A presidente Leila Pereira afirmou que o Palmeiras deve encaminhar até o começo de outubro quais marcas vão patrocinar o uniforme do time masculino a partir de 2025. Tudo indica que que Crefisa e Faculdade das Américas, empresas da dirigente, não estejam estampadas na camisa alviverde após uma década.
No evento de lançamento da sua candidatura à reeleição, realizado na noite desta segunda-feira, Leila se esquivou de citar valores. Porém, de acordo com apuração do ge, o objetivo palmeirense é buscar algo próximo de R$ 150 milhões em novas parcerias, sem o acordo de exclusividade, com tem sido com as atuais patrocinadoras.
Este plano pode trazer um aumento significativo de recursos ao Palmeiras, que recebe anualmente R$ 81 milhões fixos do contrato com a Crefisa e Faculdade das Américas, podendo chegar a R$ 120 milhões com bônus por conquistas. O valor é aplicado desde 2019 e foi mantido sem reajuste na renovação de 2021 para todas as áreas do uniforme.
O departamento de marketing do Verdão já se encontra em fase final na concorrência das marcas intencionadas a patrocinar o clube. Os nomes dos interessados são mantidos em sigilo. Para atingir os R$ 150 milhões, a ideia é buscar diferentes empresas para todas as áreas disponíveis no uniforme.
Por contrato, Crefisa e FAM podem cobrir o que for ofertado, porém, ambas sinalizam que não devem ficar nem com áreas menores do uniforme na próxima temporada.
– Meu diretor de marketing (Everaldo Coelho da Silva) está no mercado, buscando parceiros. Daqui uns 10 dias isso vai estar resolvido com relação a valores. E aí se a Crefisa decidir cobrir a proposta, vou submeter o meu valor para o Conselho de Orientação e Fiscalização, porque eu não posso, eu presidente do Palmeiras, aceitar uma proposta da Crefisa – declarou Leila.
A decisão de levar a proposta ao COF do Palmeiras se dá pelo motivo de Leila ser presidente do clube, da Crefisa e da FAM. Essa relação é o fato que opositores afirmam gerar o maior conflito de interesses da atual gestão.
Todas as negociações realizadas até hoje foram com Leila como patrocinadora, enquanto o Palmeiras tinha como seus presidentes Paulo Nobre e Maurício Galiotte. A última renovação com Crefisa e FAM, ocorrida no final de 2021, foi feita na reta final da administração de Galiotte, às vésperas da eleição presidencial vencida por Leila.
– Acho saudável que tenha-se outros parceiros. É um pequeno spoiler que eu estou dando para vocês. Acho saudável. Acredito que tudo na vida tem um ciclo. Eu acho que o ciclo da Crefisa pode estar se encerrando – avaliou Leila.
Eu acho que tudo tem um ciclo na vida. Das minhas empresas, nós fizemos muito pelo Palmeiras. O Palmeiras também fez muito pelas minhas empresas. Mas eu vou te falar uma coisa. Pode ser que a Crefisa saia da camisa do Palmeiras, mas o Palmeiras jamais vai sair da vida da presidente da Crefisa. O que eu puder ajudar como presidente, ou mesmo não sendo presidente do Palmeiras, eu vou continuar colaborando – completou.
Em julho, o Alviverde teve outra negociação importante, com a Puma, para renovar o fornecimento de material esportivo. O acordo, válido até o fim de 2028, renderá mis de R$ 40 milhões por ano ao clube.
Casas de apostas são avaliadas com cautela
Em agosto, as casas de aposta Esportes da Sorte – já patrocinadora do futebol feminino – e Betnacional manifestaram interesse em concorrer ao patrocínio, mas não tiveram abertura suficiente no clube e desistiram do negócio.
A desistência de ambas gerou a discussão se o Palmeiras estava fechando portas para casas de apostas, que nos últimos anos tem sido protagonistas em investimentos no futebol brasileiro. Por conta deste cenário envolvendo altas quantias, o clube mantém conversas com “bets”, porém de forma cautelosa, avaliando a trajetória das empresas.
A decisão de avaliar se tornou ainda mais importante nos bastidores do Verdão logo após a própria Esportes da Sorte, virar alvo de investigação da Polícia Civil de Pernambuco, na operação “Integration”.
Dívida do Palmeiras com a Crefisa se aproxima do fim
O ano de 2024 não deve ser o último somente da parceria entre Palmeiras e Crefisa, como também será o último de dívida do clube com a patrocinadora pelo aporte na contratação de atletas. O valor devido reduziu para abaixo dos R$ 10 milhões no início do segundo semestre. De acordo com o balancete de julho, o clube precisa pagar R$ 9,3 milhões para a empresa.
A projeção é a de que o valor seja quitado até o final deste ano – em julho, o clube devolveu pouco mais de R$ 2 milhões. Neste momento, a dívida já se encontra zerada no passivo não circulante (a longo prazo), restando apenas no circulante (a curto prazo).
O débito chegou a atingir R$ 172,1 milhões no fim de 2019 e desde então vem reduzindo, porque o Palmeiras também não utiliza mais aportes da empresa para contratar jogadores. Além das vendas dos atletas contratados com o aporte, o clube tem reduzido a dívida com os bônus pagos pela empresa após conquistas de títulos.