A Polônia entra em campo nesta terça-feira (31) sob pressão máxima diante da Suécia, em disputa por uma vaga na próxima Copa do Mundo, a qual ganhou contornos dramáticos especialmente por envolver o principal nome da história recente do país: Robert Lewandowski. Em uma idade avançada, o atacante se aproxima do que pode ser seu último grande ciclo com a seleção.
Ídolo absoluto, artilheiro histórico e referência técnica por mais de uma década, Lewandowski ainda busca um feito que falta em sua trajetória internacional: liderar a Polônia a uma campanha realmente marcante em um grande torneio, e isso será possível somente se os poloneses vencerem os suecos logo mais, considerando que esta chance talvez seja inexistente na Eurocopa de 2028.
Lewaundowski é um craque acima do coletivo na Polônia?
Apesar do talento individual de Lewandowski, a seleção polonesa raramente conseguiu acompanhar o nível de seu principal jogador. Em Copas do Mundo e Eurocopas recentes, a equipe teve dificuldades para competir contra adversários mais estruturados, frequentemente dependendo quase exclusivamente de seu camisa 9.
A crítica recorrente gira em torno justamente disso: a distância entre o desempenho do atacante em clubes (onde coleciona gols e títulos) e o que consegue reproduzir com a camisa da seleção. Tudo isso fica amplificado considerando a qualidade do veterano sob comando de Hansi Flick com a camisa do Barcelona, tendo sido decisivo na conquista de La Liga em 2024/25.
A possibilidade de a próxima Copa do Mundo ser o último grande torneio de Lewandowski adiciona um peso emocional ao jogo decisivo pelas Eliminatórias Europeias nesta terça-feira. Internamente, há o entendimento de que esta pode ser a última oportunidade de oferecer ao craque um palco à altura de sua carreira internacional. Para isso, a Polônia precisa mostrar algo que historicamente lhe faltou: consistência coletiva. Mais do que alimentar seu principal goleador, será necessário construir um time equilibrado, capaz de competir em diferentes cenários de jogo.
Nos últimos anos, a seleção tentou se renovar, incorporando jogadores mais jovens e buscando alternativas táticas para diminuir a dependência de Lewandowski. Ainda assim, o atacante segue como ponto central de praticamente todas as ações ofensivas. A expectativa é que nomes de apoio consigam dividir responsabilidades, permitindo que o camisa 9 tenha melhores condições de decidir, e não precise carregar sozinho o peso da equipe.
Polônia coloca legado de Lewandowski em jogo
Independentemente do desfecho, o legado de Lewandowski já está garantido como um dos maiores da história do futebol polonês. No entanto, o futebol de seleções costuma ser implacável com grandes nomes que não conseguem traduzir seu brilho individual em campanhas memoráveis. Terminar um ciclo pela seleção sem a conquista de nenhum grande título pode acabar diminuindo futuramente a passagem do artilheiro em grandes torneios.
Garantir vaga na Copa e, mais do que isso, ser competitivo no torneio, pode mudar essa narrativa. Para a Polônia, é a chance de finalmente estar à altura de sua maior estrela. Para Lewandowski, talvez seja a última oportunidade de transformar números impressionantes em um capítulo inesquecível com a camisa de seu país.
Imagem: Getty Images