Pepe Santos
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Pepe 90 anos! Relembre o 2º maior artilheiro da história do Santos e companheiro de Pelé!

No dia 25 de fevereiro de 1935, nasceu um dos maiores ídolos da história do Santos, Pepe, conhecido como o “Canhão da Vila”. Ele é o segundo maior artilheiro da história do clube praiano, com 405 gols, e completa 90 anos nesta terça-feira (25). Além de sua brilhante trajetória como jogador, José Macia, o Pepe, também teve uma carreira vitoriosa como treinador, conquistando títulos importantes, como o Campeonato Paulista de 1986 com a Inter de Limeira, ao vencer o Palmeiras na final, e o Campeonato Brasileiro do mesmo ano, quando comandou o São Paulo na vitória sobre o Guarani nos pênaltis.

Pepe detém um feito notável e difícil de ser superado: nenhum outro jogador atuou tanto tempo por um único clube no futebol brasileiro. O ex-atacante disputou 741 partidas com a camisa do Santos. Companheiro do maior jogador de todos os tempos, ele se considera o maior artilheiro “humano” do clube, brincando que Pelé, com seus 1.091 gols pelo Alvinegro Praiano, era um “ET”. Reconhecido pela potência de seus chutes com a perna esquerda, Pepe recebeu o apelido de “Canhão da Vila”.

A trajetória de Pepe no Santos

José Macia nasceu em 25 de fevereiro de 1935 e ganhou o apelido de Pepe devido à forma como o nome José é popularmente conhecido na Espanha, país de origem de sua família, mais precisamente da região da Galícia.

Revelado pelo Santos em 1954, atuou pelo clube até 1969. Já em sua segunda temporada, conquistou o Campeonato Paulista, o primeiro de uma longa série de títulos que marcariam sua carreira e a história do Santos. Ao todo, foram 11 conquistas estaduais (1955, 56, 58, 60, 61, 62, 64, 65, 67, 68 e 69).

Entre os principais títulos de Pepe estão dois Mundiais (1962 e 63), duas Libertadores (1962 e 63) e cinco Campeonatos Brasileiros (1961, 62, 63, 64, 65 e 68). Além disso, venceu quatro edições do Torneio Rio-São Paulo (1959, 63, 64 e 66), além da Supercopa Sul-Americana dos Campeões Intercontinentais e da Recopa dos Campeões Intercontinentais, ambas em 1968.

Início no futebol

Desde criança, Pepe teve contato com o futebol. Aos 7 anos, começou a jogar em times de bairro, como Comercial FC e Mota Lima, ao lado de seu irmão Mário. Sua jornada no Santos começou quando o goleiro Cobrinha, companheiro de equipe no São Vicente AC, o convidou para um teste no clube. Em 4 de maio de 1951, foi aprovado pelo técnico Salu, dando início a uma trajetória histórica no Alvinegro.

Estreia e ascensão no Santos

Pepe fez sua estreia pelo Santos em 23 de maio de 1954, aos 19 anos, em uma partida contra o Fluminense pelo Torneio Rio-São Paulo. Apesar da derrota por 2 a 1, ele começou a se firmar na equipe. No Campeonato Paulista de 1955, viveu seu primeiro grande momento como profissional ao marcar o gol do título contra o Taubaté, diante de 8.500 torcedores na Vila Belmiro.

A partir daí, consolidou-se como peça fundamental do time, participando de inúmeras conquistas. No total, conquistou 25 títulos oficiais com o Santos, tornando-se o jogador com mais troféus por um único clube.

No Mundial de Clubes de 1963, Pepe teve papel decisivo. Após perder o primeiro jogo por 4 a 2, o Santos venceu o segundo pelo mesmo placar, com dois gols do ponta-esquerda. Na terceira partida, o time garantiu o título mundial em uma decisão por pênaltis.

A despedida dos gramados

Pepe vestiu a camisa do Santos pela última vez em 19 de março de 1969, em uma vitória por 2 a 1 sobre o América de São José do Rio Preto pelo Campeonato Paulista. No entanto, sua despedida oficial ocorreu em 3 de maio, quando deu uma volta olímpica na Vila Belmiro, em um momento de grande emoção para os torcedores. Na ocasião, recebeu uma placa de homenagem do presidente Athiê Jorge Coury, com os dizeres: “Muito obrigado do Santos, da torcida e de todos os esportistas do Brasil”.

Pepe e a Seleção Brasileira

Aos 21 anos, Pepe foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira. No total, disputou 41 jogos com a camisa amarelinha, registrando 29 vitórias, três empates e nove derrotas. Foi bicampeão da Copa do Mundo (1958 e 1962), além de conquistar a Taça do Atlântico (1956 e 60), a Copa Roca (1957 e 63), a Taça Oswaldo Cruz (1958, 61 e 62) e a Taça Bernardo O’Higgins (1961).

Dentre seus 22 gols pela Seleção, o mais memorável foi marcado de falta contra a Inglaterra, em amistoso disputado em Wembley, no dia 8 de maio de 1963. O jogo terminou empatado em 1 a 1, mas Pepe teve a honra de superar o lendário goleiro Gordon Banks.

A carreira como treinador

Após pendurar as chuteiras em 1969, Pepe iniciou sua trajetória como treinador nas categorias de base do Santos e, em 1972, assumiu o time principal. Ao longo da carreira, comandou o Peixe em 371 partidas, tornando-se o terceiro técnico com mais jogos à frente da equipe.

Pepe manteve o DNA vencedor também fora das quatro linhas. Com 13 títulos do Campeonato Paulista (11 como jogador e dois como técnico), é o maior campeão estadual da história. Além disso, conquistou o Cearense de 1985 pelo Fortaleza, o Brasileiro de 1986 pelo São Paulo, a Série B de 1988 com a Inter de Limeira, o Campeonato Japonês de 1991-92 com o Verdy Kawasaki e a Série B de 1995 pelo Athletico-PR.

Ao longo de sua trajetória, dirigiu clubes como Atlético-MG, Náutico, Guarani, Coritiba, Portuguesa, Criciúma e Ponte Preta. No exterior, treinou a seleção do Peru, além de clubes como Al-Sadd (Catar), Boavista (Portugal), Tokyo Verdy (Japão) e Al-Ahli (Catar). No Al-Ahli, chegou a comandar Pep Guardiola no início da carreira do futuro técnico multicampeão.

A história de Pepe no futebol é marcada por títulos, lealdade e uma trajetória impressionante. Ídolo eterno do Santos, seu legado continua vivo na memória dos torcedores e na história do esporte.

(Foto: Ivan Storti/Santos FC)