Após anos lutando contra lesões e adversários de alto nível, Dominick Cruz anunciou oficialmente sua aposentadoria do UFC, pondo fim a uma das carreiras mais influentes da história do peso-galo. Conhecido por seu estilo de movimentação única, inteligência tática e resiliência, Cruz deixa o esporte como uma verdadeira lenda.
No entanto, o que motivou essa decisão? Sua luta contra Rob Font, que deveria marcar seu retorno ao octógono, nunca aconteceu devido a mais uma lesão, evidenciando que o corpo do veterano já não suportava mais os rigores do esporte
O anúncio de sua aposentadoria não foi uma grande surpresa para os fãs mais atentos. A carreira de Cruz sempre foi marcada por longos períodos de inatividade devido a lesões, mas, sempre que voltava, conseguia provar que ainda era um dos melhores. Agora, ele se despede do MMA deixando um legado de 24 vitórias e apenas 4 derrotas, além de ter revolucionado a maneira como os lutadores abordam o jogo de pés e a movimentação defensiva.
(Foto: Divulgação/UFC)
Ascensão no WEC e UFC

Cruz começou sua carreira profissional no MMA em 2005 e rapidamente chamou atenção por sua velocidade e habilidade técnica. Seu grande momento veio no WEC (World Extreme Cagefighting), organização que abrigava os melhores lutadores das categorias mais leves antes da fusão com o UFC. Em 2010, ele conquistou o cinturão peso-galo do WEC ao derrotar Brian Bowles, e em seguida defendeu o título contra Joseph Benavidez e Scott Jorgensen.
Quando o UFC absorveu o WEC no final daquele ano, Cruz foi reconhecido como o primeiro campeão peso-galo da história da organização. Sua primeira defesa foi contra seu antigo rival Urijah Faber, vencendo por decisão unânime em uma luta extremamente competitiva. Logo depois, ele enfrentou Demetrious Johnson, que mais tarde se tornaria um dos maiores pesos-moscas da história, e venceu dominando a luta com sua movimentação e wrestling.
Neste momento, Cruz parecia imbatível. Seu estilo de luta baseado em movimentação, trocação imprevisível e wrestling afiado o tornou um dos campeões mais dominantes da divisão. No entanto, sua carreira começaria a enfrentar um problema recorrente: as lesões.
Lesões e superação
O primeiro grande obstáculo veio em 2012, quando Cruz rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA). Após complicações na cirurgia, ele passou mais de três anos afastado do octógono. Por conta disso, o UFC retirou seu cinturão, o que marcou um dos momentos mais difíceis de sua carreira
Quando finalmente retornou, em 2014, teve uma atuação impressionante ao nocautear Takeya Mizugaki no primeiro round. No entanto, uma nova lesão o afastou novamente, adiando mais um retorno ao topo. Após um total de quatro anos longe do octógono, Cruz teve uma segunda chance pelo título contra T.J. Dillashaw, então campeão dos galos. Em janeiro de 2016, ele venceu por decisão dividida em uma luta extremamente técnica, recuperando o cinturão que nunca havia perdido dentro do octógono
Cruz defendeu seu título contra Urijah Faber pela terceira vez, vencendo novamente. No entanto, em dezembro de 2016, ele sofreu sua primeira derrota no UFC, perdendo o cinturão para Cody Garbrandt. Essa luta demonstrou que, apesar de sua habilidade, ele não era invencível, e sua movimentação já não era tão eficaz contra adversários mais jovens e rápidos.
Última fase de sua carreira: lutas esporádicas e aposentadoria

Após perder para Garbrandt, Cruz ficou mais três anos afastado, lidando com novas lesões. Em 2020, retornou para desafiar Henry Cejudo pelo cinturão dos galos, mas foi nocauteado no segundo round.
Depois disso, ele alternou entre vitórias e derrotas. Venceu Casey Kenney e Pedro Munhoz, mostrando que ainda tinha gás para competir, mas em 2022, foi brutalmente nocauteado por Marlon “Chito” Vera. Essa derrota evidenciou que sua resistência já não era a mesma.
Quando foi anunciado para enfrentar Rob Font no UFC Seattle, os fãs esperavam uma última grande performance. No entanto, seu corpo novamente não resistiu, e ele foi forçado a se retirar do card devido a uma nova lesão. Com 39 anos e inúmeros problemas físicos, ele tomou a decisão de se aposentar definitivamente.
O legado de Dominick Cruz
Cruz se despede do MMA como um dos maiores pesos-galos da história, não apenas por suas conquistas, mas por sua influência no esporte. Seu estilo de movimentação revolucionou a forma como os lutadores encaram a defesa e o contra-ataque, e sua mentalidade resiliente o tornou uma inspiração.
Além de sua carreira como lutador, Cruz também se destacou como comentarista do UFC, sendo um dos analistas mais técnicos e respeitados da organização. Sua capacidade de destrinchar lutas em tempo real e explicar detalhes táticos foi amplamente elogiada pelos fãs.
O futuro do ex-campeão agora pode estar nos bastidores do MMA, seja como treinador ou analista em tempo integral. Independentemente do caminho que escolher, seu nome estará para sempre na história do esporte. Com um cartel de 24 vitórias e apenas 4 derrotas, Dominick Cruz é um ícone que jamais será esquecido.
Agora, resta a dúvida: quando veremos seu nome ser introduzido no Hall da Fama do UFC?