As quartas de final da Copa do Mundo reservam um confronto especial para Erling Haaland. Principal estrela da Noruega, o atacante enfrentará a Inglaterra em um duelo que vai muito além da disputa por uma vaga na semifinal: a partida também o colocará frente a frente com o país onde ele nasceu.
O camisa 9 veio ao mundo em Leeds, em 2000, quando seu pai, Alf-Inge Haaland, atuava no futebol inglês. Ex-volante, Alf-Inge defendeu Nottingham Forest, Leeds United e Manchester City durante sua passagem pela Premier League, período em que a família viveu na Inglaterra.
Noruega sempre esteve em seu coração

Apesar do nascimento em território inglês, Haaland sempre se sentiu ligado à Noruega. Quando começou a despontar pelo Molde, a Federação Inglesa tentou convencê-lo a defender as categorias de base da seleção. O argumento era simples: além de ter nascido na Inglaterra, o atacante conhecia a cultura do país e havia dado seus primeiros passos por lá.
A possibilidade, no entanto, nunca avançou. Embora tivesse direito de nascimento, Haaland não possuía cidadania britânica. Para obter o passaporte inglês, seria necessário abrir mão da nacionalidade norueguesa, hipótese que jamais foi considerada pela família.
O vínculo com a Noruega sempre falou mais alto. A escolha se mostrou natural dentro de campo. Ainda nas categorias de base, Haaland chamou a atenção do mundo ao marcar nove gols na vitória da Noruega sobre Honduras pelo Mundial Sub-20 de 2019, desempenho que entrou para a história da competição.
Simplesmente um cometa!

Na seleção principal, a trajetória seguiu em ritmo impressionante. Antes mesmo das quartas de final, o atacante já acumulava 62 gols em apenas 54 partidas, números que o consolidaram como o maior protagonista da geração norueguesa.
Na atual Copa do Mundo, o desempenho também impressiona. São sete gols em cinco jogos e atuações decisivas que ajudaram a Noruega a eliminar o Brasil nas oitavas de final.
Após a classificação histórica, Haaland admitiu que nem ele imaginava viver um momento como esse.
“Sempre sonhei em disputar uma Copa do Mundo pela Noruega e levá-la à final. Mas, sinceramente, nunca imaginei que eliminaríamos o Brasil.”
Agora, o desafio ganha um componente ainda mais simbólico.
Além do peso histórico do confronto, Haaland reencontrará defensores que conhece muito bem da Premier League. Ao longo dos últimos anos, enfrentou repetidas vezes nomes como Dan Burn, Marc Guéhi, Ezri Konsa, John Stones e Trevoh Chalobah.
Os retrospectos são favoráveis ao norueguês. Contra Burn, venceu 15 duelos individuais. Já diante da dupla formada por Guéhi e Konsa, marcou oito gols em 12 partidas. Considerando todos os zagueiros ingleses que podem atuar nas quartas de final, Haaland soma 11 gols marcados.
Os números ajudam a explicar por que a Inglaterra trata o atacante como a principal ameaça da partida.
Para Haaland, porém, o duelo também representa um reencontro com parte de sua própria história. Nascido em solo inglês, criado em uma família profundamente ligada à Noruega e hoje ídolo nacional, ele terá pela frente o país que tentou convencê-lo a vestir outra camisa.
Agora, defender a escolha feita anos atrás pode valer uma inédita vaga da Noruega nas semifinais da Copa do Mundo.
Créditos da foto de capa: Reprodução/Getty Images


