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Troy Parrott: finalmente o herói da Irlanda está se tornando o jogador que o Tottenham esperava? Confira

Para muitos, a ascensão de Troy Parrott ao centro das atenções era apenas uma questão de tempo. O atacante tornou-se o grande nome da Irlanda durante a recente pausa internacional, após marcar dois gols fundamentais contra Portugal na penúltima rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo e, logo depois, anotar um hat-trick espetacular na vitória por 3 a 2 sobre a Hungria, no último domingo. Seus gols levaram o país à repescagem por uma vaga no torneio do próximo verão, deixando os irlandeses a um passo de retornarem ao maior palco do futebol mundial após 24 anos de ausência.

A equipe verde precisava desesperadamente vencer em Budapeste, mas acabou ficando atrás no placar duas vezes e se manteve em desvantagem até os 80 minutos. Enfrentando uma Hungria que também lutava pela repescagem, jogava em casa, vinha de três participações consecutivas na Euro e ainda contava com nomes fortes como Dominik Szoboszlai e Milos Kerkez, do Liverpool, as chances irlandesas pareciam pequenas. Foi então que, a dez minutos do fim, Parrott — que já havia convertido um pênalti sob enorme pressão — empatou o jogo com um toque sutil por cobertura e, nos instantes finais, marcou o gol da virada de maneira dramática, enlouquecendo a torcida, seus companheiros e até ele mesmo.

Esse é exatamente o patamar que se esperava que o jogador de 23 anos alcançasse. Contratado pelo Tottenham aos 15, seu nome sempre circulou no futebol inglês por causa das enormes expectativas ao seu redor. Ainda assim, ele pode ser visto como um herói improvável na cena internacional, pois sua passagem pelos Spurs não rendeu o sucesso que muitos imaginavam. Parrott estreou aos 17 anos, em setembro de 2019, e meses depois fez sua primeira aparição na Premier League.

Mesmo com a insistência da torcida por mais oportunidades, ele nunca pareceu totalmente pronto para o nível do futebol profissional. “Não pensem que Parrott é o novo Harry Kane; ele ainda é um garoto que precisa trabalhar”, alertou José Mourinho, ex-técnico do Tottenham e atualmente no Benfica. Depois disso, o atacante faria apenas mais um jogo pelo clube na liga e, hoje, tenta conduzir a Irlanda de volta à Copa do Mundo após 24 anos longe.Grande parte de sua trajetória nos Spurs foi marcada por empréstimos discretos a Millwall, Ipswich, MK Dons e Preston. Questões sobre sua postura continuaram surgindo, já que seu desenvolvimento parecia mais lento do que o esperado.

O técnico José Mourinho já havia demonstrado preocupação, afirmando que o jovem, ainda adolescente, parecia se considerar acima do time sub-23. No Excelsior, da Holanda, Parrott viveu um período de maior destaque: marcou dez gols — quatro a mais que qualquer outro companheiro — mesmo atuando menos da metade dos minutos disponíveis na liga. Mas seu temperamento ainda precisava de controle. Após uma vitória por 4 a 0, em que marcou, assistiu e foi substituído, ele invadiu o campo para participar de uma confusão e chegou a dar um peteleco na orelha de um adversário. Foi expulso e ficou suspenso no jogo seguinte.

Apesar disso, a mudança para fora da Inglaterra lhe fez bem. Segundo ele, a pressão da mídia no Tottenham “acabava afetando um pouco”. Distanciar-se desse ambiente parece ter sido crucial. Mesmo com o rebaixamento do Excelsior à segunda divisão, sua passagem foi positiva o suficiente para garantir uma transferência definitiva ao AZ Alkmaar no verão de 2024. Na Eredivisie, Parrott finalmente encontrou estabilidade e um espaço ideal para evoluir como o jogador que muitos imaginavam que ele poderia se tornar.

Sempre atuando avançado e com foco total em marcar gols, seu senso de movimentação e antecipação dentro da área evoluiu visivelmente no AZ. Apenas dois jogadores marcaram mais do que seus 14 gols na Eredivisie em 2024/25, além de outros quatro anotados na campanha que levou o clube holandês às oitavas da UEFA Europa League, quando foram eliminados pelo Tottenham. Ele não dependeu de finalizações extraordinárias para alcançar esses números, até ficando um pouco abaixo das projeções de gols esperados.

Foto: Getty Images

Parrott conduz a Irlanda de volta ao sonho do Mundial de 2026 após 24 anos de espera

Em uma noite histórica para o futebol irlandês, Troy Parrott brilhou como nunca e tornou-se o grande herói da seleção ao marcar um hat-trick nos acréscimos, garantindo vaga da Irlanda nos play-offs da repescagem para a Copa do Mundo de 2026.

O cenário era dramático: a Hungria vencia por 2 a 1 e só precisava de um empate para avançar aos playoffs. Mas Parrott, frio e decisivo, converteu um pênalti, deixou tudo igual na segunda etapa e, nos acréscimos, selou a virada com um gol emocionante. O resultado eliminou os húngaros e confirmou a Irlanda no segundo lugar do Grupo F das Eliminatórias Europeias.

O triunfo reacendeu a esperança de um país que não disputa uma Copa desde 2002. Agora, à espera da repescagem em março, a nação inteira volta a sonhar. Parrott já havia sido decisivo antes: na rodada anterior, marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 sobre Portugal, frustrando Cristiano Ronaldo e mostrando que sua fase com a camisa verde é absolutamente real.

As lágrimas do atacante após o apito final mostraram a dimensão do feito. “É por isto que amamos o futebol”, declarou, emocionado. Nas redes sociais, até o Aeroporto de Dublin foi brincando “renomeado” como “Troy Parrott International Airport” em homenagem ao novo ídolo nacional.

O que vem pela frente

A Irlanda dependerá desses dois duelos decisivos na repescagem para confirmar seu retorno ao Mundial. A responsabilidade — e a esperança — recaem sobre Parrott, cujo desempenho recente devolveu aos torcedores a fé em uma nova geração. Evoluindo cada vez mais no AZ Alkmaar, ele ganhou confiança, maturidade e protagonismo internacional.

Se conseguir liderar a seleção à Copa, Parrott será consolidado como símbolo de uma geração ambiciosa, capaz de romper duas décadas de ausência no maior palco do futebol.

Foto: Getty Images

Troy Parrott: a ascensão do atacante que o Tottenham vislumbrava desde a base

Desde que surgiu no Tottenham, Parrott era visto como uma das maiores promessas de Hotspur Way: personalidade forte, mobilidade no ataque e faro de gol faziam dele um talento especial — embora ainda em formação. Hoje, porém, ele finalmente começa a mostrar o que os Spurs imaginaram quando o promoveram precocemente.

Sua evolução não aconteceu em Londres, mas longe dela. Depois de empréstimos inconstantes por Millwall, Ipswich, MK Dons e Preston, Parrott encontrou o ambiente ideal na Eredivisie, primeiro no Excelsior e depois no AZ Alkmaar. Lá, seu futebol ganhou maturidade: tomadas de decisão mais inteligentes, presença mais constante na área e maior compreensão dos espaços — atributos frequentemente mencionados pelos treinadores do Tottenham como parte de seu potencial.

No AZ, ele diversificou seu repertório. Tornou-se mais agressivo nos movimentos curtos, mais atento na pressão sem bola e, acima de tudo, mais decisivo nas finalizações. Seus números recentes — gols, influência direta em jogadas e consistência ao longo da temporada — demonstram um atacante não apenas promissor, mas competitivo em nível europeu.

Essa evolução representa exatamente o tipo de atacante que o Tottenham projetava: completo, capaz de atuar como referência, atacar a profundidade e também criar para seus companheiros. A confiança reencontrada na seleção irlandesa, onde virou protagonista em partidas decisivas, reforça sua transformação de promessa em realidade.

Hoje, Parrott personifica a trajetória de um talento que precisou se afastar para amadurecer — e que agora, mais completo, se aproxima do nível que os Spurs sempre imaginaram que ele alcançaria.

(Foto: Getty Images)