A temporada 2025 da Fórmula 1 entrou para a história por diversas razões: o título inédito de Lando Norris, o equilíbrio entre os três primeiros colocados e a evolução impressionante de pilotos jovens. No entanto, um dos pontos mais marcantes, e inesperados, do campeonato foi a temporada de Lewis Hamilton, que, já aos 40 anos e em sua primeira campanha completa pela Ferrari, viveu o pior ano de sua carreira.
Sem um único pódio em corridas, o heptacampeão enfrentou uma combinação de problemas técnicos, decisões estratégicas equivocadas e uma adaptação mais difícil do que o esperado ao ambiente da Scuderia. Com o desempenho muito aquém do que se imaginava quando sua transferência foi anunciada, o futuro de Hamilton para 2026 passou a ser alvo de debates, e a possibilidade de aposentadoria começou a surgir com força.
A chegada de Hamilton à Ferrari, no início de 2025, gerou um entusiasmo mundial. Torcedores e especialistas acreditavam que, mesmo em fase final de carreira, o britânico poderia repetir a tradição de grandes campeões que triunfaram pela equipe italiana.
A expectativa era de que a combinação entre experiência, talento e capacidades de desenvolvimento do piloto fosse o ingrediente necessário para transformar a Ferrari em uma candidata ao título. Mas a realidade em pista foi cruel desde o primeiro treino de pré-temporada.
O carro apresentado pela equipe era instável em curvas de alta, inconsistente em ritmo de corrida e pouco responsivo a ajustes, dificultando a adaptação de Hamilton ao estilo de condução que sempre favoreceu máquinas equilibradas e com boa tração na saída de curva. O britânico, que historicamente extraiu o melhor dos carros que teve nas mãos, dessa vez se viu impotente diante de limitações que a Ferrari não conseguiu corrigir ao longo do ano.
A temporada passou corrida após corrida sem que Hamilton fosse capaz de brigar por posições de ponta. Em algumas etapas, conseguiu largadas decentes, mas invariavelmente caía no ritmo de corrida, perdendo desempenho em stints mais longos. Em outras, sequer avançava ao Q3, algo impensável para um piloto que dominou a classificação por tantos anos.
Além disso, a Ferrari cometeu erros estratégicos que custaram posições importantes, especialmente em corridas caóticas ou com variações climáticas. A combinação de tudo isso produziu um cenário impensável: Hamilton terminou 2025 sem um único pódio em corridas, um feito negativo inédito na carreira de um dos maiores pilotos de todos os tempos.
O que esperar de Hamilton em 2026 e o risco real da aposentadoria

Com o fim melancólico da temporada de 2025, as atenções se voltam agora para 2026, que será marcada por profundas mudanças no regulamento técnico, especialmente na aerodinâmica e nas unidades de potência mais híbridas e menos dependentes de MGU-H.
Para Hamilton, pode ser a última grande oportunidade de reencontrar competitividade. O novo pacote de regras tende a embaralhar o grid e abrir espaço para surpresas, e é justamente nisso que a Ferrari deposita suas esperanças. O time de Maranello acredita que pode interpretar melhor as mudanças do que as rivais, e se isso acontecer, Hamilton terá seu primeiro carro verdadeiramente competitivo desde sua saída da Mercedes.
Entretanto, o cenário é delicado. Hamilton sempre deixou claro que permaneceria na Fórmula 1 enquanto pudesse competir no mais alto nível. Se 2026 repetir o desastre de 2025, será a primeira vez na carreira em que o britânico enfrentará duas temporadas consecutivas sem sucesso significativo, algo que pode pesar de forma decisiva em sua motivação.
Aos 41 anos, com um legado amplamente consolidado e oportunidades fora das pistas, incluindo projetos sociais, empresariais e culturais, não seria surpreendente que ele decidisse encerrar sua trajetória caso perceba que não há mais caminho técnico para voltar ao topo.
A pressão também virá da própria Ferrari. Embora a chegada de Hamilton tenha sido um marco histórico, a equipe não pode se dar ao luxo de manter uma dupla sem resultados expressivos, especialmente com a ascensão de talentos mais jovens e a busca constante por desenvolvimento. Se Hamilton iniciar 2026 sofrendo para pontuar, ou mesmo para acompanhar o desempenho de seu companheiro, a narrativa da aposentadoria vai ganhar força rapidamente.
O fato é que a temporada de 2025 representou um ponto de virada na carreira de Lewis Hamilton. O heptacampeão experimentou um declínio de performance sem precedentes e enfrentou, pela primeira vez, a sensação de impotência diante de um carro que não parecia capaz de acompanhá-lo.
Agora, 2026 se torna não apenas uma chance de reabilitação, mas possivelmente sua última oportunidade de provar que ainda pode competir em nível de elite. Se conseguir reagir, a parceria com a Ferrari ainda pode render momentos positivos e quem sabe uma despedida à altura de sua grandeza. Mas se o roteiro seguir parecido com o de 2025, a Fórmula 1 pode estar prestes a se despedir de um de seus maiores nomes.
(Imagem de capa: Peter Fox/Getty Images)