O empate sem gols entre Paraguai e Austrália foi, sem dúvidas, um dos jogos mais sonolentos da Copa do Mundo 2026 até o momento. No Levi’s Stadium, em Santa Clara, nos Estados Unidos, as equipes fizeram uma partida marcada pelas poucas chances de gol e pelo excesso de cautela. De modo geral, o confronto foi entediante para quem esperava mais intensidade.
A expectativa para o duelo já não era alta antes mesmo da bola rolar. O empate classificava a Austrália na segunda posição do Grupo D, que já tinha os Estados Unidos com a liderança assegurada. Do outro lado, o Paraguai sabia que apenas uma longa combinação de resultados poderia tirá-lo do mata-mata. A tendência é que os paraguaios avancem como um dos melhores terceiros colocados.
Além do contexto da tabela, o estilo das equipes também ajudou a construir um jogo travado. Paraguai e Austrália são seleções reconhecidas pela competitividade sem a bola, pela organização defensiva e pela capacidade de reduzir espaços. A derrota dos sul-americanos por 4 a 1 para os Estados Unidos na primeira rodada foi uma exceção dentro de um ciclo marcado pela solidez defensiva. Ainda assim, o desempenho ofensivo apresentado pelas duas equipes é um ponto de atenção.
Paraguai ainda busca uma identidade ofensiva na Copa do Mundo
O Paraguai vem mostrando muito pouco do seu jogo ofensivo nesta Copa do Mundo. O empate contra a Austrália não pode ser explicado apenas pelo cenário favorável da igualdade no placar. Antes disso, diante de Estados Unidos e Turquia, a equipe também teve dificuldades para ameaçar as metas adversárias e criar oportunidades claras.
É verdade que o Paraguai atuou com um jogador a menos durante quase toda a partida contra os australianos. Almirón, principal nome criativo do meio-campo e jogador de maior qualidade técnica, também fez falta no duelo. Mesmo assim, chama atenção a dificuldade da equipe em construir jogadas com troca de passes e aproximação entre os setores.
Contra a Austrália, os lançamentos dos zagueiros Gustavo Gómez e Alderete para o ataque foram uma alternativa recorrente. A equipe só conseguiu melhorar quando Maurício entrou em campo, mostrando que pode ser uma peça importante para a sequência do torneio.
Com o brasileiro naturalizado paraguaio e Almirón, o ponta-esquerda Enciso também pode ganhar mais protagonismo. O desafio de Gustavo Alfaro será justamente encontrar uma maneira de conectar melhor esses jogadores. O talento existe, mas o time ainda precisa transformar essa qualidade individual em produção ofensiva.
Defesa sólida mantém Paraguai vivo, mas desafio aumenta no mata-mata
O Paraguai foi eficiente no que se propôs contra a Austrália. Depois de sofrer quatro gols contra os Estados Unidos em uma atuação fora da curva, os paraguaios conseguiram recuperar a principal característica da equipe: a consistência defensiva. Nesta quinta-feira, os Socceroos tiveram raras chances claras de marcar, mesmo com mais posse de bola no primeiro tempo.
Quando tentou adiantar suas linhas e jogar de maneira mais agressiva, o Paraguai também mostrou boa capacidade de reorganização defensiva. O bloco compacto e a disciplina tática são armas importantes para uma equipe que deve enfrentar um adversário de maior qualidade na próxima fase.
Esse estilo será bastante testado no mata-mata. O próximo compromisso do Paraguai será contra um líder de grupo, com possibilidade de enfrentar até a Alemanha. Para surpreender uma seleção mais forte tecnicamente, será necessário saber sofrer e aproveitar melhor os poucos momentos ofensivos que aparecerem.
Austrália apresenta equilíbrio e ganha confiança para o mata-mata
A Austrália mostrou ser uma equipe mais equilibrada ao longo da fase de grupos. Além de apresentar um sistema defensivo forte, os australianos também sabem o que fazer com a bola quando encontram espaço. A equipe explora principalmente os lados do campo, com Bos e Volpato como peças importantes na construção das jogadas.
O time é bem treinado e demonstra organização em diferentes momentos da partida. Por isso, a Austrália deve chegar confiante para enfrentar o segundo colocado do Grupo G, que será definido entre Egito, Bélgica, Irã ou Nova Zelândia. Pelo que apresentou até agora, os australianos entram nas oitavas de final com possibilidades reais de competir.
A força defensiva e a disciplina tática são características que podem incomodar qualquer adversário em um jogo eliminatório. A Austrália não depende apenas de sobreviver aos confrontos: em alguns momentos, consegue controlar a partida e criar problemas para os rivais.
Limitações técnicas ainda impedem Austrália de sonhar alto
Por outro lado, é difícil imaginar a Austrália avançando muito longe na Copa do Mundo. Ainda falta mais refinamento técnico para os jogadores do setor ofensivo. A equipe tem velocidade, força física e organização, mas encontra dificuldades quando precisa propor o jogo contra adversários mais fechados.
O confronto contra seleções asiáticas durante o ciclo recente ajudou no crescimento dos Socceroos e fortaleceu a confiança do grupo. Mesmo assim, as limitações aparecem quando o nível de exigência aumenta e os espaços diminuem.
Para fazer uma campanha acima das expectativas, a Austrália precisará se apoiar justamente nos seus principais atributos. A intensidade, a força física e a organização defensiva serão fundamentais para manter vivo o sonho de uma boa trajetória no Mundial.
Foto: Reprodução/X/@Socceroos