Clássico entre Palmeiras e São Paulo volta acontecer após polêmicas de arbitragem
Futebol

Palmeiras x São Paulo: como derrota em clássico pode aumentar crise institucional nas duas equipes

Palmeiras e São Paulo medem forças a partir das 18h30 (de Brasília) deste sábado (24), na Arena Barueri, em confronto válido pela quinta rodada do Campeonato Paulista. O Choque-Rei vale muito para as duas equipes, que podem aumentar uma crise logo no início da temporada 2026. Mais do que três pontos, o clássico representa um divisor de águas em contextos distintos, porém igualmente delicados, envolvendo pressão da torcida, instabilidade política e desconfiança quanto ao futuro imediato.

O duelo acontece em um momento no qual o peso simbólico de uma derrota pode ser tão ou mais relevante do que os efeitos práticos na tabela. Em ambos os lados, perder um clássico pode acelerar processos internos, inflamar protestos e ampliar rachaduras institucionais que já estão expostas.

Palmeiras tenta conter turbulência após vexame

Após conseguir vitórias nas três rodadas iniciais, o Alviverde foi massacrado pelo Novorizontino na última terça-feira (20), fora de casa. Preservando jogadores, Abel Ferreira viu o Palmeiras levar de 4 a 0 em uma atuação apática e sem poder de reação. O resultado, embora tratado oficialmente como um “acidente de percurso”, teve consequências imediatas fora das quatro linhas. No dia seguinte, o CT do clube acabou sendo pichado, com a presidente Leila Pereira e o próprio treinador como principais alvos.

Uma derrota para o São Paulo, com a Arena Barueri lotada, transformaria a fase turbulenta do Palmeiras em crise declarada. Isso porque os torcedores palmeirenses já terminaram 2025 com certa mágoa, após uma temporada sem títulos. O vice-campeonato da Libertadores para o Flamengo ainda ecoa nos corredores do clube e alimenta a sensação de que o time perdeu competitividade nos momentos decisivos.

Parte da torcida e até do conselho do Palmeiras questiona as negociações conduzidas por Leila Pereira, incluindo a saída do goleiro Weverton, considerada traumática, e a falta de reforços mais expressivos para 2026. As críticas também recaem sobre Abel Ferreira, que, na visão de muitos palmeirenses, poderia extrair mais do elenco, especialmente no aspecto coletivo. O discurso de controle de carga e rodízio, que já rendeu frutos no passado, começa a perder força diante de atuações irregulares.

Em caso de derrota no clássico, mesmo no início do ano, a pressão aumentaria consideravelmente. Para uma parcela da torcida, o ciclo do técnico português já deveria ter sido encerrado. O Choque-Rei, portanto, surge como um teste de resiliência institucional para o Palmeiras, que tenta evitar que questionamentos esportivos evoluam para um desgaste político mais profundo.

São Paulo vive crise institucional e esportiva

Se o Palmeiras tenta conter uma turbulência, o São Paulo enfrenta um cenário, sem dúvida, muito mais grave. Fora de campo, o presidente Júlio Casares renunciou ao cargo após investigações apontarem esquemas de corrupção dentro do clube. A instabilidade se agravou com a saída de membros importantes da diretoria, incluindo o CEO Márcio Carlomagno, que deixou o Morumbis em meio ao processo de reestruturação forçada.

Em grave crise financeira, o Tricolor pouco se reforçou para a temporada 2026, apostando em soluções internas e contratações pontuais. Dentro de campo, os resultados não ajudam: a equipe soma apenas uma vitória, um empate e duas derrotas neste Paulistão, estando fora da zona de classificação para as quartas de final do Estadual.

Com esse cenário, uma derrota para o Palmeiras ampliaria ainda mais a crise. Nos bastidores, o presidente interino Harry Massis Júnior passaria a ser cobrado com mais intensidade para buscar reforços e apresentar um plano claro de recuperação financeira e esportiva. Ao mesmo tempo, o São Paulo ficaria sob forte pressão no Campeonato Paulista, já que, após o Choque-Rei, restarão apenas três rodadas para o fim da fase de grupos.

Os torcedores são-paulinos sabem que o Paulista é a melhor chance de título na temporada e uma eliminação precoce seria vista como mais um fracasso em um clube já marcado por instabilidade. Nesse contexto, a situação de Hernán Crespo também se tornaria ainda mais delicada. O treinador, que retornou cercado de expectativa, já começa a ser cobrado por desempenho e resultados. O clássico, portanto, pode definir muito mais do que o rumo no estadual: pode acelerar mudanças profundas no Morumbis.