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Futebol Brasileirão Libertadores

Palmeiras encontra na bola parada algo que pode salvar fase ruim, mas até quando?

O Palmeiras está vivo. Em uma noite de Libertadores daquelas que exigem mais força mental do que brilho, o time de Abel Ferreira venceu o Cerro Porteño por 1 a 0, em Assunção, e garantiu presença nas quartas de final da competição. O resultado encerra uma sequência preocupante e dá um respiro ao elenco, mas também não apaga completamente os problemas apresentados nas últimas semanas.

A classificação veio exatamente da maneira que o Palmeiras precisava. Jogando em um Nueva Olla lotado, sob chuva e pressionado pela necessidade de vencer, a equipe mostrou competitividade, soube sobreviver aos momentos difíceis e aproveitou uma de suas principais armas: a bola parada. Arias cobrou escanteio e Gustavo Gómez, novamente decisivo pelo alto, marcou o gol que colocou o Verdão nas quartas.

É uma vitória importante, principalmente pelo contexto. Depois de quatro jogos sem vencer e de atuações que aumentaram a pressão sobre Abel Ferreira e alguns jogadores, o Palmeiras respondeu em uma competição que conhece muito bem. Mas a classificação também deixa uma questão para os próximos desafios: encontrar soluções na bola parada é uma virtude, mas até quando ela será suficiente para compensar os problemas técnicos e criativos do time?

A bola parada como solução para um ataque que ainda não engrenou

O Palmeiras teve dificuldades para jogar no início da partida. O Cerro Porteño pressionava, a atmosfera do estádio pesava e o time brasileiro demorou para encontrar espaços. As primeiras tentativas de ligação direta não funcionaram, com Vitor Roque tendo dificuldades para receber em boas condições e Flaco López sendo bem marcado pelo lado direito.

A equipe começou a crescer apenas quando conseguiu avançar suas linhas e empurrar o Cerro para trás. Murilo passou a participar mais da construção, Lucas Evangelista encontrou maior espaço e o Palmeiras conquistou o escanteio que decidiu a partida. Aos 41 minutos, Arias levantou a bola na área e Gómez apareceu para cabecear e marcar.

Não foi um lance isolado. No segundo tempo, Murilo também teve uma boa oportunidade pelo alto, enquanto Gómez voltou a aparecer em outra cabeçada perigosa. O Palmeiras encontrou na bola aérea uma maneira de machucar o adversário porque, com a bola rolando, continuou enfrentando dificuldades para construir oportunidades realmente claras. E esse é justamente o ponto que precisa preocupar.

A classificação não pode esconder a fase técnica do Palmeiras

Vencer o Cerro Porteño fora de casa nunca é algo simples, especialmente em um jogo de mata-mata de Libertadores. Abel Ferreira, inclusive, montou uma equipe preparada para competir fisicamente e suportar a intensidade da partida. A volta do sistema com três zagueiros deu mais segurança defensiva, e o Palmeiras soube administrar melhor os momentos em que precisou jogar sem a bola.

O problema é que o Palmeiras ainda parece distante de seu melhor futebol. A classificação veio, mas o desempenho ofensivo continuou abaixo do esperado para um elenco com tantas opções. Vitor Roque mostrou movimentação e ajudou a carregar a marcação adversária, Flaco López teve algumas participações, mas o time novamente criou pouco a partir de jogadas trabalhadas.

As alterações de Abel também deixaram clara a prioridade da noite. As entradas de Bruno Fuchs, Giay, Emiliano Martínez e Luis Pacheco tiveram mais relação com a necessidade de manter intensidade e proteção do que com uma tentativa de tornar o Palmeiras mais criativo. Era preciso sustentar a vantagem, e o treinador escolheu o caminho mais seguro. Funcionou, mas os minutos finais mostraram que o time ainda sofreu mais do que deveria.

Carlos Miguel responde, mas Palmeiras precisa ir além da sobrevivência

Depois de falhas recentes que haviam custado caro, Carlos Miguel teve uma noite importante em Assunção. Nos minutos finais, quando o Cerro Porteño tentou transformar a pressão em um gol que poderia mudar completamente o confronto, o goleiro apareceu para fazer defesas decisivas e preservar a vitória palmeirense.

A resposta de Carlos Miguel simboliza bem o espírito do Palmeiras na partida. Depois de uma sequência negativa, era necessário que jogadores pressionados dessem uma resposta imediata. Gómez decidiu novamente, a defesa conseguiu resistir e o goleiro apareceu quando foi exigido. Em um mata-mata, esse tipo de atuação pode ser suficiente para mudar o ambiente de um clube.

Mas o Palmeiras não pode transformar a sobrevivência em modelo de jogo. A bola parada pode decidir partidas grandes, e Gustavo Gómez é uma das maiores armas do futebol sul-americano nesse aspecto. Abel Ferreira sabe explorar isso como poucos. A questão é que depender constantemente de escanteios, faltas laterais e da força física da defesa pode não ser sustentável contra adversários mais qualificados nas próximas fases.

A classificação às quartas de final é, portanto, um alívio e uma demonstração da força competitiva do Palmeiras. O time chegou pela 14ª vez às quartas da Libertadores, tornando-se isoladamente o clube brasileiro com mais presenças nesta fase. É um número que reforça o peso do atual ciclo na competição.

Agora, porém, o Palmeiras precisa transformar a vitória em Assunção em um ponto de partida. A bola parada pode salvar uma noite, como salvou diante do Cerro Porteño. Pode até decidir um título. Mas, se o Verdão quiser voltar a jogar o futebol que o colocou entre os principais times do continente, precisará recuperar também sua criatividade, intensidade com a bola e capacidade de controlar os jogos. Porque, em uma Libertadores cada vez mais equilibrada, uma cabeçada de Gómez nem sempre estará lá para resolver tudo.

Foto: Estadão Conteúdo