O Milwaukee Bucks está de cara nova! Myles Turner entrou no time como a maior surpresa da free agency, Kyle Kuzma chegou no prazo final e Kevin Porter Jr. deve ser titular como armador. Mas tudo ainda gira em torno de Giannis Antetokounmpo.
Howard Beck, do The Ringer, não está convencido de que isso seja suficiente. “Não acho que os Bucks sejam tão bons assim”, disse Beck no podcast The Ringer NBA. “Eles são bons o suficiente, são um time de playoffs, mas não são candidatos. E Giannis continua dizendo… ‘Quero ganhar campeonatos e quero estar onde posso ganhar campeonatos’. Não acho que Milwaukee seja assim agora, como está construído atualmente.”, seguiu.
Beck acrescentou que qualquer dificuldade inicial pode gerar especulações sobre o futuro de Antetokounmpo. “Se eles tiverem dificuldades desde o início e estiverem em uma situação ruim no final de dezembro, será que a liga inteira vai bater na porta dos Bucks, bisbilhotando, para ver se ele está disponível?”, questionou Beck.
“Não sei se ele vai pedir para sair no meio da temporada, mas acho que qualquer dificuldade dos Bucks vai ressaltar o fato de que ele será um agente livre em dois anos e deixou muito, muito claro, que quer lutar enquanto ainda está no auge.”, concluiu.
O Milwaukee Bucks pode surpreender?
Tudo começa e termina em Giannis. O grego continua sendo uma força da natureza, um dos três melhores jogadores do mundo, com uma combinação rara de explosão atlética, intensidade defensiva e capacidade de carregar um ataque praticamente sozinho.
Mas a própria trajetória recente da franquia mostra que depender apenas dele não é o bastante. Após a conquista do título em 2021, Milwaukee acumulou eliminações decepcionantes nos playoffs, em parte pela falta de profundidade e criatividade ofensiva nos momentos mais decisivos.
A saída de Jrue Holiday, a breve passagem de Damian Lillard e as dificuldades de manter Khris Middleton saudável e produtivo criaram instabilidade. A atual versão dos Bucks tenta superar esses problemas com peças novas, ainda que rodeadas de incertezas.
Myles Turner talvez seja a aquisição mais valiosa no papel. Um dos melhores protetores de aro da liga, Turner também tem um arremesso confiável de média e longa distância, o que promete abrir espaço para as infiltrações de Giannis. Sua presença defensiva deve reforçar o garrafão dos Bucks, e seu encaixe tático é mais natural do que o de Brook Lopez, que saiu. Turner pode cobrir as costas de defensores mais frágeis no perímetro e ainda ser uma ameaça ofensiva, o que o torna um parceiro ideal para Antetokounmpo.

Some na equação Kyle Kuzma, ala capaz de criar o próprio arremesso. Embora não seja eficiente em todos os jogos, Kuzma tem talento para somar 15 a 20 pontos por noite, algo que os Bucks precisam desesperadamente para não sobrecarregar Giannis.
A grande dúvida do time está na armação. Kevin Porter Jr., que teve passagens conturbadas pelo Houston Rockets, ganha uma chance de ouro para se reinventar como titular em Milwaukee. Talento ele tem: é criativo, ágil e capaz de pontuar em diferentes zonas da quadra.
No entanto, a tomada de decisões e o comprometimento tático do armador sempre foram alvos de críticas. Se Porter conseguir jogar de forma disciplinada e entender seu papel como facilitador para Giannis e Kuzma, o time sobe de patamar. Caso contrário, o backcourt pode se tornar um calcanhar de Aquiles, especialmente nos playoffs.
Outras peças complementares também merecem atenção. Gary Trent Jr. oferece um arremesso de três pontos consistente e é perigoso como “catch and shoot”, embora tenha limitações defensivas. Cole Anthony traz energia e pontuação vinda do banco, mas ainda precisa evoluir como armador puro.
Gary Harris e Taurean Prince dão profundidade nas alas, enquanto Bobby Portis continua como um dos jogadores mais importantes da rotação, agressivo, produtivo e com espírito de liderança. AJ Green e Jericho Sims devem ter minutos também.
O grande trunfo de Milwaukee pode ser a sua versatilidade defensiva. Com Giannis e Turner protegendo o aro, há um potencial para formar uma das melhores defesas da liga, especialmente se jogadores como Harris e Prince ajudarem a conter o perímetro.
A preocupação maior está na criação ofensiva secundária. Se Giannis sair de quadra ou for anulado por uma defesa dobrada, quem vai manter o ataque fluindo? É aí que entra o papel de Kuzma, Porter Jr. e Trent Jr.: eles precisam assumir mais responsabilidade e, principalmente, serem eficientes.
No fim das contas, o sucesso dos Bucks vai depender de vários fatores: a saúde de Giannis e Turner, o amadurecimento de Kevin Porter Jr., a consistência de Kuzma e a capacidade de Doc Rivers de extrair o melhor de um grupo com talento, mas que ainda precisa encontrar identidade. O potencial está lá, e a defesa pode ser um diferencial. Mas a ausência de uma armação de elite e a dependência exagerada de Giannis podem limitar o teto da equipe.
Portanto, sim, os Bucks têm chances de brigar pelo título da temporada 2025–26, mas essas chances são condicionais. Eles estão no segundo escalão de favoritos, atrás de equipes mais consolidadas. Caso tudo encaixe, podem surpreender. Caso contrário, estarão vulneráveis a uma eliminação precoce, e as especulações sobre o futuro de Giannis voltarão com força.
Como Howard Beck apontou, qualquer tropeço será visto não apenas como um problema técnico, mas como um possível sinal de que a janela para um novo título pode estar se fechando.
(Imagem de capa: Benny Sieu-Imagn Images)