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Portugal sem Cristiano Ronaldo joga melhor? Confira

A seleção de Portugal pode estar entrando definitivamente em uma nova era, desta vez sem Cristiano Ronaldo como protagonista. Aos 41 anos, o maior artilheiro da história da equipe voltou a ser o centro das atenções após ficar no banco durante a vitória por 2 a 1 sobre a Noruega, pela Nations League. A decisão de Jorge Jesus provocou grande repercussão e reacendeu uma discussão que acompanha os portugueses desde a Copa do Mundo de 2022.

O treinador defendeu sua escolha e afirmou que nenhum jogador terá influência sobre suas decisões. Jesus também explicou que Cristiano Ronaldo seria utilizado apenas se a situação da partida exigisse sua entrada, reforçando que as regras são iguais para todos os integrantes do elenco.

A resposta do atacante não demorou. Depois de permanecer no banco pela primeira vez em uma partida internacional na qual estava disponível desde 2008, Ronaldo deixou a concentração portuguesa e publicou uma mensagem nas redes sociais prometendo revelar sua versão dos acontecimentos. A imprensa local classificou a situação como um verdadeiro terremoto.

Segundo relatos divulgados após o episódio, o camisa 7 pode até ter disputado sua última partida pela seleção. Embora não exista confirmação definitiva, o cenário coloca Portugal diante de uma pergunta importante: chegou o momento de construir uma equipe sem depender de seu maior ídolo?

Cristiano Ronaldo já enfrentou situação parecida em 2022

A discussão não é exatamente nova. Durante a Copa do Mundo de 2022, Fernando Santos surpreendeu ao deixar Cristiano Ronaldo no banco para enfrentar a Suíça pelas oitavas de final. Na ocasião, o treinador apostou em Gonçalo Ramos, que marcou três gols na goleada portuguesa por 6 a 1.

Aquela partida parecia representar uma passagem de bastão. Ronaldo, então com 37 anos, havia marcado apenas um gol no torneio, enquanto Ramos demonstrava condições de assumir o comando do ataque. Apesar disso, o veterano continuou sendo uma das principais referências da seleção nos anos seguintes.

Os números das últimas competições mostram uma trajetória irregular. Ronaldo marcou cinco gols na Eurocopa de 2020, mas balançou as redes apenas uma vez no Mundial de 2022 e passou em branco na Eurocopa de 2024. Na Copa do Mundo de 2026, recuperou parte de sua eficiência e terminou com três gols.

O atacante também continuou quebrando recordes e conquistou mais um título da Nations League. Entretanto, a discussão atual não envolve necessariamente tudo o que Ronaldo conquistou, mas qual deveria ser seu papel em uma seleção que possui outras alternativas ofensivas.

Jorge Jesus começa a mudar o ataque de Portugal

A decisão de Jorge Jesus contra a Noruega também teve uma justificativa tática. Dias antes, Cristiano Ronaldo havia enfrentado o País de Gales e passado 67 minutos em campo sem marcar, apesar de ter finalizado sete vezes, o maior número da partida.

Diante dos noruegueses, Portugal precisava proteger uma vantagem de 2 a 1 durante o segundo tempo. Com apenas 38% de posse de bola, a equipe estava concentrada principalmente na organização defensiva e precisava de jogadores capazes de contribuir para a marcação e aproveitar os contra-ataques.

Nesse cenário, Jesus optou por não colocar Ronaldo em campo. A escolha também permitiu que Gonçalo Ramos continuasse recebendo oportunidades. Atualmente no Milan, o centroavante marcou o gol que garantiu a vitória portuguesa e vem desenvolvendo uma parceria interessante com João Félix.

Félix, inclusive, atravessa um momento positivo e voltou a apresentar boas atuações nesta Data Fifa. A combinação entre os dois atacantes oferece ao treinador uma alternativa para construir uma equipe mais dinâmica, sem necessariamente depender de um centroavante que concentre grande parte das finalizações.

Nova geração oferece alternativas para Portugal

Apesar da eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, Portugal possui um elenco com qualidade suficiente para iniciar um novo ciclo. A equipe reúne jogadores importantes em praticamente todos os setores e oferece diversas possibilidades para Jorge Jesus.

No meio-campo, Bruno Fernandes, João Neves e Vitinha formam uma combinação de experiência, intensidade e qualidade técnica. Os três possuem características que permitem à seleção controlar partidas e criar oportunidades de diferentes maneiras.

Outros nomes, como Rúben Dias, Nuno Mendes, Diogo Costa e Bernardo Silva, também demonstram a profundidade do elenco português. Com tantas opções, Jesus possui jogadores para construir uma equipe competitiva e adaptar sua estratégia às necessidades de cada confronto.

Isso não significa desconsiderar a importância histórica de Cristiano Ronaldo. Seus gols, recordes e conquistas fazem parte da trajetória do futebol português. Entretanto, a seleção precisa encontrar maneiras de aproveitar seus talentos atuais e permitir que outros jogadores assumam responsabilidades.

Portugal terá de encontrar seu caminho sem Ronaldo

A situação envolvendo Cristiano Ronaldo pode representar uma mudança importante no planejamento de Jorge Jesus. A decisão de deixar o atacante no banco contra a Noruega mostrou que o treinador está disposto a tomar decisões considerando as necessidades da equipe.

O crescimento de Gonçalo Ramos e João Félix fortalece essa possibilidade. Além disso, a qualidade do meio-campo português oferece condições para que a seleção desenvolva uma identidade coletiva e explore diferentes soluções ofensivas.

A eventual saída definitiva de Ronaldo encerraria um dos capítulos mais importantes da história da seleção portuguesa. Contudo, o desafio de Jorge Jesus será garantir que essa transição aconteça sem comprometer o desempenho de uma equipe que continua reunindo alguns dos principais jogadores do futebol europeu.

Depois de quase quatro anos convivendo com discussões sobre o papel de seu maior ídolo, Portugal pode finalmente começar a construir uma nova fase. A vitória sobre a Noruega mostrou uma alternativa, mas os próximos jogos serão fundamentais para entender como essa mudança poderá funcionar.

Foto: (via Imagn)