Vitor Roque virou um problema no Palmeiras não porque tenha deixado de ser um jogador importante, mas porque passou a entregar muito menos do que se esperava dele.
Em 30 jogos na temporada, são sete gols e uma assistência. Desde que se firmou como profissional, em 2022, é a segunda pior temporada em produção. A pior foi 2023/24, quando não conseguiu espaço no Barcelona. No Palmeiras, em 2025, o cenário era completamente diferente: 20 gols e cinco assistências em 56 partidas.
A queda é grande demais para ser tratada apenas como uma fase ruim.
O Palmeiras não pode desistir de Vitor Roque
A solução mais óbvia seria deixar o atacante no banco até que volte a apresentar rendimento. Mas o Palmeiras precisa pensar além disso.
Vitor Roque já mostrou que consegue produzir pelo clube. Em 2025, foi importante no ataque e formou com Flaco López uma dupla que funcionou. Por isso, o momento atual não deveria levar o Palmeiras a descartar o jogador, mas a encontrar uma maneira de fazê-lo recuperar o nível que já apresentou.
E isso não precisa acontecer com a devolução imediata da titularidade.
O atacante pode recuperar espaço aos poucos, ganhar minutos e voltar a participar de jogos que favoreçam sua confiança. O Palmeiras tem elenco suficiente para administrar esse processo sem abrir mão do rendimento.
Flaco López mudou o cenário
O problema é que, enquanto Vitor Roque caiu de produção, Flaco López fez exatamente o contrário. O argentino chegou a 21 gols e nove assistências em 2026 e renovou seu contrato com o Palmeiras até 2030. Mais do que os números, ganhou confiança, protagonismo e espaço no time.
Isso cria um dilema para Abel Ferreira.
Não faria sentido tirar Flaco da equipe apenas para tentar recuperar Vitor Roque. O Palmeiras disputa títulos e precisa escalar quem oferece mais rendimento no momento. Ao mesmo tempo, também seria precipitado transformar o “Tigrinho” definitivamente em uma peça secundária.
A solução pode estar justamente na concorrência.
Recuperar sem forçar
O Palmeiras não precisa escolher entre os dois atacantes. Precisa fazer com que a disputa seja saudável e produtiva. A dupla já funcionou no passado, e Abel chegou a avaliar novamente a possibilidade de utilizá-los juntos. Mas existe uma diferença entre ter dois jogadores capazes de dividir o ataque e montar o time exclusivamente para recuperar um deles.
Vitor Roque precisa recuperar confiança, ritmo e eficiência. Isso também passa pelo próprio jogador. Abel pode criar condições, mas não consegue finalizar as oportunidades por ele.
O empate com o Santos pela Copa do Brasil reforçou essa questão. Roque entrou no segundo tempo e teve oportunidade para marcar, mas não conseguiu aproveitar. O Palmeiras avançou, mas a baixa eficiência ofensiva do atacante continua sendo um ponto de atenção.
O Palmeiras precisa recuperar o jogador, não o investimento
Há outro erro que o clube precisa evitar: transformar o valor pago por Vitor Roque em obrigação de escalação. O investimento foi alto, mas não pode determinar sozinho quem joga. Se Flaco estiver melhor, deve jogar. Se Roque voltar a apresentar o futebol de 2025, deve recuperar espaço.
O objetivo não é justificar uma contratação. É fazer o Palmeiras ficar mais forte.
E existe motivo para acreditar que isso seja possível. Vitor Roque tem apenas 21 anos e já mostrou que consegue ser decisivo. A temporada atual é ruim em comparação com seu próprio padrão, mas não apaga o que produziu anteriormente.
Nos últimos 16 jogos, marcou apenas uma vez, contra o Vasco, em 23 de agosto. Antes disso, havia feito gol somente diante do Novorizontino, em março. A sequência exige reação, mas não necessariamente uma mudança radical.
O verdadeiro desafio de Abel
O caso Vitor Roque é, no fundo, um teste para a capacidade do Palmeiras de administrar seu próprio elenco. Abel não precisa escolher entre confiança e desempenho. Pode cobrar Roque sem abandoná-lo, enquanto mantém Flaco como uma das principais referências ofensivas do time.
Essa talvez seja a melhor maneira de resolver o chamado “problema” Vitor Roque: não tratá-lo como um jogador que precisa ser recuperado a qualquer custo, nem como alguém que perdeu definitivamente seu lugar.
O Palmeiras tem uma vantagem que poucos clubes possuem: tempo, elenco e alternativas para fazer essa recuperação sem comprometer o presente.
Se conseguir transformar a má fase de Roque em combustível para uma nova disputa por espaço, o problema pode acabar virando solução. Para um time que ainda está vivo nas principais competições da temporada, ter dois centroavantes brigando pelo protagonismo é muito melhor do que depender de apenas um.
Foto: Rafael Vieira/AGIF



