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Automobilismo Fórmula 1

Sergio Pérez renova com a Cadillac até 2029 e aposta em salto de desempenho na Fórmula 1

Sergio Pérez decidiu apostar no projeto da Cadillac a longo prazo, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela equipe em sua temporada de estreia na Fórmula 1. O mexicano, vencedor de seis GPs, assinou uma extensão contratual que o manterá na escuderia até o fim de 2029.

O acordo pode representar o último grande contrato da carreira do piloto, que encontrou na equipe americana um ambiente diferente daquele que enfrentou durante sua passagem pela Red Bull. Após um período difícil ao lado de Max Verstappen e uma pausa na categoria em 2025, Pérez voltou à Fórmula 1 com a oportunidade de participar da construção de um projeto desde o início.

Apesar dos resultados modestos da Cadillac em 2026, o experiente piloto acredita que a equipe tem condições de evoluir significativamente. Sua confiança, porém, vem acompanhada de uma expectativa clara: as mudanças na estrutura precisam se traduzir em progresso dentro e fora das pistas.

Cadillac oferece a Pérez um projeto para construir do zero

A decisão de renovar com Pérez faz sentido para a Cadillac em diferentes aspectos. Além da experiência e da capacidade de pilotagem do mexicano, sua participação pode ser importante para o desenvolvimento técnico de uma equipe que ainda está construindo seus processos de trabalho.

O piloto também representa uma figura estratégica para a General Motors, especialmente no México, mercado relevante para a montadora. O grupo vendeu quase 200 mil veículos no país em 2025, alcançando uma participação de mercado de 12,2%.

Nos bastidores, Pérez também desenvolveu uma relação próxima com a liderança da equipe, incluindo o CEO Dan Towriss e o presidente-executivo da GM, Mark Reuss. O mexicano se impressionou particularmente com a paixão de Reuss pelo automobilismo, fator que ajudou a fortalecer sua identificação com o projeto.

Para Pérez, existe um atrativo especial em participar da construção de uma nova equipe na Fórmula 1. O desafio não se limita a buscar resultados imediatos: trata-se de ajudar a estabelecer uma estrutura capaz de competir em um nível mais alto nos próximos anos. A estreia em Melbourne e a bandeirada quadriculada na primeira corrida representaram conquistas importantes para a Cadillac sob o comando de Graeme Lowdon. Com o passar da temporada, entretanto, a empolgação inicial começou a dar lugar à cobrança por avanços mais concretos.

Mudança de liderança recebe apoio do mexicano

A evolução da Cadillac ficou aquém das expectativas de Pérez, que passou a cobrar maior urgência na busca por competitividade. Embora reconhecesse que um projeto dessa dimensão exigiria paciência, o piloto queria ver medidas capazes de acelerar o desenvolvimento da equipe.

Nesse contexto, a decisão de Dan Towriss de afastar Lowdon durante as férias de verão e promover uma reformulação na estrutura foi recebida de maneira positiva pelo mexicano. Marcin Budkowski, que já trabalhou na Renault e na Ferrari, foi escolhido para assumir a liderança da equipe.

Pérez reconheceu a importância do trabalho realizado por Lowdon na construção da Cadillac, mas avaliou que uma mudança de direção era necessária. “Graeme fez um trabalho extraordinário para trazer a Cadillac até onde está agora, junto com a GM e Dan. Mas acho que era hora de mudar”, afirmou o piloto em Zandvoort, na primeira etapa após o anúncio da reformulação.

O mexicano também destacou que a decisão demonstra a disposição da Cadillac em acelerar seu desenvolvimento, mesmo estando apenas em seu primeiro ano na categoria. A mudança indica que a equipe está disposta a rever sua estrutura para alcançar resultados melhores. Para Pérez, esse compromisso é fundamental: aos 36 anos, ele sabe que o tempo disponível para colher os frutos de um projeto de longo prazo não é ilimitado.

Pérez acredita estar no melhor momento da carreira

Enquanto a Cadillac trabalha para melhorar seu carro, o desempenho individual de Pérez tem sido um dos pontos positivos da temporada. O mexicano acredita estar pilotando em um nível particularmente alto, mesmo diante das limitações do equipamento. “Acho que o nível em que estou pilotando neste ano tem sido realmente muito alto”, declarou.

Pérez afirmou que tem conseguido extrair o máximo do carro em condições difíceis e ressaltou que, na sua avaliação, a equipe não enfrenta problemas relacionados ao desempenho de seus pilotos. O companheiro Valtteri Bottas, por sua vez, também precisa ser avaliado levando em conta as dificuldades técnicas enfrentadas pela Cadillac. Problemas de comportamento do carro, inconsistências e questões envolvendo a qualidade de fabricação de algumas peças e o trabalho de fornecedores dificultam uma comparação direta entre os dois pilotos.

Ainda assim, a decisão de garantir a permanência de Pérez até 2029 enquanto o futuro de Bottas continua em aberto indica que a direção da equipe vê o mexicano como uma peça importante para os próximos anos.

O finlandês ainda tem possibilidades de permanecer, sobretudo porque a Cadillac pode considerar valiosa a experiência acumulada por ele. A equipe também investiu recursos para preparar seu piloto de testes, Colton Herta, para uma possível estreia na Fórmula 1.

Outros nomes disponíveis no mercado incluem Frederik Vesti, Paul Aron e Yuki Tsunoda. Esteban Ocon também aparece entre as possibilidades, apesar do relacionamento pouco harmonioso que teve com Pérez na antiga Racing Point. Ainda assim, essa experiência não seria necessariamente um impedimento para uma eventual parceria. Sem uma alternativa claramente superior disponível, a continuidade de Bottas pode ser defendida como uma opção de estabilidade para uma equipe que ainda precisa consolidar sua estrutura.

Reforços técnicos alimentam expectativa para 2027

A renovação de Pérez também coincide com uma reformulação importante no departamento técnico da Cadillac. Sob a futura liderança de Budkowski, a equipe pretende melhorar seu ritmo de desenvolvimento e a integração entre suas diferentes instalações, distribuídas pelos dois lados do Atlântico.

Uma das contratações mais relevantes é a de Craig Skinner, ex-projetista da Red Bull que trabalhou com Pérez durante a passagem do mexicano pela equipe de Milton Keynes. O piloto demonstrou entusiasmo com a chegada do engenheiro, cuja experiência pode contribuir para o desenvolvimento do carro.

A Cadillac também incorporou Eric Blandin, ex-vice-chefe técnico da Aston Martin, para liderar a área de aerodinâmica. Tim Lean, outro profissional experiente no setor, assumiu a responsabilidade pela modelagem e pelas simulações aerodinâmicas sob a supervisão de Blandin.

A expectativa é que essas mudanças ajudem a equipe a superar as limitações que marcaram sua campanha de estreia. No entanto, Pérez reconhece que a contratação de profissionais experientes não produz resultados imediatos. “Colocar todas as peças do quebra-cabeça no lugar, integrando os departamentos antes de vermos um impacto real no desempenho do carro, leva tempo demais na Fórmula 1”, explicou.

O piloto também destacou as limitações impostas pelo orçamento e pela disponibilidade de profissionais, fatores que tornam qualquer reformulação mais lenta e complexa.

Cadillac espera dar um salto significativo na próxima temporada

Apesar dos obstáculos, Pérez acredita que a segunda temporada da Cadillac poderá apresentar uma evolução importante. Com mais experiência na construção, no desenvolvimento e na operação dos carros, a equipe espera começar o próximo campeonato em condições melhores. “Agora que estamos em nosso segundo ano como equipe, colocando tudo em ordem, espero que consigamos dar um salto muito grande. Esse é definitivamente o objetivo”, afirmou.

O mexicano acredita que, se a Cadillac conseguir avançar conforme o planejado, terá condições de disputar pontos com maior regularidade. Ainda assim, ele espera que os resultados mais expressivos apareçam principalmente na segunda metade da próxima temporada. A expectativa é que a experiência adquirida em 2026, combinada com os reforços técnicos e as mudanças de liderança, permita à equipe reduzir a distância para o pelotão intermediário.

A renovação de Pérez até 2029 representa, portanto, mais do que uma simples decisão contratual. Ela demonstra que o piloto está disposto a investir os últimos anos de sua carreira em um projeto que ainda precisa provar seu potencial. Em contrapartida, a Cadillac terá de mostrar que a confiança depositada pelo mexicano pode ser transformada em desempenho competitivo.

O desafio imediato será superar os problemas de confiabilidade e acelerar o desenvolvimento do carro. Se conseguir dar esse passo, a equipe poderá começar a justificar a aposta de longo prazo de Pérez e construir uma base mais sólida para seus próximos anos na Fórmula 1.

Foto: (Reprodução/ Fórmula 1)