas físicos, já aceitou ser coadjuvante, já calou críticos com atuações decisivas. Agora, tudo que falta é uma sequência real de oportunidades.
A torcida já comprou a ideia. O vestiário parece ter respeito. Os números são incontestáveis. Se Arne Slot não abrir os olhos, corre o risco de desperdiçar o jogador mais preparado para ajudar o Liverpool a sair do buraco.
Afinal, o que mais Federico Chiesa precisa fazer?
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