Apesar da expulsão, Casemiro marcou na volta ao time titular. Foto: Assim como Tosin, Chalobah foi muito criticado pela atuação contra o Bayern. Foto: Alex Livesey/Getty Images — Reprodução.
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Por que a saída de Casemiro do Manchester United não tem mais volta?

Casemiro está jogando como se tivesse apertado o botão de “voltar no tempo”. Aos 33 anos (34 no fim deste mês), o volante brasileiro vive seu melhor momento com a camisa do Manchester United desde que chegou a Old Trafford, em 2022, numa negociação que girou em torno de £70 milhões. Gols, liderança, tackles, passes de efeito e até passes sem olhar estão de volta ao cardápio. Mesmo assim, o roteiro já está escrito: o United não vai voltar atrás e permitirá a saída do camisa 18 quando seu contrato expirar em junho.

E aí vem a pergunta que não quer calar, ecoando nas arquibancadas e nas redes sociais: como assim deixar sair um jogador que está voando? A resposta passa menos pelo presente, que é muito bom e mais pelo futuro, que o clube tenta finalmente organizar. Está na busca de encerrar um ciclo da melhor forma possível.

Um Casemiro versão “anos dourados”

A atuação contra o Fulham, no último domingo, simboliza bem essa fase. Casemiro abriu o placar de cabeça e ainda deu uma assistência de luxo para Matheus Cunha, com direito a passe sem olhar. Simplesmente lindo de se ver, demonstrando que ainda tem capacidade para fazer jogos de alto nível.

Jamie Carragher resumiu tudo ao dizer que ele parece “um jogador completamente diferente”. Paul Merson foi na mesma linha, destacando o impacto do brasileiro ao lado de Kobbie Mainoo e Bruno Fernandes, trio que deu nova cara ao meio-campo desde a chegada de Michael Carrick ao comando técnico, deixando claro que não é necessário contratações para o setor, ideia que o último treinador estava tentando vender.

Casemiro, inclusive, começou os três jogos sob Carrick como titular e virou peça-chave imediata, não que não fosse antes, mas ganhou mais força ainda. O problema é que a decisão sobre sua saída já havia sido tomada antes, ainda na era Ruben Amorim.

Decisão tomada e sem botão de “reset”

O Manchester United tinha a opção de ativar uma renovação automática de mais um ano no contrato de Casemiro. Optou por não fazê-lo. Segundo informações internas, a escolha faz parte de um plano mais amplo de rejuvenescimento do elenco e, principalmente, de reorganização da folha salarial.

Hoje, Casemiro recebe cerca de £325 mil por semana, um dos maiores salários do clube, e mesmo que seja capaz de entregar essas atuações as vezes, é difícil mantê-lo desta forma. Hoje, os Diabos Vermelhos andam tentando corrigir erros do passado, contratos longos, caros e pouco sustentáveis, manter esse custo não se encaixa no planejamento.

Rob Dorsett, da Sky Sports News, foi direto ao explicar a posição do clube:

“O United não quer mais decisões de curto prazo. Foi isso que colocou o clube em problemas antes. Casemiro está jogando muito, mas eles precisam pensar no longo prazo.”

E mais: o clube já produziu o vídeo de despedida. Traduzindo para o futebolês: não tem volta.

A idade pesa (mesmo com bom futebol)

Por mais injusto que pareça, o fator idade pesa e muito nesse tipo de decisão. Casemiro chega aos 34 anos carregando uma carreira brilhante, títulos de sobra e um histórico pesado de minutos em alto nível. O clube entende que esse “pico” atual é real, mas não sustentável por muito tempo, não é a toa que já haviam conversas sobre a chegada de um novo primeiro volante na última janela de transferências, mas essa movimentação foi adiada.

Antes dessa retomada, o brasileiro vinha sendo bastante criticado, especialmente por sua dificuldade em cobrir grandes espaços sozinho no meio. Algo que ficou mais evidente quando Bruno Fernandes avançava demais e o sistema ficava exposto.

A entrada de Kobbie Mainoo mudou o cenário. O jovem inglês equilibrou o setor, deu pernas ao meio-campo e permitiu que Casemiro jogasse de forma mais protegida, algo que Michael Carrick leu com precisão.

Mesmo assim, o United olha para frente. E, nesse futuro, Casemiro não está incluído.

Os números mostram que ele ainda entrega e muito

Mesmo com a decisão da diretoria já tomada, os números de Casemiro nesta edição da Premier League deixam claro que o volante ainda está longe de ser um jogador em declínio. O brasileiro marcou cinco gols no campeonato, a mesma quantidade de Bruno Fernandes e Benjamin Sesko, um dado que por si só já chama atenção para alguém que atua predominantemente como primeiro volante. Quatro desses gols, inclusive, vieram de cabeça, reforçando o peso do brasileiro como arma ofensiva em bolas paradas, algo que o clube inglês tem explorado cada vez mais.

Defensivamente, o impacto segue evidente. Casemiro lidera o elenco em número de desarmes, com 52 tackles realizados até aqui, além de ser o segundo jogador que mais recuperou bolas no meio-campo, com 51 ações, ficando atrás apenas de Bruno Fernandes. Nos duelos individuais, outro ponto-chave de seu jogo, o brasileiro venceu 107 disputas, número superado somente por Patrick Dorgu dentro do elenco.

Ou seja, não se trata apenas de experiência, liderança ou leitura de jogo. O volante ainda influencia partidas de forma concreta, entrega intensidade, presença física e qualidade técnica em ambos os lados do campo. A fase atual não é sustentada por lampejos ou nostalgia, mas por dados que confirmam sua importância imediata para o Manchester United, mesmo em um contexto no qual o clube já decidiu olhar para além dele.

O plano do United: meio-campo é prioridade

Se Casemiro sai, alguém precisa chegar. E o Manchester United já tem isso muito claro. O clube vai investir pesado no meio-campo na próxima janela. A equipe que trabalha fora dos gramados já tem feito seu trabalho de casa, e já colocou algumas opções na mesa.

Alguns nomes monitorados:

  • Elliot Anderson (Nottingham Forest) — considerado o principal alvo

  • Carlos Baleba (Brighton)

  • Adam Wharton

  • João Gomes (Wolves)

A ideia é até contratar dois meio-campistas, seguindo uma estratégia “janela por janela”. No último verão, o foco foi ataque, com quase £280 milhões investidos. Agora, é hora de corrigir o desequilíbrio no meio, abrindo espaço também, para a saída de alguns nomes, como pode ser o caso de Ugarte, uma peça que não foi capaz de se adaptar a Premier League.

Um adeus com aplausos, não com vaias

Casemiro não vai sair pela porta dos fundos. Muito pelo contrário. Essa reta final de temporada está ajudando a reconstruir sua imagem e garantir um grande adeus em Old Trafford, à altura do jogador que ele é. Teve seus problemas com certas comissões técnicas, mas hoje, tem sido capaz de manter seu nível, e mostrar o quão grande ele é.

Já falou que não pretende voltar para o Brasil, e muito menos se aposentar, então, não deve ser loucura considerar uma continuidade na Europa. Entretato, por que não viver uma pouco de uma competição mais leve e mais lucrativa para seu futuro, uma Arábia Saudita, um Estados Unidos, quem sabe?

Ele ainda será extremamente útil até maio. Mas o United, desta vez, decidiu não se deixar levar pela emoção do momento. Gostando ou não, é uma decisão rara de planejamento em um clube que passou anos errando exatamente nisso.

Casemiro está jogando muita bola. Mas o Manchester United, finalmente, está tentando pensar como clube grande.

Foto: Alex Livesey/Getty Images — Reprodução.