Se tem uma coisa que a Premier League aprendeu a conviver nos últimos anos é com números. Muitos deles inclusive. Entre eles, poucos geram tanto debate quanto o xG (os famosos gols esperados). Para alguns, é futebol de planilha. Para outros, uma das melhores ferramentas para entender quem realmente joga bem e quem apenas sobrevive de bons momentos, ou encontra brechas no decorrer do tempo.
Com mais da metade da temporada disputada, os dados já são consistentes o suficiente para ir além do achismo. E eles indicam um cenário claro: se os times mantiverem o nível de desempenho apresentado até aqui, o roteiro da Premier League começa a se desenhar com certa antecedência.
O que o xG explica no contexto da Premier League?
O xG mede a qualidade das chances criadas e concedidas. Não fala apenas de gols marcados, mas de quantos gols um time deveria marcar, considerando posição do chute, tipo de finalização e pressão defensiva.
Já a diferença de xG é ainda mais reveladora. Ela mostra quem domina jogos, controla território e reduz riscos. Historicamente, na Premier League, equipes com “xG difference” alto tendem a se manter no topo da tabela ao longo da temporada.
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E os números atuais não deixam muita margem para interpretação, deixando claro quem são os principais times da Premier League, e os outros…
Arsenal na frente, e os dados comprovam
Apesar do discurso cauteloso de Pep Guardiola, os números indicam que a disputa pelo título da Premier League está concentrada em dois times: Arsenal e Manchester City. E, até aqui, com vantagem dos Gunners, muito por conta da queda de rendimento dos Sky Blues, enquanto o time londrino encontrou meios de seguir com estabilidade.
O Arsenal lidera a liga em xG difference, reflexo de um time equilibrado, intenso e eficiente nos dois lados do campo. Talvez não seja tão dominante quanto foi em temporadas recentes, mas segue sendo o mais consistente do campeonato, com peças com poder de desestabilização no confronto.
O histórico reforça o otimismo: em três das últimas quatro edições da Premier League, o time com melhor xG difference terminou campeão. A única exceção veio justamente quando o Manchester City ignorou a lógica estatística e venceu mesmo sem liderar os números, talvez ali, seja o cenário fora dos números, quando as coisas simplesmente precisam acontecer.
Manchester City ainda forte, mas menos absoluto
O City continua como principal perseguidor, mas não com a mesma aura de invencibilidade do recorte recente. O time cria muito, mas também concede mais chances do que em anos anteriores, o sistema defensivo está longe de se encontrar como um dos principais do país, muito menos do mundo.
Isso ajuda a explicar por que a atual temporada da Premier League tem sido menos previsível. O City segue favorito em qualquer cenário, mas os números indicam uma disputa mais aberta do que o habitual.
Champions League promete disputa até o fim
Se o título parece restrito a dois clubes, a corrida pelas vagas na Champions League segue completamente aberta. Liverpool, Manchester United, Newcastle e Chelsea aparecem separados por detalhes, sem esquecer dos outros nomes não tão badalados quanto os citados, que estão doidos para roubar uma vaguinha por meio da Premier League.
O caso do Manchester United chama atenção. Mesmo com a saída de Ruben Amorim e um aproveitamento baixo, o xG mostra um time que vinha evoluindo antes da troca de comando. Nos números recentes, o United se comporta como uma equipe de top-6 da Premier League, o que ajuda a explicar por que o cenário herdado por Michael Carrick não é tão negativo quanto parecia.
Aston Villa e Sunderland desafiam a lógica
Toda edição da Premier League tem equipes que fogem ao padrão estatístico, e nesta temporada os principais exemplos são Aston Villa e Sunderland. Ambos pontuam acima do que o desempenho geral sugere. Isso não invalida seus resultados, afinal, eficiência também faz parte do jogo, mas indica um nível de aproveitamento difícil de sustentar.
O Villa se apoia em finalizações de média e longa distância com aproveitamento elevado, enquanto o Sunderland conta com Robin Roefs, o goleiro mais eficiente da liga em defesas. Segundo a Opta, o Villa tem 96% de chance de classificação para a Champions, e o Sunderland, 99% de permanência. Objetivos praticamente cumpridos, mas com sinais de alerta para o futuro.
Dando espaço para eles sonharem além, algo que toda diretoria gostaria de ouvir.
Wolves melhor do que a tabela indica
Na parte de baixo, os Wolves representam o oposto. Jogam mal, mas não tão mal quanto a pontuação chegou a sugerir. O xG indica uma equipe fraca, porém superior a outras que estavam ao redor na tabela. Esse fator prova a principal realidade, os pontos são entregues a partir dos gols, se você joga bem, mas não faz, ou os sofre, fica difícil demais de se ver numa situação melhor.
A melhora recente nos resultados apenas confirma o que os números da Premier League já apontavam. E, ao menos nisso, os torcedores podem respirar aliviados: o recorde negativo do Derby County segue fora de alcance, mas cresce a dúvida, sobre a capacidade de permanência na elite do futebol inglês.
Tottenham e Leeds mostram como o xG cobra a conta
Tottenham e Leeds são exemplos claros de como os números tendem a se alinhar com os resultados ao longo do tempo, ainda mais na Premier League
Os Spurs começaram a temporada pontuando bem, mas com xG baixo. O alerta estava ali. Com o avanço do campeonato, os resultados caíram e passaram a refletir melhor o desempenho real. Uma situação semelhante ao Milan de Allegri, a equipe rossonera tem conseguido se manter no topo da Série A Enilive, mas não é com bom futebol que isso está ocorrendo.
Já Leeds viveu o inverso. Criava mais do que pontuava. Com o tempo, a correção veio, e os resultados melhoraram.
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