O Vasco começou a semana na 19ª colocação do Brasileirão, com 22 pontos em 23 jogos disputados. Agora, são oito partidas consecutivas sem vencer na competição e com direito a goleada sofrida pelo Palmeiras, por 4 a 1, no Nubank Parque. No entanto, as notícias que envolvem o Cruzmaltino preocupam não somente pelo desempenho dentro de campo, mas fora dele também.
Os “tempos difíceis” dos vascaínos não se limitam a esfera futebolística, mas também na esfera administrativa que só afunda o time na zona de rebaixamento. Apesar da equipe estar viva na Sul-Americana e na Copa do Brasil, no Campeonato Brasileiro o Vasco vive uma outra realidade, que mesmo que tecnicamente tenha melhorado de forma mínima, estar longe de ser suficiente para tirar a equipe da degola.
Goleada sofrida piora o cenário

A derrota de ontem, por 4 a 1, para o Palmeiras só serviu para piorar aproveitamento do Vasco. Dos 24 pontos disputados, o time só conquistou dois, o que nos leva a um percentual de 8,3%. Até mesmo a Chapecoense, lanterna do campeonato, teve um rendimento melhor, já que conquistou uma vitória e um empate.
Em termos de resultado, parece que nada mudou. Dentro de campo, houve um avanço, mas ainda mínimo perante ao que precisam fazer. O técnico Pedro Emanuel foi o grande responsável pela classificação para a próxima fase da Sul-Americana, mas precisa extrair ainda mais de um elenco limitado. O jogo contra o Palmeiras foi um retrato fiel desta condição.
O primeiro tempo foi relativamente equilibrado, o Vasco teve boas chances de marcar. Thiago Mendes parou em Carlos Miguel, e David pecou na leitura de duas jogadas construídas, estando em condição de impedimento em ambas.
As palavras de Emanuel podem resumir bem os “desperdícios de oportunidades”, mas não se trata somente de precisão dos arremates, mas também no posicionamento e timing dos jogadores — um defeito crônico, principalmente de David.
Após o intervalo, o Vasco perdeu a concentração e foi praticamente trucidado pelo Palmeiras em questão de dez minutos. Nesse corte temporal, o Cruzmaltino sofreu três gols — o primeiro dos dois anotados por Flaco López, o pênalti convertido por Vitor Roque e o chute de Maurício que contou com uma falha do goleiro Léo Jardim.
A única vez que o time foi eficiente, foi para descontar o prejuízo com Facundo Colidio. O primeiro gol do argentino poderia ter vindo em uma ocasião melhor, mas ficou em segundo plano frente a performance decepcionante da equipe em São Paulo.
Pior é que, antes da sequência de oito jogos, o time ocupava a oitava colocação, três pontos de vantagem em relação a zona de rebaixamento. Hoje, o Vasco está em penúltimo lugar, três abaixo do último time fora da degola.
Tentativa de reestruturação financeira é uma outra frente do Vasco
É fato que o Vasco está planejando se reerguer administrativamente e financeiramente. Nas últimas semanas, as tentativas de realizar o jogo da Copa do Brasil, contra o Vitória, no Maracanã e diplomacia dos Lamacchias, os torcedores pareceram se ater pouco a situação do clube no Brasileirão.
Antes do jogo contra o Palmeiras, o que mais chamava atenção não era o time que ia entrar em campo — e sim, um dirigente que está em vias de assumir o clube numa gestão SAF apresentada por ele mesmo. Se o objetivo de Marcos Lamacchia era atrair os holofotes para sua figura, ele conseguiu, contudo, pareceu ser uma alegria em ‘timing’ errado.
Marcos é filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, com Junia Faria, herdeira do Banco Alfa. Só que essa questão tomou conta do noticiário vascaíno mais do que deveria. O presidente do clube de São Januário, Pedrinho, parece estar mais focado a superar os imbróglios para que os “Lamacchias” assumissem o controle da SAF, do que com o desempenho da equipe dentro de campo.
Se a prioridade do clube é reerguer-se, que faça isso com rapidez. Pois, o momento não está próprio para um “abandono da gestão desportiva”, — por sinal, nunca foi. Mas certamente se a luta não der resultado, tudo será em vão, e a instituição Vasco da Gama poderá acumular mais problemas na gestão e na iminência de ser rebaixado pela quinta vez no século.
Créditos da foto de capa: Matheus Lima/Vasco



