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Olimpíadas: brasileiras são eliminadas nas oitavas do Boxe

As brasileiras Caroline Almeida e Bárbara Santos foram eliminadas logo nas oitavas de final nas Olimpíadas de Paris na manhã desta quinta-feira (1).

Atual campeã Pan-Americana, a brasileira Caroline Almeida, no peso mosca ligeiro (até 50 kg), foi derrotada por decisão unânime (5-0) pela cazaque Nazym Kyzaibay, bicampeã mundial em 2014 e 2016. Também campeã Pan-Americana na categoria peso médio até 66 kg, Barbara Santos caiu na primeira luta para a taiwanesa Nien Chin Chen, ex-campeã mundial.

Kyzaibay começou melhor a luta, acertando um direto de direita e uma combinação de cruzados que surpreenderam Caroline. A partir daí, a boxeadora brasileira esteve mais ligada no combate e acertou alguns diretos de encontro e jabs, mas sofreu uns bons diretos e cruzados da cazaque e perdeu o primeiro assalto de forma unânime.

Almeida buscou mais o confronto no segundo round. No entanto, com a mão esquerda um pouco baixa, acabou sofrendo mais contragolpes de direita. Num round muito mais travado que o primeiro, com muito mais clinche entre as duas, Kyzaibay saiu vencedora em quatro dos cinco juízes, e a única chance de a brasileira ganhar a luta seria por nocaute.

Carol foi para cima com muito volume e intensidade no terceiro e último round, soltando o braço para tentar uma finalização que daria a vitória à lutadora, mas a cazaque tratou de agarrar sempre que possível. Kyzailbay chegou a se desequilibrar, bater nas cordas e voltar, mas o árbitro da luta não abriu contagem.

A brasileira acertou um bom volume de golpes, mas não foi o suficiente para virar o combate, com quatro juízes dando vitória novamente à cazaque no último round e eliminando a brasileira das Olimpíadas.

Bárbara também não teve vida fácil

Na sequência do torneio nas Olimpíadas, a brasileira Barbara Maria dos Santos entrou no ringue para a sua estreia nas Olimpíadas e foi dominada pela lutadora de Taiwan Nien Chin Chen por decisão unânime dos juízes.

Chen tomou o centro do ringue e ditou o ritmo do combate no primeiro assalto. Mais forte que a brasileira, ela acertou bons golpes e não sentiu a vantagem de envergadura da brasileira. Barbara não fugiu da luta, mas não encontrou o tempo de ataque e foi castigada por cruzados e diretos quando hesitava, e Chen venceu o primeiro round por decisão unânime.

No segundo round, seguiu o mesmo ritmo do primeiro, com Chen mais ofensiva e rápida, contra a brasileira que era mais lenta com seus golpes. Barbara até chegou a acertar um bom cruzado de direita que fez a lutadora adversária cair, mas não foi aberta contagem pelo árbitro e não foi suficiente para mudar a visão dos juízes, que deram o round para a atleta de Taiwan.

Precisando de um nocaute no round final, Barbara foi para cima, combinando mais golpes, mas Chen mostrava uma esquiva eficiente e tratava apenas de administrar a vitória, praticamente garantida. Mesmo sem fazer muita coisa no round final, a taiwanesa venceu o último round de maneira unânime também.

A pugilista baiana de 33 anos de idade se emocionou ao dar entrevista após o revés que encerrou sua primeira participação nas Olimpíadas prematuramente.

“Apesar da derrota, é a gratidão, porque só eu e Deus sabemos o trajeto que percorri até aqui. Foi tudo muito difícil, tudo muito árduo, porque a vida de um atleta nunca é fácil. Mas me sinto com a sensação de dever cumprido, porque persisti todos esses anos, participei de competições importantíssimas, onde obtive medalhas. Nunca imaginava chegar tão longe, não pelo meu potencial, mas pelas oportunidades mesmo.

E assim como treino muito, as adversárias treinam também. E não tem como saírem dois vencedores. É eu ou ela, e hoje ela se superou, ela me superou, foi melhor que eu, e é mérito todinho dela. Só tenho que agradecer mesmo,” declarou Barbara, que deixou sua família na Bahia para treinar com a seleção em São Paulo.

“É saber que esse resultado não me define. Todos que me acompanham sabem da minha trajetória, sabem que sou dedicada. Venho de família humilde, sou a única atleta da família. Deixei minha família na Bahia, meus pais, para buscar um sonho. São dias difíceis e longe de todo mundo, mas é justamente por isso que esse gosto de estar aqui é muito mais gratificante, faz muito mais sentido,” concluiu a lutadora.

Esperança de medalha para o boxe brasileiro nas Olimpíadas

Ainda hoje, o brasileiro Keno Marley Machado entra no ringue em busca de uma vaga nas semifinais na categoria até 92 kg contra Lazizbek Mullojonov.

Uma vitória garante mais uma medalha para o Brasil na modalidade, que já tem uma medalha garantida com Bia Ferreira, que se garantiu nas semifinais da categoria até 60 kg, onde encontrará a irlandesa Kellie Harrington, que derrotou a brasileira na disputa pelo ouro nos Jogos de Tóquio 2020.