Rafael Leão finalmente voltou a mostrar suas garras para o futebol mundial, após um tempinho abaixo do seu nível esperado. Com sua combinação de técnica apurada e potência física, o português virou um dos grandes nomes do Milan e da seleção de Portugal. Depois de uma temporada 2024/25 meio apagada, o atacante parece estar reencontrando seu melhor futebol na Serie A 2025/26, mas com uma surpresa desta vez: agora ele tem jogado como centroavante, a referência do ataque.
Lesionado entre agosto e setembro, Leão voltou e o técnico Massimiliano Allegri decidiu dar um novo rumo ao jogador. Com poucas opções para o ataque, Giménez simplesmente não foi capaz de se encontrar no time italiano até o momento, e com isso, o experiente treinador italiano decidiu por apostar no camisa 10 como centroavante, aproveitando sua força, velocidade e técnica para transformar o camisa 10 num “9” de respeito.
E o trabalho vem dando frutos. Em nove jogos na Serie A, Leão já foi responsável por cinco gols, seu melhor começo na liga em sete temporadas. Só Lautaro Martínez, do Inter, tem mais gols (seis) nesse período. Nesta nova etapa de Rafael Leão, é possível vê-lo mais oportunistas, sendo capaz de pegar na raiz algumas qualidades da posição. Diante do Lazio, esse fator veio a aparecer, no lugar certo, e na hora correta para colocar a bola nas redes.
Além dos gols, Rafael também já deu uma assistência contra a Roma e vem mantendo bons números de participação no ataque. A temporada sem competições europeias pode estar ajudando o português a focar mais no futebol italiano e a se reinventar, aos 26 anos, abrindo espaço para voltar a encantar o mundo.
Leão mais eficaz, menos driblador
Comparando com a temporada 2021/22, quando foi eleito o MVP da Serie A, Rafael Leão não tem aumentado o número de finalizações, agora são 2,22 chutes por jogo contra 2,56 daquela época. A diferença está na eficiência: ele tem feito mais gols, apresentando que não precisa do mesmo volume da oportunidade em questão, para ser mais fatal para o adversário.
Ele mantém o mesmo número de passes chave (0,67 por jogo) e chega quase tanto na área adversária (4,33 toques por jogo, contra 4,78). O ponto mais marcante é a queda nos dribles bem-sucedidos: de 2,11 para apenas 0,56. É um sinal claro de que Leão está focando na objetividade, buscando ser mais letal dentro da área do que brilhante no um contra um.
O mapa de calor confirma essa mudança: ele não atua mais tão colado na ponta esquerda. Agora, suas ações aparecem mais espalhadas pelo corredor central e pela área, com menos movimentação pelos flancos. Se trata de um atacante com potencial para se mexer bastante, é mais rápido do que os demais, e isso fica explicíto.
E o que vem por aí?
O mais curioso nessa nova fase de Rafael Leão não é só o número de gols, mas o que essa mudança pode significar para o futuro dele no Milan. A adaptação surgiu por necessidade, Allegri precisava de alguém que entregasse mais presença de área, mas aos poucos virou mais que improviso. E há um fator que joga completamente a favor dessa reinvenção: o Milan não disputa competições europeias nesta temporada, o que dá tempo, treino e calma para moldar um novo tipo de atacante.
Essa mudança já aparece no mapa de calor e na forma como Leão se movimenta. Aquele jogador preso ao corredor esquerdo deu lugar a um atacante mais centralizado, que pisa mais na área, oferece apoios curtos e decide perto do gol. Os dribles diminuem bastante, é verdade, mas isso faz parte da nova exigência do treinador italiano: menos enfeite, mais objetividade. A eficiência no remate cresce e as oportunidades aparecem em zonas melhores, algo que se reflete naturalmente no aumento da produção ofensiva.
Comparado à temporada de MVP em 2021/22, Leão não é mais o mesmo desequilibrador de sempre, mas talvez essa seja justamente a intenção. Aos 26 anos, ele parece entrar em uma fase em que a carreira pede expansão, não repetição, dando mais vida e mostrando ainda mais seu potencial no esporte. A dúvida, agora, é se essa função de “9” é solução temporária ou o começo de um novo capítulo. Allegri tem histórico de adaptar atacantes, e Leão tem perfil físico e técnico para crescer nesse papel.
Com menos jogos, mais treinos e um treinador experiente guiando a transição, o Milan pode estar testemunhando algo além de um ajuste emergencial: a construção de uma versão mais completa, perigosa e decisiva de Rafael Leão. E, para um clube que precisa de protagonismo, essa mudança pode ser exatamente o que faltava.
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