O Chelsea alterou sua política de recrutamento de jogadores nesta atual janela de transferências. Após anos priorizando quase exclusivamente a contratação de jovens promessas com contratos de longa duração para a montagem da equipe na Premier League, a diretoria dos Blues decidiu alterar sua rota ao mirar a chegada dos experientes Jordan Henderson e Danny Welbeck.
Embora a chegada de atletas acima dos 30 anos muitas vezes seja recebida de forma negativa, muitas vezes avaliados como jogadores em declínio físico, a história da Premier League está repleta de exemplos em que a experiência provou ser determinante para transformar elencos e erguer títulos.
A seguir, analisamos o impacto individual de seis dos jogadores mais experientes que marcaram a era moderna da Premier League e que inspiram a nova postura adotada pelo Chelsea.
Gary McAllister (Liverpool)
Em 2000, o Liverpool surpreendeu ao anunciar a chegada do meia escocês Gary McAllister em uma transferência sem custos junto ao Coventry City. Aos 35 anos, a contratação foi recebida com desconfiança por boa parte da torcida, mas o veterano se tornou rapidamente p pilar do time comandado por Gérard Houllier. Na sua temporada de estreia, McAllister foi decisivo para a conquista da tríplice coroa (FA Cup, Copa da Liga Inglesa e Copa da UEFA, equivalente à UEFA Europa League), brilhando com um gol e três participações diretas na vitória por 5 a 4 sobre o Deportivo Alavés na decisão europeia.
Para além do desempenho técnico nas partidas de mata-mata, McAllister desempenhou um papel vital na formação dos jovens talentos da base de Anfield. Ele assumiu a responsabilidade de ser o grande mentor de Steven Gerrard no início de sua trajetória profissional, ensinando atalhos do campo, leitura de jogo e postura fora dos gramados.
Youri Djorkaeff (Bolton Wanderers)
Em 2002, o técnico Sam Allardyce protagonizou um dos movimentos mais impressionantes do mercado de transferências do futebol inglês ao convencer o francês Youri Djorkaeff a assinar com o Bolton Wanderers. Campeão da Copa do Mundo em 1998 e da Eurocopa em 2000, o meia-atacante trocou o Kaiserslautern pelo futebol inglês aos 34 anos de idade, encarando o desafio de liderar uma equipe que lutava constantemente para não cair de divisão.
Djorkaeff não demorou a mostrar sua classe com a camisa do Bolton. Com um estilo elegante, grande visão de jogo e boa capacidade de finalização, o francês marcou 21 gols em 87 partidas ao longo de três temporadas. Suas atuações não apenas garantiram a permanência do Bolton na Premier League com folga, mas também mudaram o patamar e a reputação do clube, abrindo caminho para a chegada de outros bons jogadores nos anos seguintes.
Edwin van der Sar (Manchester United)
A busca do Manchester United para encontrar um substituto à altura de Peter Schmeichel durou seis anos e envolveu diversos testes frustrados. A solução só veio em 2005, quando Alex Ferguson buscou o goleiro holandês Edwin van der Sar no Fulham, quando ele já tinha 35 anos. Apesar de ser previsto apenas como uma passagem temporária, van der Sar marcou época e virou um dos maiores goleiros da história do clube.
Van der Sar permaneceu seis temporadas como titular absoluto em Old Trafford, disputando 266 partidas e conquistando 11 troféus, incluindo quatro títulos da Premier League e a UEFA Champions League de 2008. Na temporada 2008-2009, o holandês cravou seu nome na história do futebol ao estabelecer o recorde de 1.311 minutos consecutivos sem sofrer gols na Premier League.
Esteban Cambiasso (Leicester City)
Após encerrar um ciclo vitorioso e repleto de conquistas na Inter de Milão, o volante argentino Esteban Cambiasso acertou com o Leicester City em 2014 para sua primeira experiência na Premier League. Aos 34 anos, Cambiasso já não tinha o mesmo ritmo físico do seu auge na Itália, mas compensava com sua leitura de jogo e um posicionamento impecável no setor de contenção.
Cambiasso foi a grande força e o líder da recuperação histórica dos Foxes na temporada 2014-2015. Com o time atolado na lanterna da competição até meados de abril, o argentino comandou a arrancada que resultou em sete vitórias nas últimas nove rodadas, garantindo a permanência do clube na Premier League. Eleito o Jogador do Ano no Leicester, Cambiasso deixou o clube no final daquela temporada, mas sua postura estabeleceu a mentalidade competitiva que resultou no inédito título inglês na temporada seguinte.
Zlatan Ibrahimovic (Manchester United)
A chegada de Zlatan Ibrahimovic ao Manchester United em 2016 dividiu opiniões na Inglaterra. Mesmo tendo um currículo de 11 títulos de campeonatos nacionais e uma carreira cheia de gols por onde passou, parte da imprensa questionava se o atacante sueco, aos 35 anos, conseguiria acompanhar a intensidade física e o ritmo da Premier League. Ibrahimovic respondeu da sua forma habitual, marcando na estreia contra o Bournemouth e assumindo a condição de protagonista do ataque de José Mourinho.
Em sua temporada de estreia no futebol inglês, o sueco marcou 28 gols em 46 partidas disputadas. Ele foi o herói da conquista da Copa da Liga Inglesa ao anotar dois gols na final contra o Southampton e teve participação fundamental na campanha do título da Europa League.
Thiago Silva (Chelsea)
A própria história recente do Chelsea oferece a prova do valor de um atleta veterano no futebol moderno. Em 2020, os Blues acertaram a contratação do zagueiro Thiago Silva após o encerramento do seu vínculo com o Paris Saint-Germain. Chegando a Stamford Bridge aos 35 anos e sob desconfiança de parte da mídia em relação à sua adaptação ao estilo intenso da Premier League, o brasileiro assinou um contrato inicial de apenas 12 meses.
O que era para ser uma passagem curta acabou tendo quatro temporadas de pura técnica e liderança. Thiago Silva disputou 155 partidas pelo clube, ergueu a taça da Champions League logo em sua primeira temporada e virou a grande referência do setor defensivo. Em 2023, aos 39 anos, foi eleito o Jogador da Temporada pelos torcedores e pelos próprios companheiros de elenco.
A grande trajetória em Londres demonstra à atual diretoria do Chelsea que a experiência de atletas é o atalho mais seguro para dar equilíbrio, maturidade e segurança a um grupo jovem.
Créditos da foto de capa: Gaspafotos/MB Media/Getty Images



