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Automobilismo Fórmula 1

Por que a posição atual da Red Bull não conta toda a história do primeiro ano de Laurent Mekies no comando

Exatamente um ano após a nomeação de Laurent Mekies como apenas o segundo chefe de equipe da história da Red Bull, a equipe ocupa a mesma posição no Campeonato de Construtores: o quarto lugar. No entanto, embora os números sugiram estagnação, existem sinais de transformação que indicam um cenário mais complexo nos bastidores.

Quando Mekies assumiu o cargo de Christian Horner no verão passado, após liderar a Racing Bulls por um ano e meio, encontrou uma equipe em um momento delicado, que havia enfrentado um início de temporada bastante difícil. Naquele momento, a Red Bull havia somado 172 pontos em 12 Grandes Prêmios, com uma média de 14,3 pontos por corrida, e estava 288 pontos atrás da líder McLaren.

Neste ano, após nove Grandes Prêmios, a equipe possui 128 pontos, com média de 14,2 pontos por prova. Apesar de continuar distante da liderança, agora ocupada pela Mercedes, a diferença é de 205 pontos.

Observando apenas esses números, seria possível concluir que a Red Bull se encontra praticamente na mesma situação de doze meses atrás. Entretanto, essa interpretação não reflete completamente o que vem acontecendo dentro da equipe.

Embora a Red Bull ainda não tenha vencido nenhuma corrida na temporada de 2026 e continue atrás de Mercedes, Ferrari e McLaren na classificação, existe o entendimento dentro da Fórmula 1 de que mudanças estruturais não produzem resultados imediatos. Reconstruir uma organização competitiva exige tempo.

Mekies priorizou compreender a equipe antes de promover mudanças

Laurent Mekies é conhecido por valorizar as pessoas como elemento central de qualquer projeto bem-sucedido. Por isso, grande parte de seus primeiros seis meses no cargo foi dedicada a conhecer profundamente a equipe, identificar pontos fortes e compreender as áreas que precisavam de melhorias. Para facilitar esse processo, ele tomou uma decisão estratégica importante: manter o desenvolvimento do carro de 2025 até o fim da temporada.

Enquanto diversas equipes rivais direcionavam seus recursos para a preparação de 2026, ano marcado pela introdução de novos regulamentos para chassis e unidades de potência, Mekies optou por continuar investindo no carro então utilizado.

O dirigente de 49 anos sabia que essa escolha poderia prejudicar a equipe no início da nova era regulamentar e talvez até nas temporadas seguintes, já que significava começar 2026 com um projeto menos desenvolvido do que o de alguns concorrentes. Mesmo assim, considerou que essa era a decisão correta dentro de um planejamento de longo prazo.

Os resultados esportivos daquela escolha apareceram de maneira clara no fim de 2025. A Red Bull reduziu drasticamente a diferença para a McLaren nas etapas finais do campeonato. Max Verstappen venceu seis das últimas nove corridas e diminuiu uma desvantagem de 104 pontos para apenas dois ao término da temporada. Caso tivesse conquistado o título na reta final, a decisão provavelmente teria sido vista publicamente como um movimento brilhante.

Reestruturação interna impulsiona evolução nos bastidores

Mesmo sem conquistar o campeonato, a estratégia continuou sendo considerada positiva internamente. Ao prolongar o desenvolvimento do carro até o final da temporada anterior, Mekies conseguiu obter uma visão mais clara sobre o funcionamento da organização. Isso permitiu identificar quais áreas operavam de forma eficiente e quais necessitavam de reforços, tanto em infraestrutura quanto em recursos humanos.

Essa análise serviu de base para diversas mudanças implementadas ao longo de 2026. Aproximadamente 130 pessoas ingressaram na Red Bull durante os quatro primeiros meses do ano. Mekies reforçou vários departamentos e promoveu ajustes em outros setores.

No lado técnico, o chefe de design Craig Skinner deixou a equipe após duas décadas de trabalho. Em seu lugar, Ben Waterhouse chegou vindo da Racing Bulls para assumir o cargo de Engenheiro-Chefe de Performance e Design, trabalhando sob a supervisão do diretor técnico Pierre Wache.

Outra contratação importante foi Andrea Landi, que assumiu a posição de chefe de performance após acumular experiência na Ferrari e também na Racing Bulls. Naturalmente, a equipe reconhece que os efeitos dessas mudanças não aparecerão imediatamente. Um exemplo disso é o novo túnel de vento da Red Bull, que só entrará em funcionamento no próximo ano.

Como ainda será necessário calibrar a nova instalação, o primeiro carro a realmente se beneficiar dela deverá ser o modelo de 2028.

Hadjar impressiona enquanto o futuro de Verstappen segue indefinido

Enquanto a equipe trabalha para acelerar sua recuperação, também existem motivos para otimismo dentro da garagem. Um dos principais pontos positivos tem sido o desempenho de Isack Hadjar em sua segunda temporada na Fórmula 1.

O piloto francês terminou entre os seis primeiros colocados em cada um dos últimos cinco Grandes Prêmios e ocupa atualmente a oitava posição no Campeonato de Pilotos, apenas 24 pontos atrás de Max Verstappen.

Na maior parte do tempo, Hadjar tem ficado cerca de um quarto de segundo atrás do tetracampeão mundial em ritmo de classificação e corrida, desempenho considerado significativamente melhor do que o apresentado por muitos de seus antecessores. Inclusive, é possível argumentar que ele tem sido um dos companheiros de equipe mais competitivos enfrentados por Verstappen desde Daniel Ricciardo, em 2018.

Isso ganha ainda mais relevância considerando que, nesse período, Verstappen dividiu equipe com pilotos experientes e vencedores de corridas, como Sergio Perez e Pierre Gasly.

Comentando a evolução de Hadjar, Mekies afirmou: “Certamente, olhando para o panorama geral, para nós é um passo à frente toda vez que ele entra na pista com o carro. Isso é positivo para o restante da temporada.”

A situação é menos tranquila quando o assunto é Verstappen. Assim como ocorreu quando Mekies assumiu o comando da equipe, o futuro do holandês continua cercado de incertezas. Verstappen quer disputar vitórias e títulos, algo que não conseguiu fazer nesta temporada devido à falta de competitividade do carro.

Como as principais equipes rivais já possuem suas formações definidas para o próximo ano, a permanência na Red Bull parece atualmente sua alternativa mais viável.

Garantir que isso aconteça será uma das tarefas mais importantes de Laurent Mekies nos próximos meses. E, para alcançar esse objetivo, a solução mais eficaz continua sendo a mesma: entregar a Verstappen um carro capaz de voltar a lutar por vitórias e pelas primeiras posições do campeonato.

Foto: (Fórmula 1)