O São Paulo entrou em campo sob uma nuvem de incerteza após a renúncia do presidente Julio Casares horas antes do apito inicial, deixando mais tenso um ambiente que já estava bastante carregado por problemas envolvendo a entrada da torcida no Morumbis. Além disso, o Tricolor precisava da vitória em casa diante da Portuguesa para retornar ao G-8 do Campeonato Paulista e seu traiçoeiro novo formato, mas a decisão de Hernán Crespo em adotar uma escalação muito alternativa acabou custando caro, e os visitantes aproveitaram para conquistar uma vitória que parecia improvável antes do apito inicial.
Essa derrota aumentou a pressão em torno da comissão técnica com apenas uma semana para a bola rolar no Brasileirão, campeonato em que o Tricolor Paulista definitivamente precisará de pontos para evitar sustos maiores. No Paulistão, a situação já ficou delicada e uma classificação para as quartas de final, e agora existe uma atenção maior para que o drama contra o rebaixamento não apareça.
São Paulo ficou muito exposto diante da Portuguesa
O técnico Fábio Matias montou uma Lusa extremamente pragmática. Sabendo que o São Paulo teria o controle da posse de bola, a estratégia foi fechar o funil central e explorar as transições rápidas. O Tricolor, com Cédric e Nicolas, subiu muito para apoiar o ataque deixando os zagueiros Dória e Tolói muito expostos, e a Lusa aproveitou essa “avenida” para contra-atacar com Ewerthon e Maceió em diferentes momentos da partida.
Com dois gols, Renê foi o grande nome da partida, pois o atacante se posicionou inteligentemente entre os volantes e os zagueiros tricolores, aproveitando a falta de coordenação da linha de quatro improvisada por Crespo, um dos principais responsáveis pela derrota surpreendente e que pode ter tirado o São Paulo de uma briga mais incisiva por vaga nas finais.
Embora tenha dominado o início do jogo e mantido a posse de bola, o São Paulo sofreu para transformar volume em chances claras. em os pontas titulares, Lucas atuou como um “camisa 10”, flutuando pelo meio; mesmo que tenha criado boas jogadas individuais, o veterano ficou dependente de lampejos individuais.
Ao menos, Calleri, que não marcava desde março de 2025 devido a uma cirurgia, anotou os dois gols tricolores, demonstrando que o faro de artilheiro permanece intacto mesmo em um time desorganizado coletivamente. Houve uma comemoração efusiva pelo segundo gol marcado, mas foi pouco o tempo de alegria para o São Paulo depois que Maceió marcou o terceiro da Lusa, expondo a falha de cobertura no meio-campo. Neste lance em que Rafael sofreu um gol bizarro, Negrucci e Pablo Maia falharam e mostraram que não conseguiram conter o avanço em bloco da Portuguesa no segundo tempo.
A derrota freia a recuperação do São Paulo no Paulistão e joga pressão sobre Crespo para o clássico contra o Palmeiras no próximo sábado, sendo este um clássico que ficará quente devido à goleada muito expressiva sofrida pelo alviverde diante do Novorizontino, a maior da história de Abel Ferreira. Provavelmente teremos o dérbi mais quente da fase inicial do estadual.
Imagem: AGIF