Mauricio Pochettino
Futebol Copa do Mundo

Pochettino vira alvo de críticas após fracasso dos EUA na Copa do Mundo e futuro entra em xeque

Mauricio Pochettino chegou aos Estados Unidos cercado de expectativa. Contratado para liderar a seleção masculina na Copa do Mundo de 2026, disputada em casa, o treinador argentino era visto como o nome capaz de colocar o futebol americano em um novo patamar. Menos de dois anos depois, porém, o cenário é completamente diferente. A goleada por 4 a 1 sofrida para a Bélgica nas oitavas de final transformou um projeto considerado histórico em uma enorme decepção nacional.

A eliminação não foi apenas mais uma derrota em Copa do Mundo. Para muitos torcedores e analistas, representou o maior vexame da história da seleção dos Estados Unidos em um mata-mata do torneio. Jogando diante de sua torcida e carregando uma geração apontada como a mais talentosa do país, a equipe simplesmente não conseguiu competir contra os belgas.

Mesmo assim, poucas horas após o tropeço, a Federação de Futebol dos Estados Unidos (USSF) surpreendeu ao informar que ainda pretende discutir a permanência de Pochettino para o ciclo da Copa do Mundo de 2030. A possibilidade abriu um enorme debate sobre o futuro do treinador e sobre o nível de cobrança que deve existir após um fracasso desse tamanho.

A contratação de Pochettino parecia perfeita

É difícil questionar a decisão tomada pela USSF quando anunciou Mauricio Pochettino em setembro de 2024. Naquele momento, o futebol americano vinha de uma enorme frustração na Copa América, enquanto a seleção feminina também tentava se reconstruir depois da campanha decepcionante no Mundial de 2023.

A solução encontrada foi ambiciosa: contratar dois dos técnicos mais respeitados disponíveis no mercado. Emma Hayes assumiu a equipe feminina, enquanto Pochettino, conhecido pelos trabalhos de destaque em Tottenham, Paris Saint-Germain e Chelsea, ficou responsável pela seleção masculina.

A aposta parecia perfeita.

Hayes rapidamente justificou a confiança ao conquistar o ouro olímpico com as mulheres em apenas seu décimo jogo no comando. Já Pochettino iniciou seu trabalho cercado por discursos fortes sobre competitividade, intensidade e mudança de mentalidade.

Na apresentação, o argentino afirmou que seus jogadores precisavam tratar qualquer partida como uma final.

Segundo ele, foi exatamente assim que aprendeu durante sua formação no futebol argentino: amistoso, Copa América ou Copa do Mundo deveriam ter a mesma importância.

O discurso agradou. A prática, entretanto, ficou muito distante do esperado quando chegou o jogo mais importante de sua passagem.

A Bélgica expôs todos os problemas dos Estados Unidos

O placar de 4 a 1 chamou atenção por si só, mas a atuação americana foi ainda mais preocupante.

A equipe mostrou dificuldades para controlar a posse de bola, sofreu defensivamente durante praticamente toda a partida e foi facilmente neutralizada pelo técnico belga Rudi Garcia, que venceu o duelo tático com ampla vantagem.

O resultado ganhou ainda mais peso por acontecer diante de mais de 30 milhões de telespectadores americanos acompanhando uma Copa disputada em casa.

Para um país que investiu pesado na organização do torneio e enxergava aquela geração como capaz de finalmente competir entre as grandes potências, a eliminação virou um enorme golpe na credibilidade do projeto.

Se perder faz parte do futebol, a forma como aconteceu tornou tudo muito mais difícil de defender.

O próprio Pochettino assumiu responsabilidade

Após a partida, Mauricio Pochettino evitou fugir das perguntas e reconheceu sua parcela de culpa.

O treinador afirmou que o desempenho esteve muito abaixo do habitual e disse que o principal responsável era ele próprio. Ao mesmo tempo, também apontou falhas individuais dos jogadores, destacando que faltaram qualidade e execução durante os 90 minutos.

As declarações dividiram opiniões.

Enquanto alguns enxergaram honestidade nas palavras do argentino, outros consideraram inadequado dividir responsabilidades com o elenco logo após uma das derrotas mais dolorosas da história do futebol americano.

No fim das contas, o próprio treinador deixou claro que sabe o tamanho do fracasso.

Os números aumentam a pressão

O problema não se resume apenas ao jogo contra a Bélgica.

Durante seus 22 meses no comando da seleção, Pochettino acumulou um retrospecto bastante decepcionante diante das principais seleções europeias.

Foram sete derrotas em oito confrontos contra adversários do continente, incluindo uma goleada por 5 a 2 sofrida justamente para a Bélgica meses antes da Copa do Mundo.

Ou seja, o tropeço nas oitavas não apareceu do nada.

Os sinais já existiam, mas acabaram sendo amenizados pelas boas atuações diante de equipes tecnicamente inferiores.

Quando finalmente enfrentou um rival de elite em uma partida decisiva, os Estados Unidos voltaram a apresentar exatamente os mesmos problemas.

A comparação com Berhalter pesa

A discussão sobre a permanência de Pochettino também inevitavelmente lembra o que aconteceu com Gregg Berhalter.

O ex-treinador perdeu o cargo depois da campanha frustrante na Copa América de 2024. Na ocasião, a federação entendeu que era necessário iniciar um novo ciclo e encontrou em Pochettino um nome considerado muito acima do padrão normalmente disponível para a seleção americana.

Agora, a situação parece ainda mais delicada.

Se uma eliminação precoce na Copa América foi suficiente para provocar uma troca de comando, muitos questionam como uma derrota por 4 a 1 em uma Copa do Mundo disputada em casa poderia resultar na manutenção do treinador.

A lógica esportiva naturalmente coloca essa decisão sob enorme pressão.

A geração dourada também não escapa

É claro que toda a responsabilidade não pode cair apenas sobre Mauricio Pochettino.

Jogadores como Christian Pulisic, Weston McKennie, Tyler Adams e companhia também carregam parte importante desse fracasso.

Durante anos, esse grupo foi tratado como a geração mais talentosa da história do futebol americano. Muitos atletas atuam nas principais ligas da Europa e chegaram ao Mundial cercados por expectativas elevadas.

Dentro de campo, porém, a resposta ficou muito abaixo do esperado.

A oportunidade de disputar uma Copa do Mundo em casa dificilmente voltará para a maioria desses jogadores, e a eliminação certamente marcará suas carreiras por muito tempo.

O futuro do projeto está em discussão

Apesar do enorme desgaste, Mauricio Pochettino continua sendo um treinador extremamente respeitado no futebol internacional. Sua carreira construída em clubes como Tottenham, PSG e Chelsea dificilmente será definida apenas pelo fracasso nos Estados Unidos.

Ainda assim, o contexto pesa.

Ele foi contratado justamente para transformar a seleção americana em uma equipe capaz de competir contra as grandes potências quando mais importasse. Esse era o objetivo principal do projeto.

No momento decisivo, entretanto, os Estados Unidos não apenas perderam. Foram dominados, sofreram uma goleada histórica e encerraram precocemente o sonho de conquistar protagonismo em uma Copa do Mundo realizada diante da própria torcida.

A USSF agora precisa decidir qual mensagem pretende passar para o futuro. A contratação de Pochettino foi vista como um movimento ousado e extremamente ambicioso. Renovar seu contrato imediatamente após a maior decepção da história recente da seleção, porém, pode transformar uma decisão antes celebrada em uma escolha difícil de justificar perante torcedores, imprensa e até mesmo os próprios jogadores.

Foto: Sarah Stier – FIFA/FIFA via Getty Images