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Cruzeiro mostra que ideia de jogo de Artur Jorge já está assimilada e cresce cada vez mais; confira

O Cruzeiro de Artur Jorge está chegando ao momento mais fundamental da temporada em alta. Mesmo com um time alternativo, a Raposa venceu o Corinthians fora de casa e mostrou que sua identidade não depende apenas dos titulares. Agora, o desafio é transformar essa força coletiva em uma classificação contra o Flamengo.

O clube mineiro encontrou uma maneira bastante interessante de chegar ao jogo mais importante da semana. Em vez de colocar força máxima contra o Corinthians e correr o risco de desgastar seus principais jogadores, Artur Jorge optou por preservar boa parte dos titulares e, ainda assim, viu a equipe sair da Neo Química Arena com uma vitória por 2 a 1.

Mais do que os três pontos no Brasileirão, o resultado mostrou algo que pode ser ainda mais valioso para a sequência da temporada: a ideia de jogo do treinador português parece estar cada vez mais assimilada pelo elenco.

Mesmo com várias mudanças na escalação, o Cruzeiro conseguiu manter comportamentos semelhantes aos apresentados pela equipe principal. Houve organização, capacidade para competir fora de casa e, principalmente, eficiência nos momentos decisivos. A vitória levou a Raposa aos 36 pontos e manteve o time no G-5 do Brasileirão.

E isso aconteceu justamente antes de uma partida que vale muito mais do que três pontos.

Artur Jorge mudou os jogadores, não a identidade

O planejamento de Artur Jorge para enfrentar o Corinthians foi claro: preservar os principais jogadores pensando no duelo contra o Flamengo pela Libertadores.

Apenas Otávio, Jonathan Jesus e Kaio Jorge começaram entre os titulares habituais, enquanto o restante da equipe recebeu uma oportunidade. O Corinthians, por outro lado, entrou em campo com força máxima. Mesmo assim, o Cruzeiro conseguiu competir e, no fim, venceu por 2 a 1.

Esse detalhe ajuda a entender o momento da Raposa.

Quando um treinador muda praticamente metade da equipe e o time continua apresentando comportamentos reconhecíveis, existe um sinal de que o trabalho está começando a criar raízes. Não é mais apenas o time titular que sabe o que precisa fazer. Os reservas também parecem entender quais espaços ocupar, como pressionar e de que maneira atacar.

Artur Jorge, inclusive, destacou justamente a manutenção da identidade mesmo com as mudanças na escalação. Para ele, o Cruzeiro conseguiu preservar sua forma de jogar e foi eficiente nas oportunidades que criou.

Isso pode fazer uma diferença enorme em uma temporada com calendário pesado.

Heróis improváveis mostram a força do elenco

Se alguém apostasse antes da partida que Bruno Rodrigues e Wanderson seriam os responsáveis pelos gols da vitória, provavelmente não teria encontrado muita gente disposta a colocar dinheiro nisso. Pois foram justamente eles.

Bruno Rodrigues abriu o placar e Wanderson marcou o gol da vitória, aos 35 minutos do segundo tempo, depois de receber assistência de Lucho Rodríguez. Gustavo Henrique descontou para o Corinthians, mas o Cruzeiro conseguiu segurar o resultado até o apito final.

O detalhe mais interessante é que os dois atacantes vinham sendo questionados. Em vez de simplesmente confirmar a dependência dos principais nomes, o Cruzeiro encontrou respostas justamente em jogadores que precisavam recuperar confiança.

É o tipo de situação que fortalece um elenco.

Porque, em uma temporada normal, já seria importante ter reservas capazes de entrar e manter o nível. Em uma temporada com Brasileirão, Libertadores e outras decisões pelo caminho, isso deixa de ser luxo e passa a ser necessidade.

Artur Jorge está descobrindo isso na prática.

Cruzeiro não precisa de 11 titulares

Esse talvez seja um dos maiores sinais de evolução do trabalho.

O Cruzeiro não ganhou do Corinthians porque colocou em campo uma versão quase completa de sua equipe principal. Ganhou porque conseguiu montar uma equipe competitiva com jogadores que normalmente têm menos minutos. E isso permite ao treinador administrar o calendário de uma maneira muito mais inteligente.

A sequência atual é brutal. Depois do primeiro jogo contra o Flamengo, que terminou empatado por 1 a 1, o Cruzeiro precisou viajar para São Paulo e enfrentar o Corinthians. Agora, volta suas atenções para o jogo decisivo da Libertadores no Rio de Janeiro. Depois ainda terá compromissos importantes pelo Brasileirão e pela Copa do Brasil.

Não existe físico que aguente esse calendário se o treinador não puder rodar o elenco.

Por isso, a vitória na Neo Química Arena vale também como teste de resistência. Artur Jorge conseguiu poupar peças importantes sem abrir mão da competitividade.

É exatamente o que um time que pretende disputar títulos precisa fazer.

Defesa também está dando respostas

Outro ponto importante é que o Cruzeiro não precisou transformar o jogo contra o Corinthians em uma loucura ofensiva para vencer.

O time sofreu momentos de pressão, especialmente depois do empate, mas conseguiu reorganizar suas linhas e voltou a controlar o confronto na reta final. O goleiro Otávio também teve papel importante e foi destacado pelo desempenho na partida.

Isso conversa com uma característica importante do trabalho de Artur Jorge: o Cruzeiro não depende apenas de atacar bem.

A equipe sabe que precisa controlar os espaços e entender quando acelerar e quando diminuir o ritmo. Parece simples, mas é justamente esse tipo de comportamento que costuma separar equipes interessantes de times realmente preparados para jogar decisões.

Contra o Flamengo, isso será ainda mais importante. O adversário possui jogadores capazes de transformar poucos segundos de liberdade em uma chance clara. Dar campo demais ao time carioca pode ser um convite ao desastre.

Lucho Rodríguez também surge como alternativa

A partida contra o Corinthians ainda serviu para apresentar uma possibilidade interessante para Artur Jorge.

Lucho Rodríguez teve uma estreia promissora e participou diretamente do gol da vitória ao dar a assistência para Wanderson. O atacante mostrou que pode acrescentar qualidade técnica ao setor ofensivo e, principalmente, aumentar o número de opções disponíveis para o treinador.

Esse é outro aspecto que merece atenção.

Um elenco que pretende sobreviver a uma sequência de partidas decisivas precisa de jogadores capazes de aparecer quando o contexto exige. Não necessariamente como protagonistas absolutos, mas como peças capazes de mudar o ritmo de uma partida.

Contra o Corinthians, foi exatamente isso que aconteceu.

O Cruzeiro encontrou seus gols em jogadores que não carregavam o peso das principais expectativas e ainda teve Lucho Rodríguez participando da jogada decisiva. A mensagem para Artur Jorge é bastante positiva: há mais alternativas do que talvez parecesse algumas semanas atrás.

Agora vem o verdadeiro teste

Tudo isso é muito bom, mas existe uma diferença enorme entre vencer o Corinthians no Brasileirão e eliminar o Flamengo na Libertadores.

O Cruzeiro terá pela frente um adversário tecnicamente muito forte e que também chega embalado. O primeiro confronto terminou empatado por 1 a 1 no Mineirão, deixando a decisão completamente aberta para o Maracanã. Um novo empate leva a disputa para os pênaltis.

É justamente nesse cenário que a evolução do Cruzeiro será colocada à prova.

Artur Jorge não terá apenas que preparar o time taticamente. Precisará administrar emocionalmente uma partida de enorme pressão, em um estádio lotado e diante de um adversário acostumado a jogar esse tipo de confronto. Mas existe uma diferença em relação ao Cruzeiro de alguns meses atrás.

Agora, a equipe parece saber exatamente o que quer fazer. E isso é muito importante em mata-mata.

Raposa chega mais madura para a decisão

A vitória sobre o Corinthians também mostrou que o Cruzeiro ganhou uma espécie de “casca”. O time foi capaz de jogar fora de casa, sofrer em alguns momentos, reagir ao empate e encontrar novamente o caminho da vitória.

Mais importante: fez tudo isso sem colocar em campo sua força máxima. Esse é um dos maiores indicadores de que a ideia de Artur Jorge está sendo assimilada.

Quando a estrutura permanece mesmo com mudanças de jogadores, o treinador passa a ter muito mais liberdade. Pode poupar titulares, corrigir problemas durante os jogos e utilizar o banco sem precisar mudar completamente a identidade da equipe.

Foi exatamente o que aconteceu na Neo Química Arena. E, se os jogadores que estavam sendo questionados agora começam a decidir partidas, melhor ainda.

Flamengo vai descobrir um Cruzeiro diferente

O primeiro jogo entre Cruzeiro e Flamengo terminou empatado e mostrou um confronto bastante equilibrado. Na ocasião, a Raposa abriu o placar com um golaço de Arroyo, enquanto o Flamengo respondeu com Lucas Paquetá.

Agora, o cenário é diferente.

O Cruzeiro chega ao Maracanã depois de uma vitória fora de casa com uma equipe alternativa. Artur Jorge conseguiu descansar boa parte de seus principais jogadores, ganhou confiança de atletas que precisavam de uma resposta e ainda manteve o time no G-5 do Brasileirão.

É uma combinação bastante interessante. Não significa que o Cruzeiro seja favorito. Longe disso. Mas significa que o Flamengo terá pela frente uma equipe que parece cada vez mais confortável com aquilo que seu treinador pede.

A ideia de Artur Jorge deixou de ser apenas uma teoria treinada durante a semana. Ela já aparece em campo mesmo quando os protagonistas mudam E esse talvez seja o maior elogio que um treinador pode receber.

O Cruzeiro não está apenas crescendo porque seus melhores jogadores estão bem. Está crescendo porque o elenco inteiro parece entender o caminho.

Agora, falta descobrir se essa evolução será suficiente para transformar a boa fase em classificação. Contra o Flamengo, a Raposa terá sua primeira grande prova de fogo. E, desta vez, Artur Jorge não precisará de heróis improváveis.

Precisará apenas que todos os jogadores façam aquilo que já aprenderam a fazer.

Foto: Marco Galvão/Cruzeiro