O Palmeiras venceu a LDU por 1 a 0 e fez o que precisava fazer no primeiro jogo das quartas de final da Libertadores. Ainda assim, a sensação depois dos 90 minutos no Nubank Parque é de que o time de Abel Ferreira poderia ter construído uma vantagem bem mais confortável para a viagem a Quito.
Não porque tenha feito uma partida perfeita, longe disso, mas porque foi superior durante boa parte do confronto, controlou as ações, encontrou espaços e criou oportunidades suficientes para marcar mais de uma vez. O resultado é positivo, principalmente pela ausência de gol sofrido, mas não traduz completamente a diferença apresentada pelas duas equipes em campo.
E é justamente aí que está o ponto mais interessante da atuação palmeirense: o time jogou para vencer por mais, mas terá de defender uma vantagem mínima em um cenário completamente diferente na próxima semana.
Giay aproveita a liberdade e se torna protagonista
A volta ao sistema com três zagueiros funcionou especialmente bem quando os alas tiveram liberdade para participar do ataque, e Giay foi o melhor exemplo disso. O argentino apareceu constantemente pelo lado direito, ocupou espaços avançados e participou de diferentes movimentos ofensivos até ser recompensado com seu primeiro gol pelo Palmeiras.
A jogada do 1 a 0 também mostra a importância de Vitor Roque nesse modelo. O atacante atacou o espaço, ganhou do marcador e finalizou forte. Valle conseguiu defender, mas Giay apareceu livre para aproveitar o rebote e colocar o Palmeiras na frente.
O gol foi consequência da pressão que o Palmeiras vinha exercendo e, ao mesmo tempo, premiou uma atuação bastante participativa de Giay. O lateral não ficou limitado à função de marcar e mostrou que pode ser uma peça importante quando recebe liberdade para atacar.
Vitor Roque, por sua vez, não teve uma noite brilhante na finalização, mas entregou algo importante ao funcionamento do ataque: movimentação, profundidade e capacidade de incomodar os zagueiros da LDU. Arias também teve participação relevante, aparecendo na construção das jogadas, nas bolas paradas e nas tentativas de finalização.
Palmeiras criou para fazer mais gols
O problema é que toda essa superioridade não terminou em um placar proporcional.
O Palmeiras teve mais posse, finalizou muito mais e chegou com frequência ao campo ofensivo. Em determinados momentos, a LDU simplesmente teve de se defender e contar com Valle para evitar um prejuízo maior.
Por isso, o 1 a 0 deixa uma pequena frustração. Não pelo resultado em si, que é bom, mas pela oportunidade perdida de tornar o jogo de volta menos dramático.
Em um confronto normal, talvez fosse possível olhar para isso apenas como falta de eficiência. Em uma eliminatória que será decidida em Quito, porém, cada gol que ficou pelo caminho ganha um peso diferente.
Valle foi importante para a LDU, mas o Palmeiras também poderia ter sido mais preciso nas próprias decisões. Houve boas construções que terminaram em finalizações pouco eficientes e momentos em que o time chegou perto do segundo gol, mas não conseguiu transformar a pressão em uma vantagem maior.
LDU sobrevive e mostra que ainda pode complicar
Apesar da superioridade brasileira, a LDU não pode ser descartada. O time equatoriano passou boa parte do jogo se defendendo, mas mostrou capacidade para aproveitar os espaços quando o Palmeiras perdeu organização.
O erro de Carlos Miguel na saída de bola foi um exemplo claro disso. Em outro momento, a LDU conseguiu acelerar uma transição e ficou muito perto de encontrar o empate.
São sinais que precisam ser considerados por Abel Ferreira antes da partida de volta. O Palmeiras teve controle, mas não foi dominante a ponto de eliminar completamente os riscos.
E isso tende a ser ainda mais importante em Quito.
A vantagem existe, mas a classificação está longe de definida
O Palmeiras vai para o Equador com uma vantagem que certamente gostaria de ter, mas provavelmente gostaria que ela fosse maior. O 1 a 0 permite administrar o confronto, enquanto a LDU terá de se expor para buscar o resultado. Ao mesmo tempo, jogar no Casa Blanca, com a altitude, muda completamente as condições da partida.
O Palmeiras já conhece esse cenário. Em 2025, perdeu por 3 a 0 para a LDU em Quito e precisou de uma atuação histórica no jogo de volta para reverter a eliminatória. A lembrança serve como alerta, não como roteiro para o que acontecerá desta vez.
A grande questão agora será saber se o Palmeiras conseguirá transportar para o Equador a organização que apresentou em São Paulo sem depender do mesmo volume ofensivo. É provável que tenha menos posse, sofra mais pressão e precise escolher melhor os momentos para atacar.
Por isso, a vitória desta quarta-feira pode ser vista como um resultado bom, mas não como um resultado que permita ao Palmeiras respirar aliviado. Abel encontrou boas respostas no sistema com três zagueiros, Giay aproveitou a oportunidade, Vitor Roque mostrou utilidade e a equipe conseguiu sair sem sofrer gols, fatores que colocam o Verdão em uma posição interessante para a volta.
O que ficou pelo caminho foram os gols que poderiam transformar essa posição em algo muito mais confortável.
O Palmeiras fez por merecer a vitória e, em boa parte do jogo, fez por merecer uma vantagem maior. Agora terá de descobrir se o 1 a 0 será suficiente para sobreviver ao jogo que realmente colocará essa vantagem à prova.
Foto: Divulgação/Palmeiras/X



