Na tarde deste domingo (23), o Milan venceu a Inter no San Siro em um Derby Della Madonnina válido pela 12ª rodada da Serie A. Com gol de Christian Pulisic, a equipe de Massimiliano Allegri demonstrou uma grande força defensiva para parar uma Inter que teve ímpeto, mas não teve eficiência. Com isso, os rossoneri voltaram a vencer no campeonato e interromperam uma sequência de três vitórias seguidas dos seus rivais locais.
Com a vitória, o Milan assume a vice-liderança da Serie A, dois pontos atrás da líder Roma, time que já venceu antes no campeonato, e aumenta sua sequência invicta para 13 partidas. A Inter, por sua vez, fica na quarta colocação, mas ainda está a uma vitória de empatar na liderança.
O jogo
A partida teve um primeiro tempo marcado pelo controle territorial da Inter. O time de Cristian Chivu circulou com paciência, buscou construir pelo chão e tentou empurrar o Milan para perto da área. O problema é que faltou clareza no último terço. Faltou ousadia para arriscar. O Milan respondeu do jeito que Allegri gosta: fechando corredores, reduzindo espaços e esperando o momento para acelerar.
A primeira grande intervenção de Maignan veio logo aos quatro minutos, quando Thuram testou o goleiro francês com um chute forte à queima roupa. Pouco depois, foi a vez de Lautaro pegar firme na bola e mandar no canto. Maignan conseguiu desviar e viu a bola carimbar o poste. Era um aviso claro do que viria ao longo da noite.
O jogo seguiu em clima de estudo e paciência. O Milan sofreu pouco nas costas da defesa, muito pela disciplina de Pavlovic e Bartesaghi, que se mantiveram firmes nas coberturas. No meio, Modric controlou o ritmo e buscou dar a cadência necessária para evitar que a Inter acelerasse em bloco.
O clássico virou de vez no segundo tempo. Logo aos 54 minutos, uma jogada confusa mudou tudo. Sommer saiu com um chute longo, a bola ficou viva no meio e Calhanoglu tentou dominá-la no peito. A ideia era simples. O problema foi a execução, que saiu torta. Fofana antecipou, roubou e imediatamente encontrou Rafael Keão no meio. O português acelerou, soltou para Saelemaekers pela direita, e o belga bateu firme. Sommer conseguiu espalmar, mas Pulisic apareceu como um fantasma no segundo pau para completar.
A Inter tentou responder com organização, mas o Milan cresceu em confiança. O time de Allegri parecia confortável em defender, correr e esperar a brecha para mais uma transição. O grande susto veio aos 74 minutos, quando Pavlovic pisou no pé de Thuram dentro da área. Calhanoglu, que já carregava a falha no gol rossonero, foi para a marca da cal com toda a pressão do estádio. Bateu forte, mas sem precisão. Maignan caiu na bola e bloqueou o chute como se estivesse em uma final. Mais um milagre na conta do francês.
A reta final trouxe a Inter jogando no desespero. Barella foi o único a manter intensidade e visão até o último minuto. Diouf entrou bem e trouxe energia, mas faltou coordenação para transformar presença ofensiva em chances reais. Carlos, improvisado na direita pela ausência de Dumfries, deu pouco volume e não conseguiu abrir o corredor.
O Milan controlou o relógio, ganhou disputa por disputa e segurou a vitória com segurança. Triunfo de estratégia. Triunfo de leitura de jogo. Triunfo de cinismo na hora certa.
Milan tem mais uma atuação sólida e time ganha a cara de Allegri
O Milan venceu porque soube se adaptar ao cenário. Allegri montou um time pragmático, consciente do que a partida pedia. Fechou linhas, cortou espaço entre as zonas e apostou na transição. Quando apareceu uma única brecha, o Milan matou. Simples e direto.
A Inter pode falar de azar. Duas bolas na trave, um goleiro em estado de graça e volume ofensivo maior. Mas o futebol premia quem comete menos erros. O vacilo de Calhanoglu no meio e o pênalti mal batido pesaram demais. Além disso, a Inter voltou a mostrar uma dificuldade recorrente: transformar domínio em precisão. Em quatro grandes jogos, venceu apenas a Roma. Contra Juventus, Napoli e agora Milan, saiu derrotada. É um padrão que preocupa.
O Milan, por outro lado, se apoia em uma estrutura clara. Pavlovic marcou com personalidade. Bartesaghi segurou o lado. Modric organizou. Fofana e Pulisic foram decisivos nos metros finais. E Maignan foi o fiel da balança, o líder que grita, orienta e salva.
No fim, um clássico decidido por detalhes. E o Milan mostrou que, quando o jogo pede frieza, sabe como entregar.
(Foto: AFP)

