A Premier League chegou a novembro sem registrar uma única demissão de treinador na temporada 2026/27. A ausência de mudanças chama a atenção em uma competição na qual os primeiros meses costumam ser suficientes para derrubar alguns comandantes. Agora, com a segunda pausa internacional do calendário se aproximando com mais uma Data Fifa, a pressão aumenta sobre cinco profissionais: Michael Carrick, do Manchester United; Pierre Sage, do Crystal Palace; Oliver Glasner, do Nottingham Forest; Régis Le Bris, do Sunderland; e Matthias Jaissle, do Newcastle.
O levantamento publicado pelo Opta Analyst mostra que, embora todos enfrentem questionamentos, os motivos e a gravidade de cada situação são diferentes. Em alguns casos, os resultados escondem um desempenho melhor do que a classificação sugere. Em outros, os números reforçam a preocupação dos clubes.
Cinco treinadores no radar dos clubes
Michael Carrick esteve muito perto de se tornar o primeiro treinador demitido na temporada. A derrota por 3 a 0 para o Bournemouth, em Old Trafford, aumentou a pressão sobre o comandante do Manchester United. A diretoria, porém, decidiu não fazer uma mudança imediata, em uma decisão que pode ter sido influenciada pelo apoio dos torcedores ao técnico, mesmo depois do resultado negativo.
Desde então, o United perdeu por 2 a 0 para o Chelsea, em uma partida na qual a expulsão de Lisandro Martínez teve influência, mas também conseguiu uma reação importante na Champions League: depois de sair perdendo por dois gols, venceu a Roma. O resultado europeu deu algum fôlego a Carrick, mas não resolveu os problemas no Campeonato Inglês. O clube soma apenas sete pontos em nove rodadas e vive seu pior início de temporada na elite em 40 anos. A partida contra o Aston Villa, portanto, ganhou peso especial para o futuro do treinador.
No Crystal Palace, Pierre Sage enfrenta um cenário ainda mais delicado em relação ao apoio da torcida. A equipe perdeu os últimos três jogos sem marcar e sofreu 21 gols, número que representa a pior defesa da competição. O dado também chama a atenção pelo volume de finalizações: o Palace sofreu 79 chutes a mais do que conseguiu produzir, a maior diferença entre os clubes da Premier League.
Oliver Glasner também está pressionado no Nottingham Forest. A equipe ocupa a 19ª posição, com apenas seis pontos, mas existe um detalhe importante que pode pesar a favor do treinador: o desempenho apresentado em campo é consideravelmente melhor do que os resultados indicam.
Forest e Sunderland têm números que desafiam a classificação
A tabela de pontos esperados da Opta coloca o Nottingham Forest na terceira posição, com 15,5 pontos, apesar de o time ter conquistado apenas seis na classificação real. O modelo considera a qualidade e a quantidade das chances criadas e cedidas em cada partida, simula os possíveis resultados e calcula quantos pontos uma equipe poderia ter somado a partir dessas oportunidades.
A diferença sugere que o Forest vem sendo penalizado pelos resultados, especialmente pela falta de eficiência nas finalizações. O time marcou oito gols a menos do que o esperado em relação ao seu xG, com saldo negativo de 8,3 — a maior subperformance ofensiva da liga nesta temporada. É um argumento importante para a diretoria considerar antes de interromper o trabalho de Glasner, embora a posição na tabela mantenha o treinador sob pressão.
O Sunderland apresenta um quadro semelhante. Na lanterna da Premier League, com cinco pontos, a equipe também aparece entre as que mais desperdiçam oportunidades em relação ao esperado: seu saldo de gols diante do xG é de -6,2, o segundo pior da competição.
Régis Le Bris, entretanto, tem um histórico recente que pode lhe garantir mais crédito. O francês conduziu o Sunderland ao acesso em 2025 e, na temporada passada, alcançou um expressivo sétimo lugar na Premier League. A paciência, porém, começa a diminuir. Na derrota por 2 a 0 para o Dinamo Zagreb, pela Europa League, os jogadores foram vaiados no intervalo e também ao fim da partida.
A situação de Matthias Jaissle, no Newcastle, é diferente. O time ocupa a 13ª colocação, com 11 pontos, mas aparece na última posição da tabela de pontos esperados da Opta. Isso indica que o desempenho da equipe tem sido pior do que os resultados conquistados até aqui sugerem. A derrota em casa para o Everton também provocou vaias da torcida, mas uma vitória pode aproximar o Newcastle das posições que levam às competições europeias, dependendo dos demais resultados. Por isso, Jaissle aparece como um nome a observar, embora não esteja necessariamente no mesmo nível de risco dos outros treinadores citados.
Novembro é um dos meses mais perigosos para os técnicos
O histórico da Premier League ajuda a dimensionar a importância do momento. Considerando o mês em que aconteceu a primeira demissão de cada temporada, setembro lidera com 10 ocorrências. Novembro aparece na sequência, com oito, o equivalente a quase um quarto das 34 temporadas disputadas no atual formato da competição.
Nos últimos 13 campeonatos, a primeira mudança aconteceu em novembro ou depois em apenas quatro oportunidades: novembro de 2018/19 e dezembro de 2014/15, 2020/21 e 2023/24. Nas demais temporadas desse recorte, a primeira saída ocorreu em setembro ou outubro. A ausência de demissões até agora, portanto, representa uma mudança em relação ao comportamento mais recente dos clubes.
O cenário fica ainda mais significativo quando são consideradas todas as trocas de treinadores durante as temporadas. Novembro e dezembro dividem a liderança histórica, com 35 mudanças cada. São justamente os meses em que a pressão sobre os dirigentes costuma aumentar e a possibilidade de uma reação com um novo comandante ganha força.
A troca pode parecer uma solução atraente, especialmente quando a temporada ainda está no início e poucas vitórias são capazes de modificar a situação de um clube. Além disso, a decisão de um concorrente pode acelerar o movimento de outros dirigentes, receosos de esperar demais e perder a oportunidade de reagir.
Há, contudo, particularidades na atual edição. Nenhuma das equipes promovidas enfrenta uma situação especialmente preocupante, e não existe um clube completamente isolado na parte inferior da tabela. Esse equilíbrio ajuda a explicar por que as diretorias ainda não recorreram às demissões.
A estabilidade, porém, pode estar perto do fim. Com cinco treinadores sob pressão e novembro historicamente marcado por mudanças, a próxima sequência de partidas pode definir os primeiros movimentos nos bancos da Premier League. Se um clube decidir agir, a possibilidade de outras demissões em efeito dominó passa a fazer parte do cenário.
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