Paquetá e Endrick - Seleção Brasileira
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Paquetá em apuros: lesão de Wesley deve forçar Ancelotti a alterar característica do lado direito do Brasil

Lucas Paquetá pode ser um dos jogadores mais afetados pela lesão de Wesley na Seleção Brasileira. O problema vai muito além da simples troca de um lateral por outro. A ausência do atleta da Roma pode obrigar Carlo Ancelotti a modificar toda a dinâmica ofensiva do lado direito da equipe, criando um cenário diferente daquele visto no triunfo contra o Egito no último sábado.

Mesmo sem transformar o volume ofensivo em uma goleada, o Brasil mostrou sinais interessantes diante dos egípcios. A equipe apresentou um repertório maior de movimentos ofensivos, explorou diferentes corredores do campo e criou oportunidades através de mecanismos variados, abrindo espaço também para ter “n” opções diferentes para trabalhar dentro das quatro linhas. Faltou pontaria em alguns momentos, mas houve evolução coletiva.

Dentro desse contexto, Wesley desempenhou um papel importante, mesmo que por um pequeníssimo espaço de tempo neste último sábado.

O lateral tem sido uma peça responsável por dar profundidade ao corredor direito. Em vários momentos, ele ocupou a faixa mais aberta do campo, atacou as costas da marcação e permitiu que jogadores mais técnicos circulassem por dentro.

Entre esses atletas está Lucas Paquetá.

Quando Wesley avançava, Paquetá encontrava mais liberdade para ocupar zonas centrais, se aproximar dos atacantes e participar da construção das jogadas sem precisar abrir o campo constantemente. É um detalhe que muitas vezes passa despercebido, mas que influencia diretamente o rendimento do meia.

Agora, com a lesão do lateral, a tendência é que Ancelotti precise encontrar uma nova solução.

Sem Wesley, o Brasil pode precisar de um ponta de origem

A principal questão não é apenas quem substituirá Wesley, mas sim como o Brasil vai compensar as características que ele oferece.

O lateral do Flamengo se tornou uma arma importante justamente por sua capacidade de atacar espaços e gerar amplitude. Nem todos os laterais convocados possuem esse perfil. Caso Ancelotti opte por um jogador mais conservador defensivamente, o corredor direito perderá naturalmente parte de sua agressividade ofensiva.

É aí que surge um possível efeito dominó na escalação.

Sem um lateral constantemente projetado ao ataque, o treinador italiano pode precisar utilizar um ponta de origem pelo lado direito. Alguém capaz de manter o campo aberto, atacar a profundidade e criar situações de um contra um contra os defensores adversários. O nome de Luiz Henrique aparece com mais força entre as opções, principalmente pela qualidade no x1 e a possibilidade de criar seus próximos espaços.

A lógica é simples. Se a amplitude não vier do lateral, ela precisará vir do atacante.

Isso faz com que nomes como Raphinha ganhem ainda mais força dentro da estrutura da equipe. O atacante oferece exatamente as características que podem compensar a ausência de Wesley: velocidade, capacidade de romper linhas, drible em espaço aberto e movimentação constante em direção ao gol.

Além disso, a presença de um ponta mais fixo no corredor pode alterar diretamente os espaços ocupados por Paquetá.

O impacto direto para Paquetá no sistema de Ancelotti

Paquetá é um jogador que rende melhor quando encontra liberdade para interpretar os espaços e participar de diferentes fases do jogo. Não é um meia preso a uma posição específica, ainda mais nesse contexto de Ancelotti ter o desejo de trabalhar com dois meias e quatro atacantes, contra o Egito, um dos quatro nomes ofensivos era o meia do Flamengo. Sua principal virtude está justamente na capacidade de flutuar entre setores.

Contra o Egito, isso ficou evidente em vários momentos.

O camisa 20 apareceu na construção das jogadas, participou da pressão sem bola e buscou aproximações constantes com os atacantes. Parte dessa liberdade vinha justamente da presença de Wesley ocupando o corredor externo.

Se o Brasil passar a utilizar um ponta de origem pela direita, a dinâmica muda.

Paquetá pode ser obrigado a atuar mais por dentro de forma permanente, dividindo espaços com outros jogadores criativos. Dependendo da movimentação do setor, também poderá receber mais marcação por parte dos adversários, já que a referência de amplitude deixará de ser o lateral e passará para o atacante.

Isso não significa necessariamente uma queda de rendimento. Muito pelo contrário. Jogadores inteligentes costumam se adaptar rapidamente às mudanças táticas.

O ponto é que o contexto ao redor de Paquetá será diferente.

E o futebol moderno é cada vez mais dependente dessas relações entre os jogadores. Muitas vezes, o desempenho de um meia criativo não depende apenas de suas próprias ações, mas também dos movimentos realizados pelos companheiros ao seu redor.

Por isso, a lesão de Wesley pode gerar consequências maiores do que parecem à primeira vista.

Carlo Ancelotti chegou à Seleção com a missão de tornar o time menos previsível e mais versátil ofensivamente. A vitória contra o Egito mostrou alguns sinais positivos nesse sentido, mesmo com os problemas de finalização. Agora, o treinador terá seu primeiro desafio importante para ajustar a estrutura sem uma das peças que vinham ajudando a dar profundidade ao lado direito.

A dúvida não está apenas em quem será o novo lateral titular. A grande questão é como o Brasil vai continuar produzindo vantagem naquele setor do campo.

Se a resposta passar pela entrada de um ponta de origem, Paquetá provavelmente será um dos jogadores que mais precisará se adaptar à nova realidade. E, considerando a importância do meia dentro do projeto de Ancelotti para a Copa do Mundo, essa pode ser uma das mudanças táticas mais relevantes das próximas partidas da Seleção Brasileira.

Créditos da foto: Rafael Ribeiro/CBF.