O fato do Palmeiras ter definido a classificação fora de casa diante do Universitario com goleada por 4 a 0 contra o adversário mais acessível nas oitavas de final da Libertadores permitia que o alviverde aproveitasse a tranquilidade do ambiente no Allianz Parque para promover testes e descansar os principais jogadores. Porém, o técnico Abel Ferreira provavelmente ficou preocupado com uma possível desconcentração e desmobilização do novo time titular que conseguiu encaixar tendo dois centroavantes em campo e priorizando jogadas por dentro, fato que levou à uma decisão de escalar praticamente todos os titulares mesmo com a classificação definida por antecipação.
Infelizmente para o torcedor e toda comissão técnica, o empate sem gols contra os peruanos em São Paulo acabou deixando poucas impressões positivas, com um desempenho abaixo da média, criando uma sensação de oportunidade perdida para promover jogadores do elenco que estão sendo pouco utilizados pensando em minutagem. Um dos poucos poupados consistiu em Piquerez, que cedeu seu espaço para Micael improvisado em uma linha de quatro defensores, participando também das ações ofensivas ao lado de Gómez e Murilo. Além disso, Allan surgiu no lugar de Lucas Evangelista fazendo dupla com Emilinao Martínez, tendo Giay e Filipe Anderson atuando como alas nas fases ofensivas e Flaco López atrás de Vitor Roque no ataque.
Palmeiras optou por manter boa parte do XI titular

Os testes foram muito pontuais com poucas mudanças na escalação do Palmeiras, mas a baixa intensidade contribuiu com diversos erros técnicos no domínio da posse de bola no meio-campo e no ataque, permitindo que os zagueiros fossem os líderes em passes trocados durante a partida. A partir deste cenário, tivemos o retorno do “velho Palmeiras” na temporada, com o grande excesso de cruzamentos sendo lançados na área em busca de Vitor Roque. Contudo, o grande problema durante o “jogo treino” consistiu nos espaços cedidos defensivamente durante a sequência da partida, principalmente com a saída de Allan no intervalo devido ao cartão amarelo recebido.
Surpreendentemente, o Universitario aproveitou o cenário desenhado pelo Verdão e cresceu muito de produção no segundo tempo tentando buscar ao menos uma vitória simples. Foram ao todo 17 finalizações dos peruanos mesmo com baixa posse de bola (36%), conseguindo incomodar muito nas transições em velocidade. Cabe ressaltar que o Universitario chegou a marcar um gol com somente oito minutos de jogo, mas a arbitragem anulou após VAR recomendar revisão por um jogador impedido que supostamente teria atrapalhado o movimento de Weverton.
Considerando que Flaco López não conseguiu causar impacto devido ao baixo ritmo de intensidade e muitas falhas de passe com seus companheiros e Vitor Roque foi pouco acionado, a única boa notícia consistiu na entrada do jovem Khellven no lugar de Giay a partir dos 27 minutos do segundo tempo, contribuindo mais nas tentativas de finalização devido à força ofensiva demonstrada pelo lado direito, mostrando que Abel Ferreira poderá utilizá-lo em oportunidades futuras dependendo do adversário e da estratégia.
Apesar da atuação muito abaixo e da baixa produção ofensiva, o Palmeiras obviamente foi muito aplaudido por sua torcida por não levar gols e avançar com tranquilidade para as quartas de final, onde terá um desafio muito mais complicado contra o River Plate, apesar de ser favorito.
Imagem: AGIF