Em uma partida marcada por equilíbrio, marcação intensa e dois pênaltis decisivos, o Palmeiras superou o Sport por 2 a 1 na noite deste domingo, na Ilha do Retiro, e conquistou sua primeira vitória no Brasileirão de 2025. O time alviverde abriu o placar com Flaco López na primeira etapa, viu o Sport empatar com Barletta, mas garantiu os três pontos já nos minutos finais do jogo com um pênalti convertido por Piquerez.
O resultado leva o Palmeiras aos quatro pontos na tabela, enquanto o Sport permanece com apenas um ponto somado após duas rodadas, ainda sem vencer na competição.
O jogo
O primeiro tempo começou com as duas equipes tentando se impor, mas foi o Sport quem mostrou mais iniciativa. Organizado no meio de campo e com Lucas Lima comandando as ações, o time pernambucano explorou bem o lado esquerdo com Barletta e levou perigo em chutes de fora da área e bolas levantadas. A melhor chance rubro-negra veio aos 19 minutos, quando João Silva finalizou com perigo após cruzamento, exigindo intervenção de Weverton.
O Palmeiras, por outro lado, teve dificuldades para encontrar seu ritmo. Com Felipe Anderson deslocado para a ponta e pouca conexão entre defesa e ataque, o time de Abel Ferreira viu sua criação ofensiva se limitar a lançamentos e bolas longas, normalmente iniciadas pelos zagueiros.
Mesmo assim, o Verdão foi quem saiu na frente. Aos 30 minutos, após cruzamento na área, Flaco López foi puxado por Chico e a arbitragem marcou pênalti. O próprio argentino cobrou com firmeza e abriu o placar: 1 a 0.
A resposta do Sport foi rápida. Em jogada ensaiada de escanteio pela esquerda, Lucas Lima rolou para Barletta na entrada da área, que finalizou de primeira com a canhota, sem chances para Weverton. O empate, aos 37 minutos, fazia justiça ao que se via em campo.
O Sport quase virou ainda no fim do primeiro tempo. Em cobrança de falta frontal, Sérgio Oliveira mandou uma bomba que desviou em Murilo e explodiu no travessão, assustando os palmeirenses.
Na volta do intervalo, Abel Ferreira tentou reorganizar a equipe com as entradas de Estêvão e Piquerez. Ainda assim, o Sport voltou melhor e seguiu pressionando nos primeiros minutos. Barletta e Pablo criaram boas chances, aproveitando os espaços deixados pela defesa alviverde.
Com o passar do tempo, o Palmeiras equilibrou o jogo e passou a ser mais perigoso. Aos 15 minutos, Aníbal Moreno cruzou na medida para Facundo Torres, que cabeceou com perigo, mas parou em grande defesa de Caíque França.
Aos poucos, o time paulista assumiu o controle da partida, especialmente após a entrada de Raphael Veiga, que deu mais qualidade na troca de passes no terço final do campo. Aos 31, o camisa 23 quase marcou, após passe de Estêvão, mas Caíque França apareceu bem novamente.
O lance decisivo veio pouco antes dos acréscimos. Raphael Veiga caiu na área em disputa com Matheus Alexandre, e o árbitro assinalou nova penalidade. Piquerez foi para a cobrança e, com categoria, deslocou o goleiro para garantir a vitória palmeirense.
Final: Sport 1-2 Palmeiras
Vitória no fim não esconde problemas: Palmeiras ainda busca identidade no Brasileirão
O desempenho dentro de campo do Palmeiras continua a levantar dúvidas sobre o rumo do time sob o comando de Abel Ferreira neste início de temporada. O triunfo na Ilha do Retiro veio mais por eficiência nos momentos decisivos do que por domínio de jogo, e reforça um cenário recorrente: o Palmeiras ainda não convence.
O roteiro da partida tem se tornado frequente. A equipe sofre para controlar o meio de campo, depende de lances esporádicos de talento individual ou bolas paradas, e vive de lampejos — não de uma ideia coletiva clara. Foi assim na eliminação do Paulistão diante do São Paulo, na estreia da Libertadores, e novamente neste duelo pelo Brasileirão. Contra o Sport, o time paulista teve dificuldades com a marcação alta e com a intensidade do adversário, especialmente no início das duas etapas.
Apesar dos gols em momentos estratégicos — ambos em cobranças de pênalti —, a falta de fluidez com a bola nos pés e as escolhas questionáveis de Abel Ferreira seguem em pauta. O treinador optou, mais uma vez, por escalar Felipe Anderson isolado em uma das pontas, movimento que limita o potencial do meia e desequilibra a estrutura ofensiva do time. O resultado foi previsível: pouca criação, um jogo arrastado e a sensação constante de que o Palmeiras não consegue propor quando precisa.
A entrada de Raphael Veiga no segundo tempo melhorou o time. Estêvão e Piquerez, que também vieram do banco, deram mais consistência pelo lado esquerdo. Mas a necessidade de recorrer a reservas experientes para resolver jogos contra adversários teoricamente mais fracos evidencia o problema central: falta jogo coletivo. O Palmeiras ainda depende demais de seus nomes mais técnicos para tirar o time do sufoco — e isso não é sustentável em uma temporada longa e competitiva como a do futebol brasileiro.
Abel Ferreira, por sua vez, parece sentir a pressão sem reconhecer o tamanho do problema. As explicações após os jogos geralmente apontam para fatores externos — desgaste físico, vontade dos adversários, arbitragem — e raramente para as falhas estratégicas da própria equipe. É um discurso que soa repetitivo e, para muitos torcedores, até conformista. O Palmeiras, afinal, é um dos times mais estruturados do país, com um elenco caro, continuidade no comando técnico e base consolidada. É esperado que jogue melhor do que vem jogando.
Do outro lado, vale destacar a atuação do Sport. Mesmo com a derrota, a equipe pernambucana foi corajosa, organizada e mostrou repertório ofensivo, especialmente em bolas paradas e jogadas ensaiadas. Lucas Lima, Barletta e Sérgio Oliveira foram os pilares de um time que claramente tem um plano de jogo. Faltou, sim, eficiência nas finalizações e controle emocional nos minutos finais, mas o Leão deixou a impressão de que pode ser competitivo na elite.
O problema do Palmeiras, portanto, não está nos resultados — está no processo. O time venceu, somou pontos e começa a subir na tabela. Mas a forma como esses resultados têm sido construídos liga o alerta. O torcedor não vê evolução, o desempenho coletivo é inconsistente e as alternativas no banco, quando acionadas, parecem mais improvisações do que soluções pensadas com antecedência. Para um clube que se acostumou a brigar em alto nível, isso é pouco.
Com mais de quatro meses de temporada, já é possível afirmar que o Palmeiras ainda não encontrou sua melhor versão em 2025. A diretoria investiu em reforços pontuais, a base foi mantida, e o treinador é o mesmo há quase cinco anos. Não há desculpa estrutural para o futebol pragmático, previsível e pouco envolvente que o time tem praticado. E, se nada mudar, a tendência é que o clube sofra nos jogos mais pesados que virão nas próximas rodadas do Brasileirão e nas fases decisivas da Libertadores.
A vitória contra o Sport vale pelos pontos, mas não esconde a realidade: o Palmeiras tem mais problemas do que soluções neste momento.
(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)



