O que era esperado como um confronto épico entre duas das potências europeias se transformou em um verdadeiro massacre. Nesta quarta-feira, o PSG não apenas venceu o Real Madrid — ele o humilhou. Com uma atuação avassaladora, os franceses golearam por 4 a 0 no MetLife Stadium, carimbaram presença na grande final da Copa do Mundo de Clubes e deram um duro recado ao planeta bola: estão mais vivos do que nunca na elite mundial.
O reencontro com Mbappé, agora no lado espanhol, tinha todos os ingredientes de drama. Mas o que se viu em campo foi um PSG coletivo, intenso e inteligente, que atropelou um Real perdido e desorganizado desde o primeiro minuto. Na final, os parisienses encaram o Chelsea, que bateu o Fluminense na outra semifinal do torneio.
O jogo
O PSG começou em cima, com uma marcação alta e insaciável. Logo aos seis minutos, Dembélé aproveitou vacilo de Asensio, pressionou Courtois, e a bola sobrou para Fabián Ruiz, que empurrou para o gol vazio: 1 a 0. Três minutos depois, mais pressão, novo erro — agora de Rüdiger — e Dembélé ampliou com frieza na saída do goleiro belga.
Sem conseguir sair da pressão inicial, o Real tentava equilibrar a posse e responder no campo ofensivo. Mas era um time sem organização e vulnerável à transição. Aos 24, nova blitz do PSG. Em bela jogada pela direita, Hakimi cruzou para Ruiz, que girou e finalizou no canto para marcar o terceiro. Um 3 a 0 devastador ainda no primeiro tempo, que poderia ter sido ampliado, não fosse a boa defesa de Courtois em chute forte de Nuno Mendes.
Na volta do intervalo, o PSG manteve o domínio mesmo tirando o pé. O time de Luis Enrique desacelerou, controlou as ações e ainda teve um gol anulado de Doué, por impedimento milimétrico de Dembélé no início da jogada.
O Real Madrid, por sua vez, continuou apagado, e Mbappé, em sua primeira partida contra o ex-time, teve atuação apagada e praticamente não levou perigo. Em uma das raras tentativas, arriscou de longe e mandou muito longe do gol.
Com o jogo resolvido, Luis Enrique fez alterações e promoveu as entradas de Barcola e Gonçalo Ramos, que entraram bem. O português, inclusive, teve duas boas chances antes de marcar seu gol: primeiro travado por Rüdiger, depois finalizando para fora.
Mas a insistência teve recompensa. Aos 43 do segundo tempo, novo contra-ataque letal: Hakimi arrancou pela direita e achou Barcola, que passou fácil por Militão e tocou para Gonçalo Ramos. O camisa 9 finalizou firme para fechar a conta.
PSG apresenta um recital da bola contra o maior time do mundo
A goleada do Paris Saint-Germain sobre o Real Madrid foi muito mais do que uma vitória categórica. Foi uma declaração de superioridade tática, técnica e física. Desde o primeiro minuto, a equipe de Luis Enrique dominou todos os aspectos do jogo: sufocou a saída de bola, explorou os erros adversários, impôs volume ofensivo e controlou o ritmo com autoridade.
O mais impressionante foi a forma como o PSG anulou o Real Madrid. O time espanhol, conhecido por sua frieza e capacidade de reverter situações adversas, não conseguiu sequer reagir. A defesa falhou grotescamente nos dois primeiros gols. O meio-campo, comandado por Tchouaméni e Valverde, perdeu todos os duelos. E no ataque, Mbappé foi completamente apagado em sua “partida de revanche”.
Outro ponto relevante é a maturidade coletiva do PSG. Sem depender de um único craque, o time mostrou repertório ofensivo. Dembélé foi o nome da partida, pressionando, assistindo e marcando. Hakimi foi um motor pela direita. Fabián Ruiz mostrou novamente que é um dos melhores meias do mundo, com frieza e presença de área. E mesmo os reservas como Barcola e Gonçalo Ramos entraram bem e participaram diretamente do gol final.
Do lado do Real, o cenário é preocupante, mas não desesperador. A derrota expôs falhas estruturais. A defesa esteve desorganizada, o ataque inofensivo, e o meio sem ideias. Além disso, o emocional parece ter pesado. O time se desconectou do jogo após os dois primeiros gols e não mostrou capacidade de reação — algo raro em um clube do tamanho e da história do Real.
A vitória mostrou a diferença de um trabalho consolidado de Luís Enrique contra um Xabi Alonso que ainda tenta encontrar a sua melhor versão coletiva. O começo é animador, mas não o suficiente para encarar o melhor time do mundo, que arrasou todo mundo na temporada (menos o Botafogo).
Mais do que uma vitória sobre o Real Madrid, o 4 a 0 desta quarta-feira simboliza um PSG cada vez mais pronto para finalmente conquistar mais títulos de peso internacional. Pela primeira vez em muito tempo, o time de Paris parece ter encontrado equilíbrio entre talento individual e organização coletiva. Se repetir o desempenho contra o Chelsea, o título da Copa do Mundo de Clubes pode ser a cereja do bolo de um Paris dominante.
(Foto: Franck Fife/AFP)